The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Apagar fogos (à hora)

Já tinha escrito sobre o assunto há uns meses, mas infelizmente ainda vale a pena voltar a falar dele: das coisas mais desastrosas do ensino superior actual é medirem-se as distribuições de serviço em “horas”.* Assim uma cadeira prática de oito horas é a mesma coisa que quatro cadeiras teóricas de exposição de duas horas. No primeiro caso, o grosso do trabalho é da responsabilidade do aluno (é por isso que a cadeira é prática); no segundo, o grosso do trabalho é do professor. Mas que interessam essas subtilezas: o que importa é calafetar o horário de toda a gente com doze horas ou mais.

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Perturbar as almas, desorientar os espíritos

Fico sempre pasmado com o modo como se vão tomando decisões aqui em Portugal. Criam-se comissões, fazem-se estudos e inquéritos, chegada a Hora H a verdadeira decisão é tomada num café ou num restaurante por alguém que faltou à reunião mas conhece bem o chefe. Exigem-se relatórios e actas, mas todos os anos as mesmas más decisões repetem-se como se nunca tivessem tido más consequências. Sabe-se que uma coisa está errada, que não funciona, que não dá certo, que vai tornar as coisas muito piores, mas ainda assim faz-se porque o regulamento assim o manda, porque está gravado a ferro e fogo no Diário da República.

E nos intervalos disto tudo ainda há energia para achar que somos todos espontâneos, desenrascados e até um bocadinho rebeldes.

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Introduções aos Catálogos das Exposições de Design Português, 1977

Mandei-o vir pensando que era o catálogo da 1ª Exposição de Design Português organizada em 1971 pelo Núcleo de Design do Instituto Nacional de Investigação Industrial (INII) – era assim que estava anunciado. Interessava-me pelos textos de introdução, mas sabia que o catálogo da 2ª Exposição, feita dois anos depois, era mais completo.

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Não sou só eu

Nem de propósito: depois de ter retomado hoje o tema da sinalética fanhosa do metro do Porto, dei com este artigo no blog da Eye sobre a excessiva confiança dos arquitectos modernistas na “legibilidade” dos seus edifícios, deixando sempre que possível toda e qualquer sinalética de lado – para desespero de quem quer dar com as casas de banho ou mesmo com a entrada do edifício. Tendo em conta que o mau exemplo vem de cima, a falta de qualidade da navegação nos edifícios de arquitectos portugueses (e não só) acaba por ser inversamente proporcional ao “nome” do Sr. Arquitecto. Lembro-me, por exemplo, de andar constantemente perdido na meia dúzia de corredores da Pousada de Santa Maria do Bouro, de Souto Moura, onde era preciso o recepcionista indicar a cada hóspede o truque para abrir o minibar, escondido atrás de uma portinhola disfarçada de pintura abstracta pirosa (com uma pseudo-colagem a funcionar como pega). Resumindo, se mais algum arquitecto português ganha o Pritzker nunca mais ninguém dá com um Favaíto ou com uma casa de banho pública neste país.

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Aos Esses

Em Janeiro deste ano escrevi um artigo dando conta de vários problemas tipográficos na rede de metro do Porto, um assunto que me levaria a escrever mais dois textos (este e este) e ainda um terceiro, já sobre o metro de Lisboa. A questão principal era uma contradição óbvia entre a famosa atenção ao pormenor de Siza Vieira ou Souto Moura e a falta de qualidade evidente da tipografia usada nas estações de Metro.

Desde essa altura, pouco mais aconteceu para além de Souto Moura ter ganho o Prizker, precisamente pela sua lendária atenção ao pormenor.

Mas, entretanto, foi-me assinalado por uma aluna que um dos problemas referidos no meu texto inicial, os “S” de pernas para o ar da linha amarela, poderia não ser culpa dos arquitectos mas de trolhas apressados, que os teriam recolocado erradamente depois de uma mudança de azulejos. Continuou a não me parecer uma boa justificação, tendo em conta que os dois arquitectos estão vivos, de boa saúde e ainda são famosos pela tal atenção ao pormenor. Mas, em todo o caso, na semana passada dei com uma prova que os “S” sempre estiveram ao contrário: na Estação de metro de S.Bento, as letras estão pintadas nos próprios azulejos e a inversão continua a ser bem visível.

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Chamar os bois

Há uns anos, ainda na década de noventa, um convidado do programa cultural Acontece falava da revista que editava, salvo erro no Algarve, e do seu design apelativo quando o apresentador, Carlos Pinto Coelho, se inclinou bruscamente para a frente e ralhou “Não diga ‘design’ que é uma palavra estrangeira!” Só por si, esta cena ilustra bem a resistência que já houve à presença do “design” na língua portuguesa, mesmo quando já havia cursos de design, bienais de design e revistas de (e com) design.

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Ponto da situação

Assim, mais ou menos de férias (pelo menos até terça) e sem grande oportunidade para escrever para o blogue. Entretanto, vou acabando uma introdução para um livro sobre um designer português clássico, relendo algumas coisas para um projecto sobre arte e censura sobre o qual ainda não posso dizer muito mais, e preparando um ciclo de seis conferências sobre livros que espero poder anunciar melhor em breve.

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Os Turistas Adoram a Máquina

Ao ler velhos livros sobre tipografia é difícil perceber a fronteira entre língua e design, em grande parte porque não existia: era nos impressores que recaía a última possibilidade de eliminar uma gralha; o rigor de uma oficina não se limitava ao aspecto gráfico do trabalho final mas também ao rigor da sua revisão.

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Sex and Typography, 2005

Ainda no tema dos livros, mas tentando fugir ao vintage (embora não propriamente à história): o belíssimo catálogo editado por Emily King a propósito de Robert Brownjohn: Sex and Typography, bom título para a biografia de um dos designers mais emblemáticos dos Swinging Sixties de Londres, roubado a um artigo na Typographica 10 de Spencer sobre os genéricos que fez para os filmes de James Bond (From Russia With Love e Goldfinger) com letras projectadas sobre o corpo de strippers.

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Investimentos em Portugal, 1968

Mais um livro com o design de Sebastião Rodrigues ao serviço da Primavera Marcellista. Aqui é possível ver numa escala maior, um a4 alongado, os mesmos contrastes entre cores directas e fotos a preto-e-branco do Almanaque, embora num esquema gráfico exactamente a meio caminho entre Alvin Lustig ou Ladislav Sutnar (os anos 40-50) e os Suíços tardios (60-70). Uma boa lição sobre infografia clássica.

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A Ideia de Estado

Há uns anos, pouco depois do anterior governo ter sido eleito, lembro-me de alguém, um estagiário num centro de emprego, me ter contado que, com a mudança de “cor” do executivo, se andava também a mudar em massa o padrão de fundo de todos os formulários de laranja para rosa, obrigando a deitar fora toda a papelada anterior.

Lembro-me da história sempre que se fala da imagem gráfica do Estado – resume bem a mistura em partes iguais de despesismo, superficialidade e vaidade produzida sempre que o design entra em contacto com qualquer coisa pública.

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Nem Ovos, Nem Galinhas

Muita gente vê o design como algo efémero e no fim de contas dispensável, tomando decisões que lhe dizem respeito com voluntarismo. Se o fazem com o seu próprio dinheiro, para as suas empresas ou para resolver as suas necessidades individuais, o problema é sem dúvida delas, mas se o fazem enquanto representantes do público, o problema é – talvez – nosso.

A dúvida, neste caso,  tem que ver com a própria natureza do design, que actualmente é visto como uma actividade empresarial – privada, portanto: Quando o Estado, na pessoa de um dos seus representantes eleitos, contrata um designer limita-se a pagar um bem ou um serviço, como um carro, um orçamento ou uma refeição. Mas o que acontece quando a coisa dá para o torto? Quem é o responsável pelas más decisões que o Estado toma em relação ao design?

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The Family of Man, 1955

Comprado por dois euros e meio do outro lado do quarteirão da Livraria Leitura do Porto onde esteve à venda pela primeira vez por 126$50 há mais de cinquenta anos (ainda tem o talão). Seria na galeria dessa livraria que Costa Martins e Vítor Palla iriam expôr em 1958 as fotografias do seu livro Lisboa, Cidade Triste e Alegre, muito obviamente influenciado por este The Family of Man, catálogo da exposição comissariada por Edward Steichen no Moma em 1955, também ele organizado por temas, beijos, nascimentos, abraços, também ele ilustrado por citações e poemas variados, também ele recorrendo a reenquadramentos e sobreposições dramáticos que seria difícil conseguir fazer hoje em dia.

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Boas Surpresas

Na vida de um professor universitário não há propriamente um dia em que se pode dizer com toda a segurança que se está de férias, mas apenas um período difuso entre Julho e Agosto onde a inacção e a burocracia se misturam como casas e campos à saída de uma grande cidade. Mesmo no meio do Verão com as ruas vazias e as praias cheias não nos livramos de um mail ou de um telefonema. Mas enfim, nesta Terra de Ninguém também ainda vão aparecendo boas surpresas. Uma das melhores foi a apresentação de Eduardo Nunes nas Short Talks do Close-Up. Já tinha dito aqui bem do projecto, um levantamento sistemático do design e do ensino do design periférico em Portugal, apresentado num site elegante e bem feito. A curta conferência de sete minutos não fez mais do que confirmar a maturidade e o interesse do projecto.

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Resistir é um erro

São muito raras as ocasiões em que algo de verdadeiramente interessante acontece e mais raras ainda aquelas em que uma ideia é retomada pela segunda vez, acrescentando com isso o que quer que seja. São raros os segundos livros, os segundos filmes ou as segundas exposições que valem realmente a pena. Quando muito, acabam por funcionar como uma espécie de amostra de má qualidade, em contraste com a qual o original reluz melhor. A segunda edição do Close-Up é uma dessas raras ocasiões, ganhando em maturidade, segurança e economia por comparação com a sua instância anterior.

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Lendo Libânio

Como antídoto à grande quantidade de trabalhos que ainda não acabei de avaliar (faltam só três!), tenho andado a ler o Manual do Typographo escrito por Libânio da Silva em 1908 e editado como parte da Biblioteca de Instrução Profissional pela Aillaud & Bertrand. É um livro muito gabado em outros manuais de tipografia portugueses e já mais do que um designer me mostrou orgulhosamente a sua cópia quando visitava o seu atelier. Naturalmente, queria verificar se suportava toda esta referência e, neste momento, posso dizer que sim.

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Partícula Art Deco

Faz dois dias me dei conta que a EDP tinha mudado de imagem, produzida agora por Sagmeister, uma distracção quase imperdoável, tendo em conta que desde há um mês andava gente a fazer buscas sobre o assunto no blogue. Mas como não vejo quase nenhuma televisão e tenho passado os dias enterrado em trabalhos de alunos, no período de avaliações mais longo da minha vida (ainda não acabou), o mundo inteiro já me parece um trabalho de aluno, páginas e páginas de linhas demasiado compridas, com fontes não-serifadas e pouca entrelinha. Daí que tenha assumido que as buscas fossem pesquisa para algum paper sobre o assunto.

Mas finalmente alguém me apontou na direcção da coisa, sublinhando que “era horrível”.

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Porque ando a fotografar livros

(via)

Nunca fui um bom fotógrafo. A fotografia à antiga, revelada com um ampliador e com líquidos numa sala escura nunca me puxou. Para o curso, comprei a máquina mais barata com a objectiva mais rasca. Tive um bom professor, antigo realizador de televisão e um verdadeiro gentleman, que pouco mais pôde fazer por mim do que dar-me a pior nota da minha vida académica (inteiramente merecida). Tudo o resto foi uma má experiência, desde acordar às seis da manhã para marcar vez em salas de revelação minúsculas e sobrelotadas até ao cheiro entranhado da minha máquina, onde o gato de um dos meus senhorios se tinha resolvido aliviar. Enfim.

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Estética e Política

Outro dia, perguntaram-me que revistas de arte havia em Portugal, e não me ocorreu nenhuma. A L+Artes acabou, a Artes & Leilões também. Pedi algum tempo para pensar, perguntei a duas ou três pessoas, artistas plásticos que me disseram que não havia nada – sugeriram o site Arte Capital, algumas revistas de arquitectura que também tratavam de arte, mas nenhuma de arte pura e dura.

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Problemas Novos

Sem perder mais tempo, começo por dizer o óbvio: a Pli está a anos-luz de outras tentativas de fazer uma revista de design em Portugal, o que não significa que não tenha problemas, apenas que os seus problemas são novos.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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