The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Sex and Typography, 2005

Ainda no tema dos livros, mas tentando fugir ao vintage (embora não propriamente à história): o belíssimo catálogo editado por Emily King a propósito de Robert Brownjohn: Sex and Typography, bom título para a biografia de um dos designers mais emblemáticos dos Swinging Sixties de Londres, roubado a um artigo na Typographica 10 de Spencer sobre os genéricos que fez para os filmes de James Bond (From Russia With Love e Goldfinger) com letras projectadas sobre o corpo de strippers.

Também trabalhou para os Rolling Stones e foi aluno de Moholy-Nagy no Institute of Design de Chicago, tendo lugar de destaque no Vision in Motion o livro que serviu de portfolio e de manifesto à escola (e um dos meus favoritos de sempre).

Aquilo que me atrai em Sex and Typography é o modo como a vida de Brownjohn é contada a partir dos testemunhos directos de família e amigos, funcionando um pouco como a transcrição de um documentário – em vez da voz linear de um editor construindo uma narrativa a partir da documentação disponível. Fica assim o retrato de um designer e da sua vida boémia e trágica, mas também da influência que teve sobre um grupo alargado de pessoas, sobre toda uma cultura.

“Compraria um carro usado a este homem?” Ao longo do livro, cada capítulo abre com um retrato de Brownjohn. O primeiro de todos é um anúncio usando a sua cara já marcada pelos excessos para “vender” a sua imagem de charlatão pouco escrupuloso(aparentemente, boas referências num publicitário).

Uma nota biográfica concisa deixa o caminho aberto aos testemunhos variados e contraditórios de amigos, colegas e família, listados abaixo e invocados ao longo do livro como personagens num guião.

O jovem Brownjohn, lembrando vagamente o Pete Campbell de Mad Men.

Retrato de grupo dos designers londrinos dos anos 60. Brownjohn é o décimo sétimo à direita em cima, entre Ken Garland e Herbert Spencer.

Testemunhos sobre a filmagem do genérico de um filme de James Bond e um artigo sobre o mesmo numa revista de cinema, notando a influência de Saul Bass.

À direita em baixo, é possível encontrar um trabalho de Brownjohn destacado no Vision in Motion, de Moholy-Nagy (1947).

Instalação para a Coca-Cola, construída a partir de enfeites de Natal.

Ensaios visuais de tipografia experimental e vernacular nas Typographicas 6 e 4.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, História, Publicações

One Response

  1. Caramba, ando atrás deste livro há quase 3 anos, mas agora, com estas fotos, salivei tanto que vai ter mesmo de ser, sem esperar mais por uma grande pechincha. Obrigado!

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