The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Pós-Punk

(Ou mais exactamente “Anti-Punk”.) Ando a folhear os primeiros anos da revista The Face, entre 1980 e 1982, ainda sem grandes marcas da presença de Neville Brody. Pelos padrões actuais, é quase uma revista literária, cheia de texto organizado em grandes artigos. A moda reduz-se a um mosaico de fotografias numa ou duas páginas, em vez dos longos ensaios visuais altamente estilizados que chegariam pouco depois. Algumas fotos de cores saturadas com muito grão e, na era pré-Photoshop,  muita maquilhagem visível a olho nu, fazendo os New Romantics parecem figuras de plasticina. Nas fotos a preto e branco, muito contraste, muitos rastos de movimento, reduzindo as caras a padrões quase tipográficos sobre a página.

Ao nível dos conteúdos, entrevistas com bandas e muitos artigos de reflexão e crítica cultural mais ou menos agressiva. Em 1981, cinco anos depois da idade de ouro do Punk, o movimento era declarado morto e enterrado, completamente rendido aos interesses mais comerciais e caindo na auto-paródia. Ainda assim, há sempre tempo para dedicar um artigo ou uma entrevista ao grande empresário do Punk, Malcolm Mclaren, cobrindo os seus projectos pós-Sex Pistols.

Os sucessores não tinham melhor tratamento, com cartoons a compararem as roupas pseudo-vintage e a maquilhagem dos New Romantics ao vestuário largo e remendado de palhaços. A roupa vai-se tornando mais larga e colorida, cheia de referências históricas, misturando Zoot Suits quase cubistas com fatos de macaco Soviéticos.

De vez em quando, um artigo sobre um designer: Russel Mills, ainda na fase pré-4AD; Malcolm Garrett; Barney Bubbles, com um perfil e, mais tarde, a notícia do suicídio. Ensaios culturais onde o design é uma peça fundamental, como The Age of Plunder, onde Jon Savage analisa a tendência pós-moderna para a apropriação histórica e onde o trabalho de Peter Saville tem lugar de destaque.

Com o tempo, o estilo de Brody vai-se tornando mais afirmativo, tornando a revista mais visual e menos palavrosa, com grandes páginas duplas criando um ambiente gráfico para o artigo, construtivista para os Kraftwerk, borrões fosforescentes para África em geral, e por aí adiante.

Filed under: Crítica, Cultura, Design, História, Publicações

One Response

  1. […] muito longe da banda-desenhada de Enki Bilal, por exemplo, ou da maquilhagem e dos chumaços dos New Romantics, que tentavam reproduzir isto no mundo real através de roupa, pregas e sapatos muito […]

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