The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Silhuetas

Tirei-o da estante do alfarrabista à última da hora, quando já estava a pagar, pelo contraste extremo da lombada fina que me fez lembrar a do Printers and Designers. Com o desconto que me fizeram é provável que tenha sido gratuito – não sei, porque trouxe mais dois livros.

Em todo o caso foi um bom negócio: era um catálogo* de uma exposição de silhuetas apresentada em 1971 no Museu Nacional de Arte Antiga, feita a partir da obra de uma tal Baronesa Eveline von Maydell, senhora de biografia extensa e convuluta, nascida em Teerão, filha de pais Estónios, casada com Barão polaco e expatriada finalmente na América, depois de ter perdido todos os bens com a Grande Guerra e a Revolução Russa.

Dedicou-se ao recorte de silhuetas, das quais fez exposições em todo o mundo, retratando chefes de estado e celebridades. Diz o catálogo que: “costumava ter entrevistas por várias vezes com os seus modelos em que estes não suspeitavam que estavam a ser minuciosamente estudados, executava depois no seu estúdio um desenho minucioso da pessoa e, finalmente, quando inspirada, dispunha-se a recortar.”

A delicadeza dos desenhos, a riqueza de texturas e de recursos formais são aqui muito evidentes, tendo-me ajudado a ultrapassar a minha desconfiança da ilustração feita em recorte de papel, cujos exemplos actuais são em muitos casos coisas toscas que, reproduzidas numa revista ou num livro, equivalem a desenhos vectoriais que pouco interesse têm para além do trabalho que deram. Ou seja, são ilustrações cujo efeito depende de saber como foram feitas, mas onde a ténica é em larga medida irrelevante ao resultado final, sendo imperceptível ao leitor – mesmo numa exposição de originais já vi casos em que foi preciso emoldurar os recortes numa estrutura de acrílico levantado para que o público se apercebesse que afinal aquele boneco, pouco mais do que um logotipo apressado, custou a fazer, num esforço pretensioso mas inseguro de convencer que aquilo até vale alguma coisa.

*Mais uma vez. só dei conta em casa que era do Sebastião Rodrigues.

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Exposições, Ilustração, Publicações

5 Responses

  1. bigsoul diz:

    is this for sale?

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