The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Primeiro de Maio, 1979

Quando há muitos textos atrás tentei definir quais as características de um bom ilustrador “clássico”, daqueles que produzem desenhos para livros, jornais ou revistas, defendi que deveria conseguir adaptar o traço às características do sítio onde os seus desenhos aparecem, a espessura e recorte do contorno deveriam, por exemplo, ecoar o da tipografia, a sua textura deveria adequar-se à do papel.

Nesta tarefa, o director de arte tem muita responsabilidade, não se limitando a encomendar um “boneco” para um determinado tema, mas a gerir a sua integração no design geral da publicação.

Uma das consequências desta necessidade é que só é possível apreciar verdadeiramente uma ilustração no contexto para o qual foi concebida – quando aparece recolhida numa antologia, reenquadrada, acompanhando ou não um outro texto, todas essas subtilezas se perdem.

Na altura, dei como único exemplo nacional desta integração o trabalho de André Carrilho, mas poderia ter acrescentado João Fazenda, entre outros, cujo trabalho conheço de ver em capas de livro, artigos de jornais ou revistas. No caso dos ilustradores mais antigos, é difícil ter uma ideia só de ver o seu trabalho reproduzido em outros contextos que não o original.

Por tudo isto, fiquei bastante feliz quando encontrei este suplemento de O Jornal de 1979, com desenhos de Abel Manta a ilustrarem um artigo de Eça sobre o Primeiro de Maio, onde é óbvia a combinação perfeita dos contornos espessos dos desenhos com o recorte arredondado da tipografia, o contraste dos dois com a textura negra dos desenhos e castanha do papel. Não me espantaria se tivesse sido o próprio Abel Manta a coordenar graficamente toda a publicação (mas não ficaria triste se fosse tudo obra de um director de arte não identificado; afinal Manta já tinha feito um bom trabalho de colaboração com Sebastião Rodrigues no Almanaque).

 

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Ilustração

3 Responses

  1. Nonnu diz:

    Ler este artigo, fez-me lembrar dum livro fantastico que tive o prazer de comprar ha uns anos:
    “All the Art That’s Fit to Print (And Some That Wasn’t): Inside the “New York Times” Op-Ed Page”
    ( http://www.amazon.co.uk/Thats-Print-Some-That-Wasnt/dp/0231138245/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1317820770&sr=8-3 ) onde a autora Jerelle Kraus, faz um apanhado dos utimos 30/40 anos de ilustrações da pagina Op-Ed quase sempre com a preocupaçao de intergrar as ilustraçoes com o texto ou com o “momento” social da publicaçao das mesma.
    Vale a pena dar uma vista de olhos.

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