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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Trabalho de Grupo

(via)

O que significa este gráfico? Que boa parte dos trabalhadores portugueses trabalham em empresas de nove pessoas ou menos. Pequenas portanto. Não é uma grande novidade.

Também significa que aquela velha tradição do Prós e Contras de um empresário dizer a um desempregado para tomar a iniciativa, ser empreendedor e formar a sua própria empresa já acontece aqui em grande escala e muito antes da crise.

A novidade do gráfico é perceber que os países onde essa ideia é posta em prática são exactamente os mesmos que nos acompanham na tragédia da crise. Pelo contrário, nos países onde supostamente o empreendorismo individual é apoiado, há muito poucos trabalhadores a trabalharem em empresas pequenas. Ou seja, fica a ideia duma relação qualquer entre o nosso tipo de empreendedorismo e a nossa situação económica.

Fica a ideia também que não se conseguem formar facilmente em Portugal empresas complexas, com hierarquias intermédias complexas, apenas coisitas pequenas com um patrão e uns quantos funcionários, que sonham um dia tornarem-se o seu próprio patrão – em regime freelancer ou criando a sua própria empresa nos mesmos moldes.

No entanto, nem toda a gente quer ser o seu próprio patrão, contentando-se perfeitamente em ser um bom quadro intermédio. Infelizmente, o sistema não recompensa outro tipo de méritos que não sejam a chefia, portanto gente excelente a fazer uma tarefa só é aumentada se estiver disposta a geri-la, muitas vezes deixando de a fazer. Daí a proliferação de chefias, gestores, directores e etc.

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Economia

3 Responses

  1. Nuno diz:

    Uma explicação para muitos casos também pode ser a que me deu um colega que criou a sua empresa (com 3 pessoas) após 5 anos de precariado e biscates: “Se vou ganhar amendoins e trabalhar de forma pouco profissional, prefiro ganhar amendoins e controlar o modo como dirijo o meu negócio.”

    Julgo que a estatística do quadro diz mais da qualidade da nossa gestão (mais de 70% com ensino básico e sem aposta na actualização) e do pouco crescimento ou evolução débil das empresas do que das escolhas dos trabalhadores.

  2. Essencialmente é a mesma coisa: a escolha dos trabalhadores entre ser o próprio chefe ou, em alternativa, ser pouco mais que nada, depende da falta qualidade da gestão, que por sua vez afecta o crescimento e evolução das empresas.

  3. […] de mais recursos ou de mais propaganda. Tem-os em demasia e o resultado está à vista. Portugal não é um país com deficit de empreendedorismo, antes pelo contrário. Neste momento, tem um deficit cada vez maior no seu serviço público. Mas, […]

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