The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Miudezas

Passei a manhã toda a avaliar livros paginados por alunos do último ano. Alguns bons resultados, dado o pouco tempo, mas nada que não pudesse ser melhorado. Ainda assim, menos deprimente que uma ida à secção nacional da Fnac, tradicionalmente muito fraca.

Erros comuns: demasiadas fontes, criando problemas de coerência na textura da página; uso de bold, uma opção que cai como uma bomba no meio do texto corrido, mesmo nos títulos; uso de tipografia em cinza ou a cores sem haver preocupação com o tom, que fica em geral mais claro ou mais berrante do que devia; tramas de cinza esburacando as letras. Em geral, parece que se usa a cor como uma maneira fácil de reduzir o destaque do texto na página, um estratagema que funciona sobretudo nos tamanhos maiores, para evitar grandes letras pretas sobre a página, mas que nos tamanhos pequenos é desastroso.

Mas enfim.

Normalmente evito usar Tschichold como exemplo, porque tal como o Bringhurst, é um tipógrafo muito minucioso e articulado, mas que tende a ser seguido cegamente – o que é quase tão mau como não ser seguido de todo. Porém, ainda é um dos estilistas mais elegantes do século XX e vale sempre a pena dar uma olhadela aos seus livros.

Esta é uma edição da Penguin Shakespeare feita sob orientação de Tschichold, usando xilogravuras de Reynold Stone. A capa tal como uma das páginas mostradas abaixo mostra um equilíbrio perfeito entre o contraste da tipografia e da ilustração: um cuidado habitualmente descurado. Aqui, a moldura tipográfica dá unidade ao todo, integrando a informação da editora e colecção. Note-se a preocupação de dar um tracking generoso ao texto aberto a branco sobre preto – sendo neste caso uma fonte de luz, tenderia de outro modo a ficar difuso, confundindo-se as letras umas com as outras. O texto do título aparece a vermelho, o que lhe assegura destaque enquanto o torna mais leve. O tom é relativamente seguro de ser usado em texto porque tem um gradiente muito próximo ao do preto.

Nas páginas restantes, notar: a economia de tamanhos e estilos só usados para marcar diferenças de sentido que não evidentes pela composição geral; o arranjo compacto e económico de corpo de texto com os números de página e os running heads; a medida de linha quase ideal – cerca de 55 caracteres por linha – que facilita o espaçamento uniforme mas não é demasiado grande; um leading bem espaçado; etc.

Ups, já é hora de voltar para as aulas.

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Filed under: Design

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