The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Lembrando os pioneiros

Ando a reler o Pioneers of Modern Typography, pela primeira vez na sua belíssima primeira edição de 1969. Na imagem é possível apreciar o contraste vibrante entre as cores primárias da sobrecapa, do tecido amarelo da encadernação e do papel vermelho das guardas.

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A Decadência Pública

Esta crise marca uma etapa na tentativa de destruição de tudo o que na nossa sociedade se costumava adjectivar como “público”, uma tarefa que ao nível das elites políticas – aquelas que costumam governar países como o nosso – tem sido consensual. Mesmo os governos de esquerda têm participado nessa destruição, ainda que de forma moderada, não privatizando inteiramente, mas preferindo formas mistas de parceria entre público e privado. O resultado da moderação foi a conclusão por parte do actual governo de direita que o que falhou não foi a privatização mas simplesmente a moderação com que foi aplicada, iniciando assim uma empreitada de destruição definitiva de tudo o que é público.

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500

E assim este é o post número 500. Meio milhar de textos em quase oito anos de blogue, a que se somam uns poucos no Grandes Armazens de Design e outros tantos escritos para jornais, revistas e livros, sem antes ou depois terem sido publicados aqui.

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Observatório de Frases Feitas

A vida pública portuguesa – e, para ser justo, não só – gira à volta do chavão, que poderíamos classificar como uma espécie de treta unicelular, um mini-preconceito autónomo, viral, com o qual se pretende dar a sensação que se está a dizer coisas importantes sem realmente acrescentar o que quer que seja.

Esta semana, por exemplo, surgiu um novo chavão: o adjectivo “temporário”, usado para classificar o corte real de um sétimo dois sétimos um sétimo dos salários da função pública ou, como Manuela Ferreira Leite sugere, a suspensão temporária da saúde e da educação gratuitas. No caso dos salários, é bem provável que o “temporário” acabe por ser aplicado àquele período da história portuguesa em que havia subsídio de férias e 13º mês. Se for aplicado ao ensino e à saúde gratuitas, será sem dúvida a mesma coisa.

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Crítica e Censura

(via)

Para um projecto do qual não ainda não posso dizer muita coisa (principalmente porque  ainda não sei onde vai levar, nem tenho tido muita ocasião para o ir escrevendo) tenho andado a ler muita coisa sobre censura em Portugal e não só. Conforme me apercebi durante os anos que dediquei à tese, uma das maneiras mais eficazes de ir testando as ideias é ir falando sobre elas em aulas e conferências, usando os textos publicados aqui no blogue para lhes dar alguma consistência argumentativa.

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Manual de etiqueta para banqueiros

Há alguns textos atrás referi um ditado que ouvi num filme de Michael Powell e Emeric Pressburger. Trata-se de I Know Where I’m Going, de 1945. Na cena em questão um grupo de camponeses e trabalhadores comenta os excêntricos gastos de um milionário que tinha alugado a ilha de Kiloran para o seu casamento: construiu uma piscina em vez de nadar no mar; mandava vir salmão de Londres em vez de o pescar nos ribeiros. O dono da ilha, um jovem aristocrata rural empobrecido, sugeriu-lhes que pelo menos “um tostão gasto é um tostão ganho por outra pessoa”, ao que todos assentiram.

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O Voto Inútil

Se houvesse eleições hoje, não saberia em quem votar. No PSD, nem vale a pena. Ainda há gente que opõe a frontalidade de Passos às tretas de Sócrates, mas desconfio que acaba por ser uma atitude fundada no marketing político, uma imagem de espelho do Primeiro-Ministro anterior, produzida para contornar os anti-corpos que este último costumava gerar. No final, Passos pode ser sério e apresentar medidas difíceis, mas se Sócrates tinha a imagem de casmurro e controleiro, Passos acaba por refugiar-se na ideia de uma inevitabilidade que lhe é exterior, enquanto vai impondo as suas próprias decisões como se não fossem suas. “Ir além da Troika” tem sido a justificação para fazer vingar a sua própria ideologia, e sugere que as suas ideias não são bem suas, apenas o zelo de as cumprir. Por mais sincero que pareça, a sua acção vai no sentido de destruir muito daquilo que é público, daquilo que foi construído através de recursos comuns a todos, que também podiam ser usados por todos, tornando necessariamente a nossa sociedade mais desigual, mais hierarquizada e por isso menos democrática.

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Democracia, hierarquia e migração

Para quem gosta de papers e particularmente interessante no contexto actual: um estudo de Stanford demonstra que a democracia é mais difícil de exportar que as alternativas mais autoritárias. O argumento é que os regimes mais autoritários acabam por levar à emigração, acabando assim por propagar os seus valores. As democracias pelo contrário, repartindo melhor os recursos, tendem a favorecer a imigração. É claro que estas conclusões correm o risco de justificar uma certa xenofobia por parte dos regimes ditos democráticos. Mas a parte mais interessante para mim é não haver aqui a oposição do costume entre democracia e totalitarismo, mas entre democracia e hierarquia, o que permite uma análise com mais nuances.

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Participação

Já não me lembro bem dos pormenores, já o li há quase vinte anos, mas no livro The Napoleon of Notting Hill (1904), uma fábula futurista passada no popular ano de 1984, o escritor e ensaísta inglês G.K. Chesterton propunha um curioso sistema político: uma monarquia democrática, onde cada vez que um rei morria era sorteado entre toda a população de Inglaterra um sucessor. A garantia de competência do novo soberano era assegurada pelo sistema de ensino que dava a todos os súbditos a formação suficiente para exercerem o cargo. Corria tudo tão bem que já ninguém distinguia um rei do seguinte, cada um deles um administrador competente mas cinzento. Naturalmente, a coisa daria para o torto com a “eleição” de um rei com ideias fantasistas que daria cabo daquilo tudo.

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O meu plano para fugir à crise

O episódio da semana passada do Community (a melhor comédia americana dos últimos anos) deu-me uma ideia para fugir à crise. Reparem: o aquecimento global, o fundamentalismo, a crise económica provocada pelo neo-liberalismo, o investimento no neo-liberalismo para resolver essa mesma crise usando exactamente as mesmas tácticas que a provocaram. Tudo isso demonstra que o nosso é um universo maligno.

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Paper Tigers

Actualmente, no mundo académico das artes e do design há uma febre do paper, cuja origem é a obrigação de publicar uns tantos deles por ano para trepar na carreirita. A coisa funciona tão bem que neste momento a quantidade de doutores em design já é um argumento para demonstrar por si só a excelência actual da área. Mas, para além do efeito estatístico, qual é a influência disto tudo na sociedade?

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“Retrocesso Civilizacional”

Já tinha falado aqui por mais de uma vez dos indícios crescentes daquilo que alguns chamam – talvez com pompa a mais – “retrocesso civilizacional”. Bastaria chamar-lhe “austeridade digna” ou então (o meu favorito): “ruralidade urbana” – o processo da queda mais ou menos voluntária das sociedades urbanas, jovens e qualificadas, no modo de vida de onde os seus pais, avós ou eles mesmos tinham saído a custo.

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Prec, Provincianismo e Propaganda

Seguindo a indicação de Alexandre Pomar (via Rosa Pomar no Facebook), dois muito bons artigos de opinião no Público de hoje sobre a crise e a estratégia portuguesa para dela sair, de Rui Tavares (Processo de Ruína em Curso) e André Freire (Guerra aos Servidores Públicos, aos pensionistas e à economia).

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O fim da nossa ironia?

Mais um ou dois pensamentos sobre a manifestação: deu-me a sensação que embora pacífica e domingueira já era um pouco menos irónica que a do 12 de Março.

A diferença mais visível foi a presença mais óbvia da polícia e do próprio cenário que dava a entender um cerco ou pelo menos uma tensão entre duas forças facilmente identificáveis pelo que vestiam – uniformes, chumaços e plástico transparente contra roupas leves e multicores.

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15 de Outubro

Saí do Metro no Rato e fui seguindo pela Rua de S. Bento em direcção à Assembleia, a andar mais rápido que a manifestação de modo a encontrar-me com amigos que já tinham chegado. Passei por máscaras do V for Vendetta, fanfarras, gente embrulhada na bandeira, carrinhos de bébé e cadeiras de rodas. Muita gente a fotografar.

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“Agenda política anti-democrática”

É daquelas coisas que já nem devia chatear: José Manuel Fernandes todo satisfeito a descobrir matreiramente uma série devastadora de contradições na manifestação marcada para hoje.

Logo a abrir, conclui que a manifestação tem muito pouco a ver com a “Geração à Rasca” simplesmente porque “tem uma agenda política”, enquanto a outra, a do 12 de Março, tinha sido “um genuíno grito de revolta sem um foco político claro. O sucesso dessa mobilização tinha sido, ao mesmo tempo, fruto da sua efemeridade.”

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Rating da dívida pública

Tenho alguma dificuldade a comentar o discurso de Passos a propósito do Orçamento de Estado. Sou dos que vão perder os dois meses de salário. Habitualmente usava-os para comprar um novo computador, compor os electrodomésticos que se tivessem avariado, pôr em dia o condomínio, encomendar alguns livros mais caros ou então (mais raramente) para viajar. Nos últimos anos, tenho visto esses dois meses como um subsídio indirecto à investigação e publicação, ajudando-me a pagar despesas relacionadas com a tese, incluindo a sua impressão, encadernação, etc. (Ainda estou à espera dos papéis que me permitiriam receber a verba destinada a isso pelo FCT.)

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Injustificado

Sobre o possível papel do design numa crise –  ou mais exactamente numa hora de desespero económico, político e moral –, há um texto ao qual tenho regressado uma e outra vez, Unjustified Text and the Zero Hour, de Robin Kinross. Um aviso: não parece ser imediatamente útil; não apresenta nada que se pareça sequer com uma solução; nada de motores do desenvolvimento ou de valorização de exportações, nada de chavões, apenas uma estranha e vibrante melancolia.

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A importância da teoria no design


Antes de começar, convém lembrar que escrever sobre este assunto é inútil. Literalmente inútil. Acreditar que, dentro do campo do design (ou em outro qualquer), se podem defender pontos de vista simplesmente escrevendo sobre eles é algo que, para muita gente, já é teoria q.b. (não é)[1]. Para essas pessoas, um argumento que não passe pela simples prática será sempre inútil, uma petição de princípio[2] pela qual, para acreditar na importância da teoria no design, se tem que começar por acreditar na importância da teoria no design (quem acreditar na teoria não precisa de ser convencido; quem acreditar na prática, dificilmente acreditará em argumentos teóricos). O que é o mesmo que dizer que, para discordar da importância da teoria no design, basta continuar como se está (a fazer coisas práticas, sejam elas o que forem), enquanto que, para concordar com ela, será necessário continuar com este texto – no meu caso, escrevendo-o, no caso do leitor, lendo-o (em qualquer uma das alternativas, daria menos trabalho acreditar no oposto).

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Sabedoria de Taxista

A ver o Prós e Contras – que mais valia mudar o nome para Preconceitos e Chavões ou simplesmente Banco de Trás do Táxi – com o tema “Austeridade não chega”. Dantes ainda havia algum esforço para criar algum debate, procurando partidários a favor e contra um tema – agora, como se pode ser pró ou contra “O Desafio” ou a “Austeridade não chega?” Deveria haver mais pesquisa por parte do programa, contextualizando melhor o tema (agora já nem sequer fazem aquela espécie de video-clip emocional do começo) e as intervenções (permitindo gráficos, por exemplo). O que sobra acabam por ser as intervenções mais emocionais e demagógicas de uma autêntica chuva de dados e de opiniões nela baseadas. É um programa onde não há palavras-chave, apenas chavões: o Amor à Camisola, a Capacidade de Trabalho, a Produtividade, o País de Fadistas, etc.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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