The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Salazar, mas agora com iPad

E a crise do referendo grego acabou – para já – com Papandreou a recuar.

Quem fica a ganhar? Em primeiro lugar Papandreou, que isolado entre uma pressão interna e uma pressão externa, arranjou uma maneira airosa de lavar as mãos, saindo de tudo isto como uma espécie de mártir da democracia. Perdem os cidadãos gregos – perdem o negócio, as ilusões e a sua soberania.

Ganham os governos de países como Portugal que daqui para a frente têm a desculpa perfeita para fazerem o que lhes apetecer, desde que isso não interfira com a Alemanha ou a França, sem que alguma vez venham a ser responsabilizados por isso. E mesmo que sejam desalojados num qualquer acto eleitoral – de resto desencorajado pelos mercados –, fica garantido que a oposição está condenada a fazer exactamente o mesmo que o anterior governo. Isto quando não se entusiasma e decide fazer o dobro – como demonstrou Passos, há sempre essa possibilidade.

Para todos os efeitos, a crise veio “desironizar” o slogan do Candidato Vieira, que só desistia se fosse eleito. Agora ganha quem melhor desiste.

E perde, claro está, toda a gente que ainda acreditava na Democracia ou na Europa (ou na Democracia na Europa).

A primeira coisa que ocorre é que qualquer cidadão eleitor da Baviera de Baixo tem mais direitos na Europa do que um português ou um grego, simplesmente porque o seu país tem mais dinheiro. A segunda é que estamos numa espécie de ditadura gerida por economistas cinzentos que coloca o balanço das contas públicas acima do crescimento, do interesse das populações e da própria democracia, reduzida à formalidade de ir pôr o papelito na urna de vez em quando.

Para muita gente, para quem votar é uma mera formalidade que substitui ou não um Domingo na praia, as coisas não mudarão muito. Ponderarão que isto não é bem uma ditadura, porque não há repressão violenta, prisões, tortura, e toda a gente é livre para fazer o que quiser, desde que isso não interfira. Essencialmente, é o mesmo que se costuma dizer do Salazarismo – que (diz-se sem grande exactidão) não teve assim tanta repressão violenta, prisões, tortura e toda a gente era livre para fazer o que quisesse, desde que isso não interferisse. E era, claro está, uma espécie de ditadura gerida por economistas cinzentos que colocava o balanço das contas públicas acima do crescimento, do interesse das populações e da própria democracia, reduzida à formalidade de ir pôr o papelito na urna de vez em quando.

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Filed under: Crítica, Cultura, Política, Prontuário da Crise

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