The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Eros, Verão de 1962

Só foram publicados quatro números da revista Eros, entre a Primavera e o Inverno de 1962, altura em que a revista acabou, em grande medida porque o seu editor, Ralph Ginzburg, foi processado por obscenidade e considerado culpado. Não pelo conteúdo “gráfico” da revista, que pelos padrões actuais era bastante mais casta que qualquer revista de supermercado, nem pelo facto de ter tentado enviar a revista através dos correios de terras com nomes como Blue Ball ou Intercourse, na Pennsylvana, decidindo-se finalmente por Middlesex, em New Jersey.

Neste número, o segundo, quem estivesse à espera de emoções fortes só encontraria uma homenagem a J.F.K., um ensaio fotográfico sugerindo, mais do que mostrando, prostituição de rua, um artigo sobre sexualidade ritual na Índia, uma história do preservativo ilustrada com embalagens Vitorianas.

Para além disso, era apenas uma revista muito bonita, de capa dura num formato bastante generoso (numa das fotos abaixo comparado com uma Emigre das pequenas). Vive dos contrastes subtis da cor e da textura das fotos com o dos diferentes papéis, mas também do seu director artístico, Herb Lubalin, literalmente um dos nomes mais sonantes do design gráfico – parece uma sineta a tocar –, que seria um dos primeiros a aproveitar as potencialidades da fotocomposição, que permitia kernings muito mais apertados que a tipografia com chumbo. A fonte Avant Garde, criada para a revista com o mesmo nome (também ela editada por Ginzburg), e cujos caracteres se encaixavam uns nos outros como o mobiliário modular da época, será talvez o exemplo mais característico desta nova tipografia.

Se Ginzburg não foi condenado por ser explícito, acabaria por ser condenado por ser implícito: o tribunal viria a decidir que a revista em si mesma não era obscena, considerando-a mais literária e artística do que pornográfica, mas a sua publicidade dava a entender que o era, e foi isso que o tramou.

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Filed under: censura, Crítica, Cultura, Design, História, Publicações, Tipografia

One Response

  1. […] quando ainda pareciam novas costumavam ser maiores – e esta semana já falei de umas tantas: a Eros, a Silence (como quase tudo o que os Bazooka […]

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