The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Um Relógio de Sol nas Traseiras da Bauhaus

Para quem, como eu, gosta de comprar livros antigos, a sobrecapa é um detalhe importante. A presença de uma sobrecapa em relativo bom estado pode acrescentar umas centenas de euros ao preço de uma primeira edição, colocando-a fora do alcance do coleccionador mais pelintra (em geral eu), tornando-se frequentemente na parte mais cara do livro que cobrem – o que é um desenvolvimento interessante, porque muita gente as via como acessórios descartáveis.

Há uns dois anos, por exemplo, dei com um número, o 42, da revista The Idler, de capa dura forrada a tecido verde. Era bonita, o assunto (‘Smash the System’) interessava-me e comprei-a. Mas a capa (apesar de gostar dela), a capa, parecia-me que lhe faltava qualquer coisa:

Até que encontrei isto na última página (cliquem para ampliar):

Um ano depois comprei o número seguinte (é anual) e fui directo à última página:

A sobrecapa era portanto vista como mera publicidade, algo que protegia e publicitava a verdadeira capa do livro entre o expositor da livraria e a estante do seu leitor. Segundo Marshall Lee, escrevendo em 1951 num dos ensaios do livro Books for Our Time, a sobrecapa tinha sido criada para compensar as deficiências da encadernação tradicional enquanto instrumento de marketing, mas depressa se desenvolveram tecnologias de impressão que permitiram fazer da capa de um livro a sua própria publicidade, essencialmente um pequeno cartaz publicitário tridimensional com uma lombada de lado.

Confesso que olhando para as capas de David Pearson, Coralie Bickford-Smith, Paul Sahre ou Chip Kidd é difícil vê-las como reles publicidade, mas olhando para a sobrecapa de um livro como The New Architecture and The Bauhaus, de Walter Gropius, a sua natureza publicitária é imediatamente visível, talvez por o livro ser de uma outra época, sujeita a convenções gráficas e editoriais um pouco distintas da nossa. Enquanto à frente tem um fotograma de Moholy-Nagy, atrás tem uma lista de livros que poderão interessar ao leitor:

Ainda se pode imaginar a pertinência do The Gardens of Japan, fazendo par com o outro livro do mesmo autor, sobre arquitectura japonesa, mas “Sundials: How to Know, Use, and Make Them”, um guia para produzir relógios de sol é um pormenor quase surrealista.

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Filed under: Arquitectura, Crítica, Cultura, Design, História, Publicações

One Response

  1. […] este utilitário e humilde pedaço de papel, bem diferente das exóticas versões actuais – como defendia o próprio Tschichold. Pormenor da […]

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