The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Escrever

Já mais do que uma pessoa me perguntou como tenho tempo para escrever tanto. Tenho respondido que vejo cada texto como um e-mail, embora mais público – ninguém acharia penoso escrever dois ou três e-mails por dia.

Quanto a arranjar assunto, em muitos casos trata-se apenas de reagir a eventos políticos e culturais do dia-a-dia, usando a escrita como uma maneira de definir e concretizar a minha opinião sobre eles. Raramente sei o que penso sobre um determinado assunto antes de me pôr a escrever sobre ele. É uma boa maneira, talvez a melhor no meu caso, de organizar as ideias.

Também funciona como uma espécie de diário público, uma espécie de disco externo que me permite lembrar o que aconteceu numa determinada ocasião. Não é uma memória tão exacta como a de um vídeo ou fotografia mas ainda assim regista a minha reacção a quente, que mais tarde pode tornar-se mais cerebral, mudando até de sentido radicalmente, mas na maioria dos casos a minha opinião não muda por aí além, só vai ganhando mais definição com o tempo, à semelhança da maneira como os primeiros browsers carregavam as imagens, primeiro como uma quadrícula tosca que se ia depois subdividindo até formar uma imagem quase perfeita.

Da ideia – na verdade preconceito – que escrever na internet impede de alguma maneira a escrita e a reflexão mais séria, só posso dizer que no meu caso não me parece que seja verdade. Escrevi as trezentas e tal páginas da minha tese de doutoramento enquanto publicava um ou dois textos por semana aqui no blogue, muitas vezes usando-os para testar as minhas ideias de investigação num ambiente mais informal.

Finalmente, escrever é uma prática exigente que estaria muito mal servida se dependesse das poucas ocasiões em que sou convidado a escrever num jornal, revista ou livro, limitando-me à escrita cada vez mais burocrática que ocupa hoje em dia o quotidiano das universidades. Nunca se tratou de escolher entre a escrita informal do blogue ou do jornal e formatos mais “sérios” mas de ter a minha caixa de ferramentas o mais completa possível.

Filed under: Crítica, Cultura, Design

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