The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ano Novo

Tentando esgravatar uma coisa positiva para dizer sobre 2012, vou arriscar que este será o ano a partir do qual será necessário começar a reconstruir a democracia de raiz.
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Filed under: Crítica, Cultura, Economia, Ensino, Política, Prontuário da Crise

Más Notícias

Que se passa com o Público? Se calhar até há razões verosímeis para pôr Passos, Merkel, Gaspar e a Troika na lista dos vencedores de 2011, mas não foram essas as usadas no Público de ontem. Louvou-se a Troika por “no espaço de poucas semanas, [ter delineado] com o executivo de José Sócrates dois memorandos que são autênticos programas de governo, apenas com a diferença de que são muito mais completos e profundos” – tirando aquela coisa das eleições, democracia e o resto. Louvou-se Passos Coelho por ter sido o primeiro político português “a apresentar-se a eleições com um programa claramente inspirado na ideologia neoliberal ” que no entanto, mesmo para quem não votou nele, não era de todo explícito no seu programa eleitoral – na altura foi até considerado bastante vago – ou nas suas promessas de deixar a função pública em paz. Na melhor das hipóteses, a lista do público soa a operação de charme, na pior lembra aquele jornal que por um dia teve a Popota como editora.

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Filed under: Política, Prontuário da Crise

Nada na Manga

Por convenção, um busto não costuma ter braços e este, encontrado na sala de espera de uma biblioteca, cumpre a norma mais do que à risca, ficando apenas a dúvida se lhe falta só um braço ou se lhe faltam três (os dois do costume mais um, que, por qualquer razão, se perdeu). Em todo o caso – e isso é certo – tem mais uma manga que a maioria dos seus congéneres menos afortunados. (Moral da história, que pode ser aplicada aos nossos tempos de crise: até para mostrar que se andou a cortar é preciso gastar mais do que o costume – a austeridade orgulhosa no fundo é uma forma de ostentação.)

 

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Vencidos

O Público de hoje tem uma longa estimativa dos vencedores e vencidos de 2011 que me deixou com um aperto no estômago. Numa crise generalizada, se há vencedores de todo, a vitória em si é duvidosa, à custa de uma maioria, talvez da própria sociedade.
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Filed under: Design

Outras Coisas

Dentro da política, onde tanta coisa correu mal, economicamente, politicamente, à democracia, apareceu uma nova identidade pública, a da Geração à Rasca, cujo nascimento foi registado em directo, no YouTube, a meio de um concerto dos Deolinda, no entusiasmo em crescendo da plateia a perceber que podia haver ali mais do que simples ironia. Já havia jovens mal pagos e estágios não remunerados há anos (décadas), mas só ali houve uma consciência pública de um problema generalizado que não era (nunca foi) um mal de crescimento ou um ritual de passagem a caminho de um emprego. Discutiu-se o assunto na rua, na TV e no parlamento, e a coisa acabaria por ser desvalorizada e re-ironizada – por causa da situação, do governo, da crise. Afinal era o país inteiro que andava à Rasca.
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Filed under: Design

Sociedade de Geografia

Atrás de uma porta grande mas discreta, mesmo a seguir ao Coliseu dos Recreios, fica a Sociedade de Geografia de Lisboa, um daqueles sítios que, visitado aos oito anos de idade, pode muito bem ser o causador de uma vida de aventuras e expedições, de lugares excêntricos e distantes, histórias antigas e meio esquecidas, artefactos e mapas, máscaras africanas e louças das Índias, com formas e funções que se foram perdendo.
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Mais Coisas do Ano

Das coisas que gostei de ler este ano, mais uma vez ficou-me muita ficção científica: Kraken, de China Mièville, uma variação muito inventiva do género cada vez mais batido da fantasia urbana passada em Londres. A cada duas páginas, ideias narrativas e especulativas delirantemente novas – das minhas favoritas fica o Deus da Greve.
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Filed under: Crítica, Cultura, Design

The Sea & Its Wonders, 1902

Comprei-o num alfarrabista de Lisboa por causa do argonauta da capa, a navegar na sua casca usando duas das pernas como velas – também há outro a coroar a lombada –, mas está cheio de gravuras tão sinceramente absurdas que nem um Max Ernst embriagado as conseguiria engendrar, mesmo acompanhado de dois ou três Alexandres O’Neill, armados das suas âmpolas miraculosas. Será sem dúvida o tipo de livro que se poderia encontrar na estante do avô de um Steve Zissou.

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Ida e Volta

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No comboio para Lisboa, um ritual agora tão quotidiano que já sei o local exato onde esperar no cais de Campanhã para que a porta da carruagem certa pare quase à minha frente.
Ainda não há muito tempo mesmo esta curta deslocação era uma perturbação considerável – viajar em si não chega a ser desagradável para mim, antes pelo contrário, mas os rituais de preparação, fazer a mala, esquecer-me inevitavelmente de qualquer coisa, deixam-me quase sempre inquieto. Assim, nos velhos tempos, preferia ir a Lisboa e vir no mesmo dia, o que me dava a sensação de ser uma pedra atirada para cima, perdendo velocidade à medida que me aproximava do ponto mais alto do arco (Lisboa), gozando aí umas horas breves de ausência de peso – a espreitar livrarias ou ver exposições –, para, ao fim do dia, voltar a ser puxado pela gravidade em direcção ao Porto.

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O Regresso da Economia da Grande Depressão

Em inglês, chama-se layaway mas é muito provável que exista um nome português para esta maneira de comprar em prestações que não implica dívida ou juros. O comprador paga um custo de adesão e uma entrada inicial, seguida de pagamentos mensais sem juros, mas só leva o produto quando o tiver acabado de pagar. Entretanto, o vendedor compromete-se a guardá-lo – daí o nome layaway, ou pôr de parte, guardar. Se o comprador mudar de ideias, recebe o seu dinheiro de volta menos o custo de adesão e por vezes uma multa.
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Are We To Read Sdrawkcab?, 1884

Chegou-me hoje pelo correio, um livrito minúsculo, mas que me pode ajudar a decidir um mistério antigo.

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Coisas do Ano

Melhores publicações sobre design em 2011: em Portugal, e sem grandes dúvidas, vou para a Colecção D, organizada por Jorge Silva e editada pela Casa da Moeda. Pelos títulos que já fui vendo, são objectos bem produzidos, com uma investigação e apresentação muito cuidadas por parte do próprio Silva. Conseguem a proeza de tornar a história do design português numa coisa com bom design (uma coisa rara). Houve mais projectos com interesse dentro do design português, a Revista Pli, por exemplo, editada pela Esad, com bom aspecto, mas ainda só um número editado e algum desequilíbrio de tom entre design e conteúdos que será provavelmente resolvido nos números seguintes.
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Furo

Ao contrário do resto da Europa, a Inglaterra decidiu aplicar a si mesma a doutrina austeritária apenas porque sim, tornando-se deste modo e por comparação com países como Portugal, que foram obrigados a isso principalmente por pressão externa, numa espécie de amostra de controlo da maior estupidez das últimas décadas numa possível demonstração empírica das virtudes deste género de política económica. O resultado, para além de ter piorado os efeitos locais da crise de 2008 e do seu desemprego ter disparado? O Brasil ultrapassou-a, tornando-se na sexta maior economia mundial. É claro que muita gente diz que a Europa está condenada a perder terreno para as potências emergentes, mas isso não significa que se faça de perder terreno uma estratégia de desenvolvimento. Se não fosse pelo balão furado da austeridade, uma espécie de brinquedo que no pacote nem sequer inclui o próprio balão, ainda se podiam ter aguentado mais uns tempos no topo.

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Discurso Duplo

Sobre o discurso de Natal do Primeiro Ministro, com o seu apelo à confiança e a sua promessa de reformas estruturais na sociedade portuguesa, há pouca coisa a dizer, sobretudo no que diz respeito à confiança. Quanto às reformas, é um discurso deliberadamente ambíguo, que será interpretado de modo distinto por classes distintas.

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Leituras de Natal

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A foto não é grande coisa, mas a banda desenhada, pelo contrário, é brilhante, em especial a capa. Para quem não sabe, a história é de meados dos anos 50, e o enigma do título refere-se ao facto dos atlantes viverem escondidos em grutas gigantes por baixo do arquipélago dos Açores, com discos voadores, pistolas de raios e tudo. No final, antecipando talvez as políticas futuras do território onde escolheram fixar-se, os atlantes emigram em massa para as estrelas. Li a história de Edgar Pierre Jacobs pela primeira vez num Natal há muitos anos – ainda é das minhas favoritas.
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A Pobreza das Nações

Nas primeiras páginas d’A Riqueza das Nações, de Adam Smith, descreve-se em pormenor o processo industrial da divisão do trabalho. O exemplo dado é, adequadamente, económico: o fabrico de um simples alfinete – feito por um único artesão é uma tarefa morosa que exige treino e dedicação, produzindo-se no máximo uns poucos alfinetes por dia, mas quando dividido em dezasseis passos simples, repetitivos, cada um deles aprendido em pouco tempo por um operário, permite multiplicar em muito a produção diária de alfinetes. A divisão do trabalho é, para Smith, a primeira causa da riqueza das nações.
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Piquenique à Beira da Estrada

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Enquanto escrevia sobre os fragmentos da nova auto-estrada que se vai sobrepondo à paisagem transmontana, uma jovem mãe atirou-se com o seu bebé de um viaduto da A24, que liga Vila Real a Chaves, de cerca de quarenta metros de altura (a criança sobreviveu). A notícia não dá pormenores, sugerindo um possível suicídio sem contudo o nomear.

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I-I-Pi-Cái-Ei

Da mesma maneira que os telejornais da quadra se afincam a inventariar as refeições típicas de Natal, as 1001 maneiras de cozinhar bacalhau, o moscatel acompanhado de uma banana que pelos vistos é tradição em Braga, podia-se ir registando também o recheio do cabaz televisivo, aqueles filmes, séries, anúncios que alguém lá nas direcções de programas associa ao Natal: o Natal dos Hospitais (um clássico), Do Céu Caiu uma Estrela (deu ontem), uma coisa qualquer da Pixar (original ou sequela), uma pitadinha de Herman (a preparar o Ano Novo), Sozinho em Casa, um dos Harry Potter, Senhores dos Anéis, ou coisas mais enviesadas como o Assalto ao Arranha-Céus – que de natalício pouco mais tem do que um cadáver com um barrete de Pai Natal – que neste momento só podia ficar mais datado usando Carbono-14 (mesmo assim ainda gosto; a cada três anos já me esqueci dele o suficiente para o rever).

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Por detrás das montanhas, grandes pilares de cimento

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Escrevo este texto num quarto bem aquecido a umas escassas centenas de metros da capela de Nossa Senhora de Almodena, uma coisita pequena, românica, agora encostada às barreiras protectoras da IP4, dantes junto a uma velha estrada de origem romana que dava acesso a Vila Real.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design

Televisão…

É pena que Natal e TV sejam quase sinónimos. Confesso que vou adiando a vontade de aderir à televisão digital terrestre. Nem sei se alguma vez o hei-de fazer, reservando a minha televisão à PlayStation e aos DVDs.
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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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