The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Regresso da Economia da Grande Depressão

Em inglês, chama-se layaway mas é muito provável que exista um nome português para esta maneira de comprar em prestações que não implica dívida ou juros. O comprador paga um custo de adesão e uma entrada inicial, seguida de pagamentos mensais sem juros, mas só leva o produto quando o tiver acabado de pagar. Entretanto, o vendedor compromete-se a guardá-lo – daí o nome layaway, ou pôr de parte, guardar. Se o comprador mudar de ideias, recebe o seu dinheiro de volta menos o custo de adesão e por vezes uma multa.

O processo tornou-se popular na América depois da Grande Depressão, como maneira de poupar dinheiro para um fim específico sem recorrer a crédito e sem as tentações inerentes a tê-lo no banco ou debaixo do colchão. Com o tempo e numa economia que se apoiava cada vez mais na dívida das famílias, no “leve já, pague depois”, foi-se tornando obsoleto, mas a crise actual ressuscitou-o.

É caso para perguntar – mais uma vez – se não irão ressuscitar também outros sistemas de pagamento típicos de economias mais pobres com uma aversão moral ao endividamento?

Filed under: Crítica, Cultura, Economia, Política, Prontuário da Crise

2 Responses

  1. não é só isso que vai voltar
    se este coelho por lá continuar:

    conversas em família para nos moralizar
    uma polícia internacional para o estado defender
    malas de cartão para o povo emigrar
    já no programa do coelho devem estar
    só já não temos colónias para “pela pátria morrer”
    mas já temos autoestradas até a vista perder…
    e os capitais, até agora por todos mal espalhados, a duas ou três familias irão retroceder.

  2. niko diz:

    O Layaway não me parece um processo muito eficaz, pelo menos tendo em conta a velocidade a que coisas como os consumer electronics ( geralmente com obsolescência programada) caem no mercado. Em alguns casos as pessoas arriscam-se a comprar um produto em 12 suaves prestações mensais, para no fim terem algo que se encontra desactualizado em uma ou duas gerações.

    Mais interessante, embora de natureza completamente distinta, seria assistir a um regresso de métodos como a auto-redução (autoreduction), em voga durante os anos 70 em Itália, em que os membros de uma comunidade se organizam tendo em vista a redução do preço de um determinado serviço ou produto.

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