The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Outras Coisas

Dentro da política, onde tanta coisa correu mal, economicamente, politicamente, à democracia, apareceu uma nova identidade pública, a da Geração à Rasca, cujo nascimento foi registado em directo, no YouTube, a meio de um concerto dos Deolinda, no entusiasmo em crescendo da plateia a perceber que podia haver ali mais do que simples ironia. Já havia jovens mal pagos e estágios não remunerados há anos (décadas), mas só ali houve uma consciência pública de um problema generalizado que não era (nunca foi) um mal de crescimento ou um ritual de passagem a caminho de um emprego. Discutiu-se o assunto na rua, na TV e no parlamento, e a coisa acabaria por ser desvalorizada e re-ironizada – por causa da situação, do governo, da crise. Afinal era o país inteiro que andava à Rasca.

A Time costuma escolher uma pessoa do ano, que às vezes é realmente uma personalidade, outras vezes é um conceito mais geral. Este ano foi o “Protester” (que nem sei como traduzir sem dar a sensação que os 99% ou a Primavera Árabe foram feitos por pastores anglicanos). Numa democracia, o processo político mais importante não é a eleição – como se tem feito querer com o recurso crescente a argumentos totós ( “votaram em nós, agora calem-se”) – mas o debate político, a discussão, onde a apresentação de novos argumentos e novas identidades é essencial. Nos média nacionais, mas não só, o debate limita-se em grande medida a desvalorizar algumas identidades – o professor, o sindicalista, o artista – e a promover argumentos sem lhes opor alternativas sérias – austeridade, fim dos direitos adquiridos – tornando-os assim em inevitabilidades.

Foi essa a marca da discussão pública durante 2011: a engenharia da inevitabilidade – uma tendência à qual a cultura de estado não esteve alheia, com a associação de artistas e arquitectos às barragens por exemplo, recompensando efetivamente a oposição entre cultura e ecologia. Foi o ano em que o arquitecto recém-premiado e o “pato bravo” se começaram a confundir, na sua indiferença a tudo o que não sejam os seus próprios interesses ou os da sua disciplina.

Filed under: Design

2 Responses

  1. João Paulo diz:

    É “regisTAdo” (sem R), “ideia” (sem acento), “totÓs” (só um acento), media (em itálico e sem acento)

    😉

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