The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Pinguins Tropicais

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Já era bastante óbvio que a “Canção Emigrante” de Passos & Cia não era só uma gafe solta, mas uma estratégia, provavelmente inspirada na usada pela Irlanda para resolver o problema do desemprego eliminando pura e simplesmente os desempregados.

Mas a capa do The Economist da semana de 19 a 25 de Novembro acrescenta mais pistas, com uma ilustração ao estilo de Douanier Rousseau mostrando um bando de pinguins empreendedores, de smartphone, laptop e briefcase, a chegarem de icebergue a uma selva onde olhos curiosos, talvez ameaçadores, os observam das sombras.

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Lo Fi

Ainda a propósito do “Escândalo da Canção Emigrante”, o governo foi suavizando a conversa – sem a mudar, contudo–, gabando as vantagens de emigrar, de conhecer coisas novas – uma espécie de inter-rail ou Erasmus, no fundo.
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Férias e viagens

De férias e com menos acesso à net, portanto menos posts nos próximos dias.

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Até a sinceridade é uma treta

Tem-se dedicado demasiada atenção a tentar perceber se Passos – ou antes dele Sócrates – mente quando a pergunta deveria ser outra: se vale sequer a pena distinguir entre verdade e mentira, entre políticas acertadas ou desastrosas, se as duas são usadas apenas como meio para um fim, fazer boa figura perante o eleitorado lá fora.

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“Fui à Espanha. À vinda para cá fiquei assustada.”

Atingimos um nível, neste país, que já não é possível contar uma piada sem que ela corra o risco de ser ultrapassada pela realidade nem quinze dias depois. A propósito da barragem a ser construída no Tua por Souto Moura e que Francisco José Viegas se propõe “pigmentar” como camuflagem para diminuir o seu impacto na paisagem protegida do Parque do Douro Internacional, escrevia eu:

“Imagino que convide um artista da nossa praça para a pigmentação, talvez um Cabrita Reis ou um José Pedro Croft que empilhem também umas lages de mármore, representativas da região (geólogos, se estão a ler isto, é uma piada, parem de gemer). E a intervenção não pode parar aí: convida-se um ensemble de música noise para disfarçar os estampidos da dinamite e um grupo de artes performativas vestido de amarelo para realizar um peça baseada nos movimentos rítmicos dos catrapilas. Podia-se fazer um festival de música alternativa chamado Milhões de Betões.”

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O Texas

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Quando era muito novito, ainda na nesguinha final da década de 1970, os meus pais mudaram-se de Lisboa para Vila Real de Trás-os-Montes, uma coisa que para mim foi traumática.

Da cidade branquinha com semáforos, metro, eléctricos e autocarros de dois andares, do quarto andar em Alcântara com vista para o rio de onde se podia ver sem grande esforço submarinos e fragatas enfunadas a passar por baixo da grande ponte vermelha cujos pilares ficavam quase ao fundo da rua, disto tudo saímos para um apartamentozito numa rua estreita separada por um muro tosco de pedregulhos de um prado seco onde vagueavam umas tantas vacas de grandes traseiros recobertos de crostas castanhas, estaladas, sempre com um bando de varejas a orbitar (desde essa altura que encaro as vacas dos desenhos animados como seres ainda mais mitológicos que um unicórnio). Mais ao fundo, dominando o horizonte, a silhueta em forma de tarte da Serra do Marão.

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Senso Comum

Já ouvi (e li) gente a desculpar a política de incentivo à emigração cada vez mais evidente deste Governo, argumentando que é apenas senso comum: qualquer pessoa confrontada com uma falta persistente de emprego, de condições económicas, políticas e sociais, acabaria por chegar à mesma conclusão. Se um amigo nosso estivesse na mesma situação, dar-lhe-íamos o mesmo conselho, e não estaríamos a fazer-lhe um mau serviço – apenas a dar voz ao tal senso comum.

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Déficit Cultural

Num texto anterior tinha argumentado que a cultura de um país funciona como uma monumentalização das suas relações sociais e políticas, com o objetivo de demonstrar que a maneira como as artes se organizam profissionalmente acaba por ser uma maneira bastante eficaz de monumentalizar uma sociedade desigual e precária.
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Primeiro post no iPad

So para testar. Ainda nao consegui encontrar os acentos. Mas de resto nada mau.

Update: Já consigo pôr os acentos mas o dashboard do WordPress não carrega as ferramentas (estou a escrever o update no MacBook).

Update: A experimentar a app para o WordPress. Ainda um pouco perro, mas de resto parece-me que funciona.

Update: Escrevi os três últimos textos usando o iPad. Ao contrário do que me tinham dito, o teclado virtual é bastante manejável, embora nos limites da ergonomia, mais por causa do apoio nos pulsos do que pelo tamanho, que é suficiente. A app do WordPress é um bocado escanzelada, com poucas funcionalidades, mas mais do que suficiente para escrever em andamento. O maior problema para já tem sido o dicionário que corrige tudo para português do Brasil. Não me parece que seja o aparelho ideal para escrever uma tese, mas para escrever em andamento, ou como computador de emergência enquanto o outro está de baixa (bateria) serve perfeitamente. Agora só falta experimentar como funciona ligado a um projector.

Update: Entretanto já resolvi o problema do dicionário: ingenuamente tinha escolhido o Português quando devia ter escolhido o Português (de Portugal). Pelos vistos para a Apple o verdadeiro português é o do Brasil. E se calhar até já é verdade, com os cortes anunciados no ensino do português no estrangeiro (e nem pergunto como isso se coordena com o tal incentivo dos professores desempregados à emigração).

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Para acabar de vez com as artes, cultura e o resto

Depois de ler uns tantos textos a defender ainda mais cortes na cultura, começa a não dar muita vontade de lhes responder, porque isso implica sempre um déficit pessoal, pensar em coisas nas quais não foi – muito obviamente – empregue grande pensamento.

São quase sempre asneiras mais ou menos genéricas que se podem resumir ao seguinte: porque deverá existir uma cultura se só consegue fazê-lo à custa de subsídios do dinheiro de todos nós? Há várias maneiras de responder a esta treta interessante questão.

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A Nova Canção Emigrante

Com as declarações do Primeiro Ministro a incentivarem à emigração dos professores no desemprego, juntando-se às do outro, que apelava a que os jovens saíssem da sua zona de conforto  e emigrassem – e chamar “zona de conforto” à vida de um jovem licenciado em Portugal demonstra bem o tipo de afirmação a que este executivo já nos habituou –, torna-se cada vez mais evidente que o programa deste governo é, mais do que uma desistência, uma espécie de limpeza étnica, associada a um desmantelar cada vez mais rápido das infra-estruturas públicas, da redução da cultura à camuflagem dessa demolição, etc. É um Governo literalmente vergonhoso, que limita a sua actividade a macaquear ou, se possível, piorar discretamente as decisões estúpidas que nos mandam de uma Europa cada vez mais tresloucada. Alguém lá na Europa diz, Salta, e o Governo só pergunta, De que Ponte.

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Livros antigos

Neste momento, graças à internet e a sites como o eBay ou o Abebooks, não há muita diferença entre comprar um livro antigo ou um livro actual, o que permite perceber como vai mudando o lado concreto de um livro.

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Já faz três anos

Faz três anos por esta altura que a primeira edição do Design em Tempos de Crise foi para a gráfica. Já tinha editado antes, mas nunca um livro só com textos meus. Passei o Natal todo a olhar para os dois primeiros exemplares, sem acreditar muito bem como podia ter aquilo ali, tão bonito, na minha mão.

 

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Só para lembrar

Só para lembrar que a minha próxima conferência na Culturgest será amanhã às seis e meia, e terá como ponto de partida o livro Pioneers of Modern Typography, de Herbert Spencer (Lund Humphries, 1969).

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Sá da Costa

Uma das minhas livrarias de livros antigos em Lisboa é a Sá da Costa, em pleno Chiado pouco antes da Benard e da Brasileira para quem sobe da Fnac. Foi lá  que encontrei a bonita capa reproduzida logo abaixo, protegendo um livro composto por Eric GIll, mas a sua maior atracção são as publicações da própria editora Sá da Costa, como os dois manuais de Ciências da Natureza com capas de Sebastião Rodrigues.

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Brandos Costumes

Notícia de 1920, apanhada no livro de Paulo Pina, Portugal – O Turismo no Século XX. A legenda é “O clima de instabilidade política deixa a população indiferente perante um atentado bombista.”

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Valerian ou a Educação Política

A melhor parte da minha formação política tive-a sem querer, numa idade em que ainda não se pensa nessas coisas mas onde elas deixam, talvez por isso, marcas indeléveis. Tive-a através da banda desenhada e em particular de uma série de ficção científica francesa chamada Valerian, que comecei a ler por volta de 1982. O protagonista era um viajante no tempo, agente de uma civilização futura que não só exercia uma influência discreta sobre toda a história da Terra como procurava alargá-la a outros planetas, nem sempre da forma mais correcta.

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O design e os seus Cépticos

Há, para mim, uma grande similaridade entre aqueles designers que acreditam que o design deve ser protegido por uma ordem e aqueles que acreditam que já não faz sentido sequer existir uma coisa chamada “design”.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design

A Crise da Crítica

Entre as características mais marcantes do design da última década está sem dúvida a proliferação da crítica, da escrita sobre design em geral e da publicação dedicada ao tema. Se há uns trinta anos era perfeitamente possível ir lendo quase tudo o que de melhor e mais marcante se escrevia sobre o assunto, agora a torrente não pára, alimentada por revistas, blogues, catálogos, teses, comunicações, etc.

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Populismo e Populismo Barato

Dantes havia o populismo. Os políticos diziam o que as pessoas queriam ouvir, prometiam tudo e mais alguma coisa e dedicavam-se a gastar carradas de dinheiro pré-eleitoral para serem eleitos.

Depois veio a crise.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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