The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Indústrias (Jornalísticas) Criativas

Ainda em avaliações e com pouco tempo para postar por aqui. Portanto só uns pormenores, irritantes por sinal.

Mais uma vez, os jornais portugueses dedicam-se a ler coisas que se escreve lá por fora sobre nós e a traduzi-las, não exactamente para português, mas para “sensacionalista” ou para “simplesmente falso”. A coisa é visível sempre que Krugman diz qualquer coisa a propósito de Portugal ou da crise Europeia.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Economia, Prontuário da Crise

A anedota

No ambiente actual, até as coisas mais óbvias precisam de ser ditas e reditas, caso contrário habituamo-nos a elas. Portanto aqui vai: os sucessivos governos têm cortado os apoios às artes em grande medida porque estas são vistas como um luxo, uma coisa supérflua. É uma posição populista que não se belisca com a possível contradição de se continuar a apoiar as grandes instituições, a arte de grande escala, o empreendedorismo, tudo em geral luxuoso.* O que fica pelo caminho é a raia miúda das artes, que se auto-financia com empregos no ensino, nas grandes instituições, etc. A arte de pequena escala não desaparece mas continua a ser produzida a custo zero, em condições cada vez mais precárias e desautorizadas.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Design, Economia, Política, Prontuário da Crise

Inovação Pimba

Já o tinha dito por aqui umas tantas vezes, mas o que assusta nesta versão portuguesa da crise é o apagamento de umas tantas décadas de cultura, com gerações inteiras a voltarem ao mesmo tipo de negócios que os seus bisavôs e trisavôs: tascas, mercearias, artesanato, bibelôs, tudo adjectivado de “urbano”,  tudo com uma fina camada de design, com uma exposição de qualquer coisa pendurada a um canto, uma inauguração ou um djset de quando em quando. São o negócio e a cultura possíveis mas também uma espécie de desistência.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Arquitectura, Arte, Ética, Crítica, Cultura, Design, Economia, Estágios, Política, Prontuário da Crise

Sal+Azar, Sol+Azar

E ainda mais outro do Paulo de Cantos, o décimo quinto da minha colecção, um livro duplo que pode ser lido nos dois sentidos, para a esquerda e para a direita, o que assume aqui um significado político e jocoso, de bem e de mal, um cisne e uma cobra, as sete virtudes capitais e os sete “picados” capitalistas, a propósito da figura de Salazar que teria sido seu colega de carteira na escola. Mais um com dedicatória manuscrita do autor,* datada de 13 de Janeiro de 1975:

“Ao ilustre prof. Dr. Fco. Couto dos Santos, apolítico distintíssimo a quem se podem confiar algumas alfinetadas e elogios (aquelas envenenadas e estes extremamente adocicados) para que propositadamente pareçam compensarem-se e anularem-se respectivamente umas às outras… anulando-se mutuamente!”

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Design, História, Política, Publicações

Mais valia estarem quietos

E lá morreram três infelizes numa derrocada na construção da tal barragem,  juntando-se uma desgraça humana a um desastre ambiental e a uma parvoeira cultural. Confesso que pensava que a coisa estivesse parada, considerando as críticas ao projecto, às quais não houve resposta por parte do governo ou da edp para além daquele velho argumento – vamos chamar-lhe caridosamente isso – do “temos obrigações contratuais e se a obra não for para a frente temos de pagar indemnizações, portanto mais vale construirmos a coisa mesmo que não sirva para nada, e pode ser que na Unesco  vejam o património sob o prisma da contabilidade: subtrai-se uma paisagem, soma-se um arquitecto famoso, pigmenta-se  a diferença e fica tudo na boa, mesmo que aquilo nem sirva para produzir energia a custos acessíveis.”

Ainda há quem diga que o que falta em Portugal é iniciativa ou descaramento – sabendo que é praticamente impossível parar uma iniciativa asneira uma vez começada e que esta será remediada com outras tantas, por sua vez imparáveis, se calhar o problema até é outro.

Update: E como lembra o Nuno Oliveira via Facebook: ‘Da última vez que ali morreram 3 pessoas fecharam o que lá estava por “falta de segurança”.’

Filed under: Política, Prontuário da Crise

Roteirinho Alfacinha, 1947

Quando a senhora dos Correios começou a procurar a encomenda no meio dos envelopes, estive para dizer que de certeza não estava ali – era um livro, devia ser maior, mas afinal era esta  coisita minúscula: um roteirinho assinado apenas com as iniciais P.C. mas perfeitamente identificável como sendo do Paulo de Cantos, pela típica lista de obras da contracapa, aqui muito abreviada, pelo tom e pelo acróstico da palavra Lisboa.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Design

A economia da imagem

Não consegui fotos, mas este fim-de-semana reparei numa tendência curiosa dos mupis do Metro de Lisboa: um regresso em força da ilustração à publicidade, em particular na propaganda a medicamentos: um grande nariz quase abstracto com lettering no interior, o interior de um autocarro apinhado de gente de narizes vermelhos e uma rapariga com ar meio envergonhado a anunciar pensos de nicotina, tudo desenhado com um estilo a lembra a ilustração dos anos sessenta. Num ambiente onde se tornou habitual ver grandes superfícies de pele e os labiozitos espetados de modelos e actores, a mudança é refrescante, mas calculo que tenha a ver também com os orçamentos pagando a um ilustrador poupa-se no modelo, no fotógrafo, no tratamento da imagem, etc.

Filed under: Design

O Modo Funcionário de Viver

O título vem de um poema de O’Neill que vale a pena ser lido, por exemplo aqui, a história autobiográfica de dois amantes separados por uma ditadura à portuguesa, que é como quem diz de baixa intensidade, burocrática. Prefere resolver as coisas de mansinho, em privado, em reuniões à porta fechada.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: censura, Crítica, Cultura, Política, Prontuário da Crise, , ,

Entusiasmo e mais nada

Tenho reparado que no design como em outras áreas há um culto da iniciativa entusiasmada, do voluntarismo, de saltar para as coisas sem pensar demasiado nelas, do descaramento. Talvez o melhor exemplo disso, a mascote da coisa, seja aquele rapaz, uma espécie de Marco Horácio dobrado pelo Fernando Rocha, que foi ao Prós e Contras falar de “bater punho com sagacidade”, da quantidade de designers sem emprego e do que aconteceria se os empresários tirassem vinte minutos por semana para falar olhos nos olhos com os jovens – no caso do design, ainda há quem chame a isso “aulas”.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Economia, Ensino, Política, Prontuário da Crise

Governo dos Negócios Estrangeiros

20120124-121703.jpg

Um dos livros ao qual vou sempre voltando ao longo dos anos chama-se The Aran Islands, de John Millington Synge, um dramaturgo da viragem para o século XX que, como muitos outros irlandeses nacionalistas da época, foi a este arquipélago aprender o Gaélico, num dos poucos sítios onde ainda era falado.
Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Política, Prontuário da Crise

Designer, cura-te a ti mesmo

O design está a ter um papel importante nesta crise, quanto mais não seja pelas constantes referências à grande quantidade de designers que há em Portugal, uma boa parte dos quais desempregados ou a trabalhar em outras coisas, porque não encontram emprego na sua área ou então porque acham o design profissional uma área limitada de mais.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Política, Prontuário da Crise

Fine Young Anibals

A meio do trabalho de fim de semestre e com dois textos de longa duração a correrem em paralelo, não tenho tido muito tempo para escrever para aqui. E confesso que a situação política, não tendo mudado que não seja para pior, também não estimula:

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Prontuário da Crise

Alternativas

20120121-112702.jpg

Fringe é uma das minhas séries de televisão favoritas. Começou por parecer uma coisa arraçada dos X-Files, um caso diferente cada semana, sobrenatural, paranormal, mutante, viagem no tempo, etc. Interessou-me pelas grandes letras geradas por computador a pairar misteriosamente no meio das paisagens e edifícios. Com o tempo, os casos isolados foram-se condensando na ideia de uma guerra fria entre universos paralelos – um muito parecido com o nosso, outro com dirigíveis, uma Estátua da Liberdade acobreada e um World Trade Center intacto.
Leia o resto deste artigo »

Filed under: Design

La Cantatrice Chauve, 1964

Apanhei finalmente o livro mais conhecido de Massin no eBay francês. Trinta e um euros e meio, incluindo portes, por uma primeira edição desta colaboração com Ionesco e Henry Cohen. É mais bonito ao vivo do que nas imagens – excepto talvez as reproduções a preto com reflexos prateados na Typographica 11. Faz um bom par com a sua colaboração com Raymond Queneau.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Publicações, , ,

Mortos Vivos

Há uns meses, alguém andava a apregoar esta fotografia no eBay por uma quantia exorbitante porque supostamente provava que o actor Nicolas Cage é um vampiro. Na altura, lembrei-me desta outra que também parece provar que o nosso Passos pode muito bem ser um vampiro – reparem no homem a discursar de pé com os papéis na mão.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Política, Prontuário da Crise, ,

Pressão

A ler exames, a escrever outras coisas e a preparar a conferência de Sábado, vai ser difícil postar, mas nunca se sabe.

Filed under: Notícias Breves

As sombras dos piigs

Vi esta imagem há umas semanas aqui. Fica na Suíça e, segundo se diz, o escultor acrescentou o contorno do porco porque não ficou satisfeito com o pagamento – uma boa fábula para a relação entre economia e cultura durante esta crise.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Economia, Prontuário da Crise

A Mancha Misteriosa

Olhem com atenção: poderia ser apenas uma nódoa de gordura na borda das páginas de um livro usado, se não fosse também o vestígio arqueológico de uma antiga tentativa, falhada, de dar cabo da própria ideia de livro usado.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: censura, Crítica, Cultura, Design, História, Publicações

Animais Iguais

Não é muito difícil ver uma tendência em tudo aquilo que aconteceu na vida pública portuguesa esta semana – nomeações suspeitas e mal explicadas de gente ligada ao governo para uma empresa pública privatizada, autarcas que devem um monte de dinheiro a uma empresa pública são nomeados para a administração dessa empresa, ex-ministros que promovem a carreira artística dos seus filhos de modo pouco claro, sociedades secretas, etc. Qualquer que seja o nome que lhes damos, clientelismo, caciquismo, amiguismo, nepotismo, são situações em que alguém se aproveita das suas relações privadas, pessoais, para de algum modo se favorecer a si mesmo e aos seus à custa do interesse público.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Ética, Crítica, Cultura, Design, Política, Prontuário da Crise

Tudo (a versão de bolso)

Quando me perguntam que livro levaria para uma ilha deserta, costumo escolher a edição portuguesa da Sociedade do Espectáculo, de Guy Debord, com uma capa convenientemente espelhada que talvez me ajudasse a sinalizar a minha presença a aviões ou navios. Para uma estadia mais prolongada, escolheria este Almanaque Lello de 1933, com uma pequena régua e uma tábua de multiplicação incluídas na capa e não me espantaria se o seu peso não correspondesse também a alguma medida do sistema métrica – umas tantas páginas uns tantos decigramas. Apesar de todos os programas de televisão sobre sobrevivência em ambientes hostis, que assinalam talvez um obsessão contemporânea pela escassez, um medo de perder irremediavelmente a nossa bolha envolvente de tecnologia e sociedade, a verdade é que há apenas cem anos as nossas ambições e obsessões nessa área da possível subsistência em ilhas desertas eram mais estranhas e extremas: na Ilha Misteriosa, de Verne, alguns prisioneiros naufragados num balão com pouco mais do que a roupa que tinham no corpo, no dia seguinte já tinham ideias de reconstruir ali mesmo a civilização, com fábricas, forjas e casas. Nessa tarefa, só contavam com a sua cultura geral, mas não tenho dúvidas que o Almanaque Lello os ajudaria, um livro-ferramenta que era também um registo de factos, dicas, mapas da terra e do céu, criminologia, agricultura, filosofia, política, etc.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Publicações

Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
Maus Empregos
Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
Conformismo
Juventude em Marcha
A Eterna Juventude
Indústrias Familiares
Papá, De Onde Vêm os Designers?
Geração Espontânea
O Parlamento das Cantigas
Soluções...

História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média

Comentários

Comentários fora de tópico, violentos, incompreensíveis ou insultuosos serão sumariamente apagados.

Arquivos

Categorias