The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Bom Nome do País

Na noite de Ano Novo, houve quem tivesse celebrado a ocasião colando pequenos logotipos de instituições e empresas sobre os mapas das carruagens do metropolitano de Lisboa: a estação do Terreiro do Paço, com entradas a dar para o Ministério das Finanças, passava a ser a do FMI, outras assumiam o nome de empresas como a EDP, o BIC ou a ZON.

Pela foto, percebe-se perfeitamente que esta privatização simbólica se limita a comentar a privatização bem real da estação da Baixa-Chiado, que desde há uns meses se chama “Baixa-Chiado PT Bluestation”, sujeitando diariamente os passageiros a acções quotidianas de marketing com um grau de oleosidade inédito, chegando ao ponto de se iluminar a parte de baixo das carruagens com um brilho azulado a fazer lembrar a fatiota do Automan.

As acções de guerrilha semiológica não se ficariam por aqui e entretanto, no Porto, alguém já tinha mudado o nome do Largo de Mompilher para “Largo Eng. José Sócrates / (Mentiroso, Corrupto, Incompetente, Primeiro-Ministro de Portugal 2005-2011)”, usando para isso uma placa em azulejo bastante mais bonita que as oficiais.

Se uma das marcas – consequência e causa – desta crise é a privatização crescente de tudo o que é público, uma das reacções mais curiosas tem sido esta espécie de guerrilha cujo campo de batalha são os sinais que identificam um espaço como sendo público. E se a ironia é a distância estudada entre o que se diz e o que se quer dizer, não se pode acusar esta guerrilha de ironia, antes pelo contrário: numa altura em que vai aumentando a distância entre a interpretação oficial das coisas e as coisas propriamente ditas, estas acções desironizam a realidade, assegurando o direito essencial e saudável (pelo menos numa democracia) de chamar os bois pelos nomes.

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Política, Prontuário da Crise

2 Responses

  1. […] Já faz uns anos que a estação de Metro do Chiado se chama Baixa-Chiado PT Blue Station, e isso até foi alvo de uma campanha de subvertising. Não se pode saber tudo, claro, mas pergunto-me se os jornais ainda terão fact checkers que não […]

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