The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Mais valia estarem quietos

E lá morreram três infelizes numa derrocada na construção da tal barragem,  juntando-se uma desgraça humana a um desastre ambiental e a uma parvoeira cultural. Confesso que pensava que a coisa estivesse parada, considerando as críticas ao projecto, às quais não houve resposta por parte do governo ou da edp para além daquele velho argumento – vamos chamar-lhe caridosamente isso – do “temos obrigações contratuais e se a obra não for para a frente temos de pagar indemnizações, portanto mais vale construirmos a coisa mesmo que não sirva para nada, e pode ser que na Unesco  vejam o património sob o prisma da contabilidade: subtrai-se uma paisagem, soma-se um arquitecto famoso, pigmenta-se  a diferença e fica tudo na boa, mesmo que aquilo nem sirva para produzir energia a custos acessíveis.”

Ainda há quem diga que o que falta em Portugal é iniciativa ou descaramento – sabendo que é praticamente impossível parar uma iniciativa asneira uma vez começada e que esta será remediada com outras tantas, por sua vez imparáveis, se calhar o problema até é outro.

Update: E como lembra o Nuno Oliveira via Facebook: ‘Da última vez que ali morreram 3 pessoas fecharam o que lá estava por “falta de segurança”.’

Filed under: Política, Prontuário da Crise

4 Responses

  1. Alexandre Ferreira diz:

    Não me informei o suficiente para saber se sou contra ou a favor da construção da tal barragem. Não concordo é que se relacione a morte de três trabalhadores com o facto da construção ser, na opinião do autor, uma má opção. Uma coisa nada tem a ver com a outra, são erros completamente independentes.

    • Na verdade não: como assinala o Nuno Oliveira a Linha do Tua foi encerrada devido à falta de segurança, nomeadamente às derrocadas, que teriam provocado pelo menos quatro mortos. Esse encerramento abriu caminho à construção da barragem, cuja necessidade é discutível, cuja implantação na área vem pôr em causa de modo irreversível uma paisagem protegida. Se a segurança foi um argumento para encerrar a linha, seria também mais um argumento para suspender as obras da barragem.

      • Alexandre Ferreira diz:

        Em qualquer construção podem morrer pessoas, consoante as condições de segurança que forem oferecidas.
        As condições de segurança da Linha do Tua poderiam ser melhoradas, se houvesse vontade para isso. É óbvio que o argumento do seu encerramento não convence ninguém. Se falta o corrimão a uma escada, posso dizer que não há segurança para subir e descer os seus degraus, ou posso pôr outro corrimão.
        Se a ideia do “post” era utilizar essa comparação, entre os dois conjuntos de mortes, tenho de concordar que é legítimo relacionar o acidente com a construção da barragem.
        Concluindo, as mortes podiam, muito provavelmente, ser evitadas em ambos os casos, independentemente das vontades políticas estarem certas ou erradas.

  2. […] O mesmo se pode dizer da arte e da cultura em geral, onde a mesma fé no empreendedorismo se traduz em Joanas Vasconcelos e em arte aplicada a barragens. […]

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