The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Conferências na Culturgest

No próximo Sábado, dia 21 de Janeiro, irá decorrer a terceira conferência deste série. O ponto de partida será a revista Contemporânea, editada por José Pacheco entre 1922 e 1926, com as colaborações, nomeadamente, de Almada Negreiros e de Fernando Pessoa. Na época, foi tida como uma possível continuação da Orpheu, embora mais ambiciosa do ponto de vista gráfico, com ilustrações e fotografias organizadas em composições de página mais arriscadas, impressas sobre uma variedade de papéis diferentes.

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O Peso do Estado

“Julgo que não é crime ser militante de um partido”. Foi assim que Pedro Passos Coelho abriu uma declaração  defendendo-se das críticas à súbita e torrencial nomeação de figuras ligadas ao seu partido para os conselhos de administração de empresas recentemente privatizadas, apesar de ter jurado durante os debates eleitorais que iria combater essa tradição. A sua defesa assenta em larga medida no facto destas figuras terem sido (segundo Passos), nomeadas pelo seu próprio mérito e não pelas suas ligações ao governo. Quanto a isso, só poderemos julgar pelos currículos de cada um e pelos resultados que obtiverem à frente dos cargos.

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Tenzé Inbéi-ja

É claro que haveria alguém de dizer em voz alta o que muito boa gente pensa: que o escândalo em torno do salário de Catroga é fruto da inveja. Há uns tempos já tinha dito o que eu pensava desse género de argumentos numa discussão aqui no blogue. Tirando tratar-se de ajustes directos em design e não dos salários de ex-ministros, acho que ainda se aproveita qualquer coisa:

“A inveja é o leitinho com biscoitos do chico-esperto. Quando a vida o trata mal ou alguém lhe descobre o barrete, a confiança de que é tudo inveja aconchega-lhe os cobertores ao queixinho e aquece-lhe o saquinho de água quente aos pés. A única coisa que torna suportável a vida do chico esperto é a ideia de que toda a gente (se fosse inteligente) queria (se pudesse) ser como ele.

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Diletantismo fiscal

Tenho que confessar que o novo portal do governo é um delírio, em especial aquela parte do “Para Onde Vão os Seus Impostos”. Escreve-se o nosso rendimento anual e aparece um gráfico tipo pizza a dizer-nos para onde foram os nossos impostos. Pode-se até clicar em cada fatia, na saúde, por exemplo, para saber mais pormenores. Um único senão: tentar aceder à parte dedicada à cultura num iPad é praticamente impossível – a fatia é tão fina! Não tenho coordenação que chegue.

Mas ainda assim é uma app divertida: imaginem que eu ganhava 45 mil euros mensais, o que é fixe porque podia pagar montes de impostos, ajudar a sociedade, etc. Ganharia então 639 mil euros por ano. Pondo esse valor na maquineta, pode-se ver que eu pagaria cerca de 68.329,8 euros para a Protecçao Social, dos quais 41.100,22 iriam para pagar as reformas dos velhinhos. Dá para 3.425 euros por mês, o que me deixa um bocadito deprimido: nem chega para pagar a reformita de um velhinho que receba 9.600 por mês (mesmo depois de o velhinho descontar os seus impostos). Pá. Bolas. Estou arreliado. Devia ganhar mais.

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Não funciona mas gera emprego

Tenho muita pena que o Governo se dedique a perder a sua credibilidade da maneira do costume, ao estilo dos nossos partidos do eixo governativo – ou seja: arranjando empregos para os seus rapazes e raparigas, calafetando o orçamento com expedientes “criativos”, dizendo uma coisa enquanto se faz o oposto.

Tenho pena, porque todas estas asneiras acabam por beneficiar o partido que as pratica e em particular os seus sucessores – tanto no governo como na oposição – que poderão assim defender-se dizendo que as ideias até eram boas, e assim continuam, as pessoas é que falharam. Já vai sendo essa a desculpa que se vai preparando para o falhanço do austeritarismo europeu – a doutrina é boa, as pessoas é que são fracas. Portanto, mais austeridade.

Dito de outro modo: em termos eleitorais, não interessa se o programa ou a ideologia funciona, desde que se possa dizer que foram mal aplicados.

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Como um peixe

Não é difícil perceber que o mundo da arte mudou drasticamente nos últimos anos, mais do que seria possível descrever num pequeno texto como este. Apareceram as indústrias criativas, cortaram-se apoios públicos, aumentou a quantidade de escolas e de alunos, etc. Mas uma das mudanças mais dramáticas, totais, é talvez a menos comentada, porque parece, neste momento, inevitável.

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I Want to Break Free

Apenas um pensamento rápido antes de voltar ao aspirador e à esfregona: a propósito da nomeação de um bando de gente com ligações ao partido do Governo para o Conselho Geral da EDP, como se pode ficar surpreendido com a total promiscuidade, se o programa claro e aprovado do governo – a sua moral, enfim – tem sido a da privatização do Estado e, sempre que possível, dele próprio? É natural que políticos que acreditam na privatização enquanto ética de Estado não vejam grande diferença entre administrarem os recursos públicos numa bancada da assembleia ou na mesa de um conselho de administração – excepto muito mais dinheiro ao fim do mês e sem outro sobressalto que não seja uma manchetezinha inconsequente sobre o assunto de vez em quando. Se querem menos a privatização dos políticos, seria talvez uma ideia defenderem menos a privatização da política.

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Grandes Obras

Só para dizer: sem muito tempo para actualizações (a escrever para outras coisas, a ler trabalhos e a arrumar a casa, o que no meu caso é sempre uma tarefa de intensa e titânica engenharia, livros por todo o lado, alergia, etc.)

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Decisão em Privado

Segundo o Público, um grupo de anónimos “voltou a colar vários autocolantes com logótipos de empresas e do FMI nos diagramas de rede das carruagens das composições que circulam nas linhas verde, vermelha e amarela do Metro de Lisboa.” Um dos membros, citado no artigo, sublinha que a ideia é “usar o diagrama como forma de protesto contra a parceria da PT na Baixa-Chiado […] O Metro está a vender o espaço público, uma decisão que não foi debatida com os cidadãos e da qual não há nenhuma informação disponível”.

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A Discussão

Um dos últimos This American Life foi dedicado aos Némesis, que é como quem diz aos rivais mais extremos, apaixonados ou obcecados. Ao contrário do que esperava, o programa não foi tão interessante como o costume, mas salvou-se por um momento brilhante durante a curta história de abertura, que falava das consequências de um atentado a tiro numa clínica de aborto americana, no qual morreram várias pessoas.

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A Zona de Conforto

Da confusão toda do Pingo Doce, só posso dizer que ilustra bem a irresponsabilidade que vai na opinião pública portuguesa e em particular na publicidade: alguém que constrói a sua marca à volta do consumo de produtos portugueses, encorajando a compra de uma maçã, por exemplo, não porque seja mais barata ou melhor, mas apenas e patrioticamente porque é portuguesa, muda a sua empresa para a Holanda e ainda fica espantado com a reacção?

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A estética do silêncio

As imagens são pacíficas, quase bucólicas: uma colina de erva quase branca sob o céu cinzento, uma estrada vazia com nuvens negras ao fundo, o pátio de estacionamento de um motel visto da varanda do primeiro andar, uma rua de prédios modernos com um animal de carga e um automóvel muito lá ao fundo, o padrão pintado de faixas, setas brancas, passadeiras no pavimento de uma rua, com sombras de árvores de um dos lados. Em alguns casos, a paisagem é tão familiar que mesmo isolada do acontecimento que a tornou famosa ainda a conseguimos reconhecer – aquele padrão no pavimento é o da praça de Tianamen, foi naquela colina que teria morrido um soldado durante a Guerra Civil Espanhola, sabemos que aquele motel fica em Memphis.

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O Bom Nome do País

Na noite de Ano Novo, houve quem tivesse celebrado a ocasião colando pequenos logotipos de instituições e empresas sobre os mapas das carruagens do metropolitano de Lisboa: a estação do Terreiro do Paço, com entradas a dar para o Ministério das Finanças, passava a ser a do FMI, outras assumiam o nome de empresas como a EDP, o BIC ou a ZON.

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Extinção em Massa

Com a crise, dá a sensação que o design português entrou em hibernação, como aqueles sapos que se enterram, esperando encarquilhados debaixo do deserto pela próxima chuvada, que pode ou não vir a tempo. Continua a ser feito design, continuam a aparecer cartazes, logotipos, livros e flyers, mas com um desespero subjacente, um certo conformismo com um travozito de revolta. Com os cortes na cultura, vai desaparecendo cada vez mais depressa um dos melhores clientes, onde ainda era possível tentar alguma inovação formal; com a mudança da tributação dos recibos verdes, o cantito onde os designers tinham estabelecido o seu habitat vai sendo rapidamente destruído.

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O Rating Perdido dos Incas

Depois dos Zombies, dos Vampiros e dos Hipsters, nesta série de textos dedicados a economias radicalmente diferentes da nossa chegou a vez de falar dos Incas, que administravam um vasto império sem mercados, comércio ou até dinheiro, conseguindo assim uma economia ainda mais comunista que a da Rússia Soviética, embora com características de uma monarquia hereditária: controlada centralmente, fornecendo o estado os serviços e os bens essenciais a cada cidadão, e cobrando os impostos sob a forma de trabalho. O comércio era reservado às trocas com o exterior e era praticado apenas nos entrepostos fronteiriços. Especula-se que nunca desenvolveram dinheiro ou mercados porque a sua economia teria como única função a optimização da exploração e distribuição de recursos agrícolas. Pergunto-me o que diriam os mercados sobre eles.

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Somos Diferentes, Somos Desiguais

Com a crise, das coisas que vão ficando óbvias é o triste estado da sociedade portuguesa, não em termos da vida acima das posses, da dívida, da confiança dos mercados ou da economia, mas do seu desenvolvimento social, humano e público.

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Hipsters Comunistas do Espaço Sideral

Comecei a ler os livros de Iain M. Banks ainda na década de oitenta, com The Wasp Factory, uma coisa verdadeiramente inclassificável sobre os rituais de um jovem assassino em série numa ilha rural. Não era um policial; não era uma história de terror; não era um romance; encaixava na memória imagens duradouras, sobretudo de cada uma das mortes – lembro-me de uma envolvendo uma menina estrangulada com a guita de um papagaio gigante que a arrastou para o mar e de outra, recorrendo a uma velha bomba por detonar, meio enterrada na praia.

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Occidente, 1889

Encontrei esta colecção encadernada da revista Occidente num alfarrabista do Porto. Comprei-a pelas grandes letras douradas da capa, mas o interior, ricamente ilustrado com xilogravura feita com base em fotografia como era costume na época, também tinha algumas surpresas, como uma cobertura exaustiva da Exposição de Paris de 1889, com um poster a duas cores da Torre Eiffel (inaugurada na ocasião) acompanhado de uma curta biografia do próprio engenheiro (acima da notícia de um descarrilamento em Sintra); a notícia do suicídio do escultor Soares dos Reis (“Ha muito tempo doente de uma d’uma doença exquisita, que o lançara ha mezes n’uma enorme mysanthropia que o trazia affastado de todos, da sua familia, dos seus amigos, dos seu collegas, da sua arte, Soares dos Reis pôz termo a todos os seus soffrimentos na manhã do dia 16 do corrente, no Porto,onde residia, mettendo uma bala na cabeça.”); a morte de Ramalho Ortigão; os planos para uma futura ponte entre Lisboa e Almada, muito diferente da actual (na imagem acima).

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Novas Leituras

Terminei há uns dias a leitura do meu primeiro livro de ficção em iPad. Entretanto já vou a meio do terceiro e ando a ler mais dois em pdf (um de ficção e outro sobre economia). Já lia muita coisa no ecrã do computador, portanto não é um choque muito grande. Pelo contrário, o veredicto é muito positivo – se o aspecto físico de um livro não for importante e o preço continuar a ser mais barato, acho que vou passar a consumir a maioria da minha literatura deste modo. Para além do acesso à internet, posso andar com uma pequena biblioteca a tiracolo, o que é sem dúvida uma grande vantagem para quem, como eu, passa o seu tempo entre cidades.
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Novo Mundo, Mundo Novo

Houve uma altura em que praticamente todos os americanos que encontrava me pediam desculpa por terem eleito o segundo presidente Bush pela segunda vez. Não o faziam a mim pessoalmente, claro, mas como representante daquela coisa vaga que é “o resto do mundo.” Mesmo não tendo votado em Bush, tinham vergonha de, colectivamente, democraticamente, serem responsáveis por ele e pelas suas acções.

Pergunto-me se não deveríamos ser nós a pedir-lhes desculpa agora. Por termos eleito Passos, pela austeridade, pelo Banco Central Europeu, pela Merkel, pelo Sarkozy, pela CEE. Por deixarmos que nos buzinem vuvuzelem  estas tretas todas na televisão e nos jornais. E que a discussão mais plural se limite aos blogues, ao facebook, aos cafés, aos canais mais obscuros da Tv Cabo.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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