The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

…mas é um homem tão sério…

Há já algum tempo que Passos & cia. – Cavaco incluído – já caíram abaixo de Sócrates. Digo isto descontando o mais que me é possível a sua ideologia cada vez mais evidente. É um governo feito por gente que derrubou outro governo porque andava a abusar dos portugueses, e que depois tomou medidas que acabariam por ser extremas comparadas com as do seu antecessor. Desculpou-se com o desconhecimento do contexto que era pior do que esperava. Depois dedicou-se a “ir além” das medidas que lhe eram impostas pela Troika, tornando-as progressivamente piores para a população. E agora já começa a sugerir que ninguém o obrigou a tomar estas medidas, que o faz apenas pela sua própria convicção, precisamente na mesma altura em que, internacionalmente, se duvida cada vez mais da sua eficácia. E se dedica regularmente a uma agressividade e a um paternalismo gratuitos, autoritários contra a população que representa.

Mas ouvindo a rádio ou as conversas de autocarro, percebe-se que internamente há sempre quem goste destas medidas, que aprecia o rigor, a seriedade e o corte dos privilégios. Lembro-me em particular de uma mulherzinha a viver do subsídio de desemprego que era contra o subsídio de desemprego. Seria útil fazer em Portugal o mesmo genero de debate que está a ser feito nos Estados Unidos sobre as razões que levam a que sejam os eleitores que dependem mais da ajuda do Estado a votarem em partidos que defendem o seu corte. Por lá, as causas são principalmente falta de informação, com muitos eleitores republicanos a não perceberem que a ajuda que recebem é estatal, mas também uma moral, uma vergonha, de serem dependentes de uma política em que não acreditam. Por aqui, não duvido que as causas sejam semelhantes. O próprio discurso da austeridade moral feito por políticos e economistas acaba por encontrar empatia nas pessoas mais desfavorecidas, que vêem um paralelo imediato entre a sua própria pobreza, as estratégias e hábitos necessárias para a aguentar e aquelas que estão a ser aplicadas colectivamente pelo país. O próprio governo sublinha sempre que possível esta analogia, mas um país não é de todo a de uma família ou sequer de uma empresa – basta pensar que um governo pode emitir moeda, por exemplo.

Enfim, estas medidas têm o apoio dos mais desfavorecidos, são até populares. É um populismo para gente com a auto-estima em baixo, e que até se revê na designação de “piegas”.

Filed under: Política, Prontuário da Crise

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Arquivos

Arquivos

Categorias

%d bloggers like this: