The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Salazar & Sobrinhos

O pior cego é o que não quer ver, que foi treinado para não querer ver, às vezes durante gerações.

Em tempos, li uma história sobre uma colónia Viking na Gronelândia que num inverno particularmente rigoroso, depois do seu gado ter morrido à fome, teriam também morrido porque o peixe não era considerado um alimento digno.

Cá em Portugal acontece a mesma coisa em relação em relação aos direitos do trabalhador – é de mau tom lutar por eles. Não está na moda.

Está na moda pelo contrário ridicularizar a própria ideia de sindicato. Para achincalhar um líder sindical, por exemplo: “Ele diz que é um trabalhador mas não trabalha, vive à grande e à francesa à custa do trabalho dos outros”. Resumindo, o único sindicalista sincero teria um emprego das nove às sete, seis dias por semana. Ou seja, não teria sequer tempo para ser um sindicalista eficaz.

A mesma coisa quando alguém de boas famílias ou com um bom emprego se dedica a ser de esquerda: apanha logo com aquele carimbo da “esquerda caviar”, uma maneira curiosa de dizer que só um trabalhador pobre pode legitimamente associar-se a um trabalhador pobre. É um chavão que serve apenas para menosprezar a colaboração entre classes distintas para atingir um fim comum, direitos do trabalho por exemplo.  A única ajuda entre classes deve-se resumir à esmola, pelos vistos, que dá um empurrãozinho sem mudar grande coisa.

Ou então para desvalorizar uma greve. Se tem muita gente mas não causa transtorno: é bonita, mas não serviu para nada porque não há ideias concretas; se causa transtorno: é uma coisa nociva e perigosa que nunca deveria ser feita e o governo ou os patrões não deveriam ceder a estas táticas.

Tudo isto faz parte de uma praga de preconceitos que invade regularmente a televisão e a opinião impressa e que são levados a sério porque são ditos por Pessoas Muito Sérias. O seu efeito é uma desvalorização total de todas as instituições, ferramentas e métodos que poderiam ser usados legitimamente para uma negociação entre trabalhadores e patrões. Dentro deste esquema, o único trabalhador coerente e digno é o trabalhador caladinho. A única pobreza aceitável é a respeitadora e agradecida.

Filed under: Política, Prontuário da Crise

6 Responses

  1. Ricardo Castro diz:

    Ou ser de direita e levar com o rótulo de capitalista, defensor do Grande Capital, assassino da Saúde, da Educação, privatizador da Coisa Pública, etc., etc., ?

    • E se possível levar com esse rótulo todos os dias à hora do jantar num canal de televisão aberto por parte de um comentador engravatado, tratado pelo jornalista como se fosse um catedrático. O dia em que o capital e as privatizações precisarem de (ainda) mais gente a defendê-las será o mesmo dia em que se classificarão as baratas como uma espécie protegida.

  2. Ricardo Castro diz:

    Percebo a chatice que deve ser, mas não vejo grande problema nisso – quanto muito é problema deles, dos engravatados.

    Não devia haver problema algum em termos canais de informação que assumam claramente a sua orientação política. Já aqui há uns tempos escreveste sobre isso. Pelo menos já sabíamos ao que íamos.

  3. “É um chavão” , será este o motivo de usar o nome de Salazar no titulo ? um chavão para perder tempo a ler a sua cronica ?

  4. a honestidade da sua resposta deixou-me “desarmado” e com boa disposição , darei por aqui umas leituras .

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