The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Medo

Passei no Chiado pouco depois da carga policial, sem saber o que se tinha passado. Ainda vi uma ambulância perto da Sá da Costa, num sítio onde costumam estar motas estacionadas, uma cena que não compreendi, uma mulher com os joelhos dobrados rodeada de polícias ou enfermeiros, com gente a olhar do outro lado. Quando cheguei a casa, pelo facebook vi que um jornalista tinha sido agredido pela polícia nesse sítio, junto às motas. Um pouco mais longe outra jornalista tinha sido também atacada, numa agressão que continuou depois de se ter identificado como jornalista. Num versão mais decente deste país, alguém, se possível um ministro ou pelo menos um secretário de estado qualquer, deveria estar a apresentar a sua demissão neste momento. Seria a única reacção possível: uma demarcação clara deste género de acção. Caso contrário poder-se-ia pensar que foram premeditadas e que a serenidade do país só é mantida através de uma dose suave, homeopática, de medo (de perder o emprego, a casa, a família, a segurança, toda ela).

Filed under: Política, Prontuário da Crise

8 Responses

  1. Parece-me extremamente exagerada a sua sugestão de demissão de um ministro por causa disto. Penso que esta situação é grave mas está a ser esmiuçada ao extremo, calha bem aos reacionários.

    Uma opinião como esta é tão extrema como a violência do acontecimento de ontem.

    • Reacção extrema é agredir jornalistas devidamente identificados no exercício da sua função. Pedir a demissão de um ministro por causa desta acção vergonhosa é muito simplesmente acreditar que existe alguém responsável democraticamente por ela e que sim, a situação deve ser esmiuçada ao extremo precisamente porque é grave.

      • fado alexandrino diz:

        Ninguém estava identificado, não é por se gritar “sou jornalista” que se fica a sê-lo.

      • Ninguém estava identificado, não é por se gritar “sou polícia” que se fica a sê-lo. E por aí adiante. Ou então não.

        Pessoalmente, preferia viver num sítio onde se pergunta (ou se pensa um bocadinho) antes de bater.

  2. janica diz:

    O fascismo disfarçado de austeridade necessária.

  3. diamond dancer diz:

    O que mais me preocupa neste episódio (que mais é um capítulo de uma história que já vai longa), é que tanto alguma imprensa, como as instituições (do comando da PSP ao MAI), vão conseguir “corrigir” a história a seu favor. Por todo o lado se repete, se escreve e se inscreve como verdade que a violência começou da parte dos manifestantes. A manipulação dos factos com o intuito de construir uma memória falsa dos acontecimentos é terrivelmente assustadora. E a passiva assumpção de muito boa gente disso como verdade sem sequer duvidar do que aconteceu ou dar o benefício da dúvida aos manifestantes que testemunharam que se passou o contrário é… no mínimo, inclassificável. Porventura, teremos esquecido tudo o que se passou nos últimos cem anos – de Auschwitz ao Viet Nam? Esta é persistentemente uma sociedade do espectáculo. E é tão triste fazer parte dela que até dói.

  4. […] a polícia de choque entrou em formação ao alto da escadaria. Senti medo pouco depois da carga do Chiado. E hoje, mais uma vez, senti-o. Passei perto da escola da Fontinha por volta das seis, tentei ligar […]

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