The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Externalidades

Esta crise pôs-me a ler sobre economia, numa tentativa de perceber o que a motivou e o que está a ser feito para a combater. Microeconomia e macroeconomia, oferta, procura, custo marginal, produto interno bruto, ciclo de negócios – aprendi lentamente um novo vocabulário e uma nova disciplina.

Também descobri que boa parte do que me preocupa  – a cultura mas também o meio ambiente – vem arrumado num capítulo dedicado ao que os economistas anglófonos chamam Externalidades, custos e benefícios de uma determinada actividade que não podem ser facilmente medidos em dinheiro e que portanto se situam do lado da fora da disciplina, no seu exterior, sendo medidos em termos do seu impacto na sociedade.

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Conferências na Culturgest

No próximo sábado, dia 21, pelas 18h30 terá lugar a última das seis conferências do ciclo que tenho dado na Culturgest de Lisboa, e que teve início em outubro do ano passado. A ideia de partida para cada uma destas conferências foi escolher um objeto, um livro, que permitisse, por sua vez, apontar para outros objetos, outros livros, mas também para exposições, filosofias, políticas, etc. Aqui fica o texto de apresentação da sexta e última:

Em 2003, a revista Dot Dot Dot publicou um curto ensaio da autoria de Mark Owen e David Reinfurt, com o título “Group Theory – A Short Course in Relational Aesthetics”. Ilustrado por retratos coletivos de alguns dos ateliers de design, arte e arquitetura mais marcantes do século XX, propunha-se descobrir nestas fotografias, nas suas poses evidentemente encenadas perante a câmara, indícios de diferentes filosofias criativas, estruturas empresariais ou hierarquias laborais.

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Selado a vácuo

Rick Poynor sobre a mundo cada vez mais hermético da investigação académica em design. Como professor que fez parte de uns tantos “júris dos seus pares” posso garantir que tudo isto poderia ter sido escrito aqui mesmo. Quanto a tentar mudar as coisas e defender uma discurso mais público? A resposta costuma ser “Ah, mas isso não conta para o FCT!!”

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Design e Diáspora

Nos últimos anos é palpável a presença de designers ou ilustradores portugueses um pouco por todo o mundo e em posições de destaque. Em alguns casos, residem lá fora, produzindo o seu trabalho para outros países incluindo – até – Portugal. Susana Carvalho na Holanda, Pedro Cid Proença e João Fazenda em Inglaterra, Vera Sachetti em Milão. Outros vivem em Portugal, mas trabalham para clientes internacionais: João Maio Pinto, por exemplo. Quanto a André da Loba, Cristiana Couceiro e André Carrilho, cujo trabalho também aparece no selecto New York Times (quase português pela quantidade de ilustração nacional que por lá é usada), não sei se vivem por aqui.

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Lançamento de Livro

Não vou poder ir, mas vai ser lançado amanhã um livro sobre o desenho de humor em Portugal no século XX para o qual escrevi um pequeno texto sobre a história do design em Portugal a pedido do João Paulo Cotrim. Ao ler na diagonal o convite, por um momento pensei que a apresentação seria feita pelo José Pacheko, o da Contemporânea, o que seria apropriado embora pouco provável, tendo em conta que está morto.

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Sem Direcção

Só uma ou duas palavras para dizer bem das apresentações de João Faria e de João Fazenda no Plug & Play desta manhã. Por falta de tempo, a maioria dessas palavras serão dedicadas apenas ao segundo João – porque não tomei notas durante a sua conferência e receio que, se deixar a oportunidade passar, acabe por me esquecer de um pormenor que me chamou a atenção: o modo como defendeu que a sua ilustração vive para o contexto em que é feita, as imagens, a tipografia, a fotografia, que compartilham o papel ou o ecrã com ela. É, por natureza, um trabalho colaborativo, de equipe. Não surpreende portanto que Fazenda prefira trabalhar em estruturas editoriais competentes, criticando os directores de arte portugueses que se vão demitindo da sua função, deixando os ilustradores demasiado “à solta”. Nos maus trabalhos de grupo alguém delega tarefas em outro infeliz para não ter que pensar no assunto; nos bons, duas pessoas juntam-se para fazerem bem mais do que conseguiriam fazer sozinhas.

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Plug & Play

Amanhã no Mercado Ferreira Borges (Porto), às 15h15, vou fazer uma pequena apresentação sobre livros e edição, recente e antiga, no âmbito do evento Plug & Play.

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Godard: Images, Sounds, Politics

Ando sempre atrás de livros com design de Richard Hollis, um pioneiro da integração entre imagem e texto, e do ensaio visual em geral. Foi o designer do Ways of Seeing, de John Berger (outro mestre do género). Este foi feito em 1980 e a encadernação do meu é demasiado frágil para poder ser decentemente fotografado ou digitalizado, portanto a imagem vem do site do próprio Hollis, onde há mais spreads e uma pequena memória descritiva:

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Disciplina de Voto

É um conceito que sempre me irritou. Que, com toda a certeza, é um dos factores que mais afasta as pessoas dos políticos e os políticos das pessoas. Se os votos fossem realmente livres, sempre, um partido era apenas uma espécie de etiqueta que marcava uma série de interesses e orientações mais ou menos comuns. Valeria a pena um grupo de cidadãos tentarem convencer uns tantos políticos, não interessa o partido, a apoiarem um projecto. Do modo como as coisas estão, ou se convence o partido do poder – quem o dirige – ou nada feito.
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Novidade nenhuma

Escrito aqui há quase seis meses (e na altura já não era novidade nenhuma):

“O FMI, por exemplo, tem revelado um cepticismo crescente em relação às medidas de austeridade e estava disposto a oferecer ajuda a uma taxa de juro menor. A pressão em contrário veio da União Europeia e BCE. Essa diferença poderia ter sido explorada, mas mesmo agora passa desapercebida, sobretudo nas manifestações, onde o FMI é bem mais atacado que o BCE, não apenas por culpa do José Mário Branco, mas por todo o passado realmente sinistro da instituição. Porém actualmente poderia ser talvez um aliado, daqueles que não se precisa de gostar.”

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Se a austeridade fosse uma coisa de esquerda, já ninguém dava dois tostões por ela

De férias em casa dos papás, oportunidade para pôr a televisão em dia. Veredicto: não vale a pena. As notícias de economia, mal explicadas e os especialistas a descair todos à direita. Austeridade, fim do estado social europeu, redução do peso do Estado, nada disso tem alternativa por aqui.

Portanto quando aparece o FMI a duvidar, o povo goza da indecisão, desconhecendo que o FMI já duvidava na altura da intervenção. Agora, pelos vistos, ainda duvida mais. Assim, enquanto o governo vai desintegrando ou vendendo ao desbarato tudo o que cheire a Estado, vai coçando a cabeça sem perceber porque o desemprego sobe tanto. Porque será? Porque será? Tal como a Irlanda somos um bom aluno, aplicámos a receita à risca – é tão injusto!

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Futebol, Festival e Filmes

Nunca delirei com o futebol. Não o detesto, nem acho que deva ser exterminado. Portugal até exporta alguns profissionais de referência na área e somos conhecidos por isso. Mas o investimento humano, financeiro e emocional que dedicamos ao assunto confunde-me um pouco. A mesma perplexidade que me deixa o festival da canção: adoramos aquilo (mesmo quando disfarçamos a adoração de ironia); somos conhecidos por isso (uma das rábulas do comediante inglês Steve Coogan era um cantor pimba português chamado Tony Ferrino que tinha ganho o festival da canção com uma música chamada Peixe e Marisco); nunca estivemos sequer perto de o ganhar. Fala-se muito de apoiar o mérito e as coisas onde somos bem sucedidos lá fora mas, se isso fosse realmente verdade, apoiava-se mais o cinema português, que é barato e muito premiado, do que o festival ou o futebol – que, apesar de todos os apoios, subsídios, colheres de chá lícitas ou ilícitas, nunca chegam realmente a ganhar grande coisa. Se houvesse uma Liga das Coisas a Que Dedicamos Merecidamente o Nosso Dinheiro, o futebol e o festival já tinham descido de divisão há muito tempo.

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O Som de Pequenos Passinhos

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Vantagens de ter passado a adolescência em Vila Real: a minha mãe ter guardado uma revista onde publiquei uma banda desenhada (sobre Kafka) onde também aparece uma entrevista ao jovem Passos!
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A Mesita de Café

Nos intervalos e nas férias vou lendo a biografia de Luiz Pacheco, que é também um grande retrato das condições precárias em que ainda se produz cultura por aqui – sempre à custa de um segundo emprego ou das ligações de família e poder. Tentar uma terceira via, como Pacheco fez, implica pobreza, miséria e marginalização. Viver da caridade, às vezes à custa de ser o bobo da corte ou o bêbado da aldeia.

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Penrose Annual 1938

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Apanhei finalmente o famoso anuário desenhado por Tschichold em 1938, com textos de Beatrice Warde e Allen Lane, e trabalho de Herbert Matter, Herbert Bayer e Moholy-Nagy, entre muitos outros. Ainda vem com a sobrecapa, que pela fragilidade e carácter informativo, se percebe só servia para proteger e publicitar o livro até que o leitor se decidisse a levá-lo para casa, descartando pelo caminho este utilitário e humilde pedaço de papel, bem diferente das exóticas versões actuais – como defendia o próprio Tschichold.
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Design-Troféu

A melhor prova de quem fica realmente a ganhar com esta crise é o tipo de design (e de arquitectura) que tem ficado a ganhar com esta crise. São sobretudo produtos de luxo: cofres em ouro, interiores de jactos privados, alimentos tradicionalmente pobres – sardinhas, doces, azeite, aguardentes – elevados ao estatuto gourmet pela magia do design. A ostentação tem a sua procura. É promovida e premiada. E depois de premiada pode sempre ser usada para puxar o lustro a uma barragem ou às ambições de um qualquer sheik que insiste em só contratar Pritzkers para construir as suas extravagâncias no deserto. É o designer ou arquitecto reduzido ao estatuto de troféu. A diferença entre esta e outras austeridades acaba por ser o público-alvo do seu design – que não são certamente os mais desfavorecidos. Este design acaba por ser uma contrapartida formal do discurso triunfalista de direita que atribui subsídios e recursos públicos a empresas e amigalhaços enquanto vai denunciando direitos adquiridos e salários mínimos.

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Tradição Oral

No que diz respeito ao design, uma das minhas respostas à crise tem sido um exame do passado do design, uma tentativa de perceber não apenas os seus objectos – velhos livros, revistas, posters e exposições – mas o ambiente onde foram feitos, a política que os motivou, a identidade de quem os fez e de quem os usava. Para isso, habituei-me a ir procurando os próprios livros, cartazes e revistas, que ainda é possível encontrar a preços acessíveis por aí. Verificar o que se dizia ou se escrevia sobre o design é tão importante como conhecer os próprios objectos. Em Portugal, onde sempre se falou bastante mais do que se escreve, e muito pouco das duas coisas é feita em público, a tradição é oral e sempre sujeita a reinterpretações posteriores.

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Genética e Tipografia

Hoje dediquei-me a ler um tratado Vitoriano sobre legibilidade tipográfica com quase 130 anos. Frágil e encadernado a pergaminho, já falava sobre Daltonismo, das suas consequências na segurança ferroviária e como atenuá-las. De como se poderia melhorar a leitura através do tom do papel, da largura da coluna, da forma das letras e da distância entre linhas. Das experiências que Charles Babbage realizou para averiguar quais os algarismos mais legíveis para usar na impressora do seu computador mecânico. De como se acreditava na altura que havia diferenças genéticas entre analfabetos e as classes educadas que afectavam a robustez da sua visão:

“The descendant of many generations of manual labourers is called upon, by the system of education at present nearly universal, for a comparatively far more violent and sustained visual effort than the child of what may be called the literary class, upon whose capacity the standard of attainments is regulated.”

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Ao Norte, onde os pixeis são maiores

Toda a gente sabe – e se não sabe, os suplementos culturais dos jornais esclarecem – que o Porto tem uma cena alternativa mais viçosa que a de Lisboa, etc. Andando entre Lisboa e Porto, é fácil comprovar que não é exactamente verdade.

Na capital também há uma cena alternativa forte, cheia de concertos, publicações e tascas urbanas com exposições de ilustração e design, gente aos magotes a beber litrosas na rua e tudo o resto. A diferença é que está ensanduichada (disfarçada) entre bienais, trienais, museus, conferências e festivais de cinema – apenas uma peça no ecossistema da cidade.

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Aventuras

Ainda sem tempo para escrever para aqui entre artigos e leituras, mas com as férias – ainda que só de nome – fica-me o desejo de ler de uma maneira que não seja utilitária, só pelo prazer. Coisas como estas edições portuguesas do Júlio Verne de cerca de 1880, encontradas por tuta e meia aqui no Porto.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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