The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Poema Futurista?

Descoberto pela Isabel Carvalho num livro de poemas dos anos 70 de E.M. Melo e Castro, As Palavras Só-Lidas:

 

Manifestação

não se pode estancar uma corrente

passam os rios

mas os passos não

dividem-se as águas em diferente

passam os passos

mas os rios não

sobem as águas explosão de gente

passam os rios – passos

uma vontade de seguir em frente

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Filed under: Design

Anti-Heróis

Numa altura do ano em que, por obrigação, me dedico dias a fio à indústria febril da leitura (de papers, de teses, de trabalhos e de mails), encontro algum consolo a ler coisas mais juvenis, lidas e relidas desde o tempo em que era eu a estudar para exames e não a corrigi-los.

É nesta altura que releio os Tintins e o Spirous, o Fantasma ou os velhos Disney Especial, organizados por temas, Coleccionadores, Robôs, Cientistas, recolhendo histórias de todo o bestiário da Disney, e onde era possível reconhecer aqui e ali o estilo inconfundível de Carl Barks, de Floyd Gottfredson, de Al Taliaferro ou de Carpi. Mesmo sem conhecer a assinatura dos autores, escondida debaixo da assinatura-logo do próprio Disney era possível distingui-los facilmente. A diferença entre o traço mais anguloso dos americanos e a elasticidade quase psicadélica dos italianos também era óbvia, em especial em histórias onde, recorrentemente, os heróis abandonavam a cidade dos Patos para irem visitar Roma, Veneza, o Vesúvio ou o Adriático.

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A Arte do Estado já não é o Estado da Arte

As intervenções culturais nas barragens do Douro já foram descritas algures como um “roteiro de arte pública”, designação curiosa pela sua ironia (talvez involuntária): afinal, trata-se de arte paga por uma empresa privatizada, feita numa zona que se arrisca a perder por causa disso o seu estatuto de Património da Humanidade, talvez o grau mais elevado de “interesse público”.

Em outras ocasiões já me queixei da infelicidade da expressão “arte pública”. Num momento em que a exploração predatória do que até há pouco tinha sido público é a ideologia dominante, a designação aplicar-se-ia com mais elegância a iniciativas como a Escola da Fontinha ou às pessoas que ainda insistem em manifestar as suas reivindicações em público, mesmo correndo o risco de serem multadas ou presas por isso. Talvez “Arte Recentemente Privatizada” fosse mais adequado. “Arte da privatização”?

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Retrato do Artista e dos seus Mecenas Enquanto Patos Bravos

Graças a uma pergunta da plateia no final de uma conferência na Universidade do Algarve foi possível conhecer a reacção de Pedro Cabrita Reis às críticas negativas de que foi alvo a sua intervenção na barragem da Bemposta.

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Arcos na Paisagem

Mais William Beckford em 5 de Junho de 1787, há quase 225 anos:

“Aproveitei a ausência do sol para dar um passeio a pé pelo vale de Alcântara, entre laranjais e pomares de cidreiras lavados pelas chuvas que ultimamente têm caído. Através deste vale passa o enorme aqueduto de que tantas vezes tens ouvido falar como sendo o mais colossal edifício do género na Europa. Tem apenas uma linha de arcos em ogiva, e o principal, que abraça uma torrente de águas, mede, aproximadamente, 90 metros de altura. Leia o resto deste artigo »

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O Fantasma

A rua onde vivo no Porto não tem muito que se lhe diga. Começa como um afluente discreto da Costa Cabral, demasiado longe do centro para que alguém vá ali sem  um propósito definido. Quando ainda existia o velho estádio das Antas, era suficientemente perto para que os adeptos lá estacionassem os carros, conseguindo chegar por vezes às filas duplas numa rua que na parte mais larga não deve chegar aos dez metros. Com o novo estádio, só voltou a conhecer animação com as obras do metro, nem tanto porque haja por aqui alguma estação, mas por causa das betoneiras que passavam diariamente e cujo peso fazia ondular os paralelos em cristas altas, que em alguns pontos da rua impediam mesmo os moradores de estacionarem nas suas próprias garagens.

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Aberturas

O designer canadiano Bruce Mau, famoso pelo volume dos seus calhamaços, costumava dizer que uma capa podia ser como uma membrana espessa, penetrando várias páginas pelo livro adentro, no começo e ao fim, numa narrativa quase cinematográfica, quase o genérico de um filme.

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Não se parecem com nada

Todos os anos, nas cadeiras de tipografia que lecciono, um dos trabalhos é a paginação de um livro desde o tratamento de um texto particularmente difícil até à sua capa, onde presto alguma atenção à integração do logo da editora. Não faço questão que os alunos criem um; podem usar o de uma editora conhecida. É costume abundarem os pinguins, um logo elegante que pelo contraste suave do traço combina bem com letras serifadas e designs clássicos mas que, com um pouco de cuidado, também se integra em composições mais arrojadas. Este ano apareceram também muitos logotipos da portuguesa Tinta da China, demonstrando o impacto que esta editora está a ter sobre os alunos de design. Merecidamente.

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Confirmação

No Público de hoje uma boa reportagem sobre o tal empreendorismo. Em resumo: idealmente não quer dizer fazer de um desempregado um empresário a título individual mas, para ajudar a economia e criar emprego, estas empresas devem ser vocacionadas para o mercado externo e ter um grande crescimento nos primeiros anos; este género de empreendorismo iniciado por desempregados tem diminuído e não aumentado com a crise (por causa do acesso ao crédito, por exemplo). Ou seja: não tem havido oportunidades para o tal desemprego como oportunidade de que fala Passos – não que isso seja uma surpresa, mas é sempre bom ver a coisa confirmada mais rigorosamente.

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Loja dos 400

Há quem diga, sem óbvio conhecimento de causa, que este governo não vê com bons olhos as actividades criativas. Até seria verdade, se não fosse aquela coisa altamente criativa da “criação de emprego”. Veja-se por exemplo o programa Estímulo 2012 que se oferece para subsidiar empresas que contratem desempregados inscritos num centro de emprego há mais de seis meses, pagando-lhes metade do salário até um limite máximo de 419,22 euros.

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Passos sobre os Eurobonds (Possível Hino)

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Palavras

A opinião pública alimenta-se de chavões: a Austeridade é um dos mais proeminentes. Numa só palavra, invoca-se poupança, responsabilidade e ascetismo moral. Na prática, tem resultados muito distintos para pessoas distintas.

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Kambaku

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Na minha família só houve uma pessoa cuja vida dava um filme, o meu tio-avô Harry, caçador profissional em África durante os anos 1950s, e mais tarde ligado a parques e conservação da natureza, uma carreira que os meus pais viriam a seguir aqui em Portugal. Era ruivo, entroncado, usava um daqueles bigodinhos finos à Clark Gable e caçou os segundos maiores dentes de elefante de sempre, que tanto quanto sei estão expostos no palácio presidencial de Moçambique. Escreveu em 1980uma biografia que ofereceu ao meu pai e que durante a minha infância cobicei com todas as forças. Hoje encontrei-a à venda aqui no Porto. Para festejar fica aqui um filme amador que demonstra como viveu num sítio a meio caminho entre o Tabu de Miguel Gomes e o Life Aquatic de Wes Anderson.

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“A Saída para a Crise é o Design”

Dentro do quinhão português da crise, o design tem tido um lugar de destaque, sobretudo pela quantidade de designers no mercado, que parece indicar que também há demasiados cursos de design, todos eles a sugarem duma forma ou outra recursos ao Estado, e entupindo ainda mais o país de jovens licenciados, muitos deles desempregados, subempregados ou a estagiar sem ganharem um tostão durante meses ou até anos.

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Liberdade de Pressão

Nos últimos anos, tornou-se comum ver uma livraria carismática fechar, apenas para, uns meses e umas tantas obras depois, reabrir como bar ou restaurante, mantendo algumas das prateleiras originais e meia dúzia de livros na montra, e chamando-se, com ironia cuidadosa, “Livraria”. Às vezes, dá também a sensação que aconteceu o mesmo com a nossa Justiça, que encerrou para obras, reabrindo como outra coisa qualquer, embora mantendo com ironia o nome de “Justiça”.

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Ignorância

Ontem não tive tempo para escrever sobre o assunto, mas mais uma vez, Vasco Pulido Valente exerceu o seu talento para escrever sobre assuntos sobre os quais não percebe a ponta de um corno, neste caso a escolha dos ministros para o novo executivo francês.

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Manifesto para uma Esquerda Livre

“Portugal afunda-se, a Europa divide-se e a Esquerda assiste, atónita.

As raízes desta crise estão no desprezo do que é público, no desperdício de recursos, no desfazer do contrato social, na desregulação dos mercados, na desorientação dos governos, na desunião europeia e na degradação da democracia.

Em Portugal e na Europa, a direita domina os governos, as instituições e boa parte do debate público. A direita concerta-se com facilidade, tem uma agenda ideológica e um programa para aplicar. A direita proclama que o estado social morreu e que os direitos, a que chamam adquiridos, são para abater.

Em Portugal e na Europa, a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência. Esta esquerda, às vezes tão inflexível entre si, acaba por deixar aberto o caminho à ofensiva reacionária em que agora vivemos, e à qual resistimos como podemos. Resistir, contudo, não basta.

É necessário reconstruir uma República Portuguesa digna da palavra República e construir uma União Europeia digna da palavra União.

É preciso propor aos portugueses, como aos outros europeus, um horizonte mais humano de desenvolvimento, um novo caminho para a economia e um novo pacto de justiça social.

É possível fazê-lo. Uma esquerda corajosa deve apresentar alternativas concretas e decisivas para romper com a austeridade e sair da crise, debatidas de forma aberta e em plataformas inovadoras.

A democracia pode vencer a crise. Mas a democracia precisa de nós.

Apelamos a todos aqueles e aquelas que se cansaram de esperar – que não esperem mais.

É a nós todos que cabe construir:

UMA ESQUERDA MAIS LIVRE, com práticas democráticas efetivas, sem dogmas nem cedências sistemáticas à direita, liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa. Uma esquerda de cidadãos dispostos a trabalhar em conjunto para que o país recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária.

UM PORTUGAL MAIS IGUAL, socialmente mais justo, que respeite o direito ao trabalho condigno e combata as injustiças e desigualdades que o tornam insustentável. Um país decidido a superar a crise com uma estratégia de desenvolvimento económico e social, com uma economia que respeite as pessoas e o ambiente, numa democracia mais representativa e mais participada, com um Estado liberto dos interesses particulares que o parasitam.

UMA EUROPA MAIS FRATERNA, à altura dos ideais que a fundaram, transformada pelos seus cidadãos numa verdadeira democracia. Uma Europa apoiada na solidariedade e na coesão dos países que a formam. Uma Europa que ambicione um alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental. Uma União que faça do pleno emprego um objetivo central da sua política económica, que dê um presente digno aos seus cidadãos e um futuro promissor às suas gerações jovens.

Assinam este manifesto, entre muitos outros: Alexandra Lucas Coelho (jornalista), Alfredo Barroso (ensaísta, comentador), Ana Benavente (professora universitária), Ana Gomes (diplomata, eurodeputada), André Barata (professor universitário), António Mega Ferreira (escritor), Carlos Nô (artista plástico), Daniel Oliveira (jornalista), Fernando Vendrell (realizador), Francisco Belard (jornalista), Hélder Costa (dramaturgo e encenador), Ivan Nunes (doutorando em estudos de cinema), Jorge Bateira (economista), José Reis (economista), José Vítor Malheiros (consultor), Manuel Frias Martins (professor universitário), Mário de Carvalho (escritor), Miguel Real (escritor, ensaísta), Miguel Vale de Almeida (antropólogo, professor universitário), Nuno Artur Silva (autor, produtor), Olga Pombo (professora universitária), Paula Gil (precária), Raquel Freire (cineasta), Rui Cardoso Martins (escritor), Rui Tavares (historiador, eurodeputado) e Rui Zink (escritor).”

Também já assinei aqui.

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Ajuda Internacional

Hoje, a ver a RTP informação numa televisão sem som, aparece-me o Paulo Portas, com uma legenda do género: Ministro dos Negócios Estrangeiros apela a ajudas internacionais para ajudar população carenciada (não tomei nota portanto é apenas uma citação aproximada). Pensei: lá está o homem a dedicar-se ao assistencialismo internacional, provavelmente a pensar nas próximas eleições, mas pode ser que alguém que precise ainda tire algum alívio disto e que lá fora comecem a ver como a coisa está realmente mal. Só nessa altura é que reparei na legenda principal: “Situação na Síria”,

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Democracia de Treta

Se há coisa que incomoda na política portuguesa é a maneira arrogante com que se vai dizendo tretas atrás de tretas, sem qualquer tipo de relação com a realidade. Este fim-de-semana, por exemplo, vi o excelente documentário “Pare, Escute, Olhe” sobre o fecho da linha do Tua e o seu impacto na população da zona. A dada altura, um deputado ironizava que quando a linha tinha sido fechada não tinha visto ninguém a protestar. A imagem seguinte mostra a imagem de arquivo de um grupo numeroso de pessoas a protestarem esse fecho.

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Uneeded Conversations

Esta semana vai ter lugar a edição deste ano das Uneeded Conversations, alternando entre o auditório da Fbaup (à tarde) e o palco do Cinema/Bar Passos Manuel (à noite). O evento é organizado pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (i2ADS), do qual faço parte. Cada um dos dias deste ciclo de conversas e conferências vai ser dedicado a um tema. Na próxima sexta, dia 18, o tema vai ser a edição, organizado pela Sofia Gonçalves e por mim, e contará com os seguintes convidados: Pedro Cid Proença (Estante e Circular), Miguel Wandschneider (Culturgest), Joana & Mariana, e Phil Baber (Cannon Magazine). Em paralelo, decorrerá uma Feira de Publicação Independente.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
Maus Empregos
Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
Conformismo
Juventude em Marcha
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Indústrias Familiares
Papá, De Onde Vêm os Designers?
Geração Espontânea
O Parlamento das Cantigas
Soluções...

História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média

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