The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Não se parecem com nada

Todos os anos, nas cadeiras de tipografia que lecciono, um dos trabalhos é a paginação de um livro desde o tratamento de um texto particularmente difícil até à sua capa, onde presto alguma atenção à integração do logo da editora. Não faço questão que os alunos criem um; podem usar o de uma editora conhecida. É costume abundarem os pinguins, um logo elegante que pelo contraste suave do traço combina bem com letras serifadas e designs clássicos mas que, com um pouco de cuidado, também se integra em composições mais arrojadas. Este ano apareceram também muitos logotipos da portuguesa Tinta da China, demonstrando o impacto que esta editora está a ter sobre os alunos de design. Merecidamente.

Confesso que comecei por estranhar as opções formais da editora. Gostava da abstracção colorida e geométrica de algumas das ilustrações, mas depois havia sempre qualquer coisa de tosco e enviesado no lettering que me punha de pé atrás, sem perceber muito bem porquê. Ou então era o lettering que era fantástico, mas qualquer coisa na ilustração me desinclinava. Porém, apesar de tudo, ia comprando estes livros pela capa, porque me intrigavam. Com o tempo, comecei a perceber que o faziam porque de um modo muito bem sucedido, não se pareciam com mais nada. Não tentavam parecer a Penguin. Nem o Tschichold,o Rand ou o Lustig. E faziam-no de maneira conseguida e elegante. Tinham (e têm) uma coerência à qual acabei por reconhecer como essencial aquela sensação de desequilíbrio que tanto me intrigava.

Filed under: Crítica, Cultura, Design

2 Responses

  1. Duarte diz:

    Na minha opinião a estranheza que o Mário assinala explica-se com o facto da pessoa que faz este trabalho na Tinta da China não vir da área do design gráfico. A própria considera-o como um elemento distintivo do seu trabalho, no sentido de uma abordagem fora do “cânone”.
    Sigo desde o início o trabalho desta editora com muita atenção e desta forma quando as duas fundadoras da editora foram entrevistadas para o canal Q, no ano passado, no “Há literatura” do Pedro Vieira e levaram toda a equipa, incluindo a responsável pelo design gráfico dei por bem empregue o meu tempo.
    Este exemplo é curioso, na medida em são os próprios alunos a “validar” a qualidade do trabalho da editora. Como leitor habitual do ressabiator sei que o Mário já escreveu sobre o tema da ordem várias vezes, manifestando-se contra. Gostava de saber a sua opinião sobre se o design deverá ser praticado apenas por pessoas com formação na área, ou se poderá ser extensivo a pessoas com formação em outras áreas, como Historia da Arte no caso da designer da Tinta da China.

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