The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Consolos

20120622-174120.jpg

A terminar as avaliações, e sem grande tempo para escrever para aqui mais do que umas linhas. O chorrilho de disparates que constitui boa parte da opinião pública portuguesa nos dias que correm quase nem merece resposta.

No ginásio, por exemplo, ouvi a Ministra da Justiça tentar convencer uma jornalista que fechar uns tantos tribunais vai trazer o que ela chama “justiça de proximidade” e “quando as pessoas interiorizarem o novo mapa” vão perceber. O tom é de um sketch dos Malucos do Riso, com o Carlos Cunha vestido com uma meia na cabeça a convencer o caixa de um banco que na verdade não o está a assaltar: “Ó, ó, eu é que lhe estou a fazer um favor.”

Calculo que nas escolas seja a mesma coisa. Obrigar os alunos a deslocarem-se para mais longe pode ser um incentivo à mobilidade, e criar turmas sobrelotadas vai acabar com o isolamento e a alienação dos alunos. Quanto mais colegas, mais experiências.

Do lado da economia e da política, não é muito melhor, José Manuel Fernandes dedica-se com tom pesaroso a desbobinar os chavões do costume. A coluna de hoje é uma espécie de “best of”: a economia de um país é como a de uma casa, quem não quer austeridade é a favor do endividamento irresponsável, a crise deve-se ao deficit, não se pode pedir à Alemanha para pagar a nossa irresponsabilidade, etc. É a lógica da batata de uma ponta à outra.

O meu consolo acabam por ser os livros. Arranjei as duas primeiras edições de “O Libertino Passeia Por Braga a Idolátrica o seu Esplendor”. A primeira, um livro riquinho, parece um trabalho de escola de paginação, todas as páginas impressas a duas cores, preto e vermelho. Segundo o alfarrabista, foi coordenado pelo Vítor Silva Tavares. A segunda, com um ar bem mais baratucho. Papel quase de embrulho, impresso numa não-serifada com tinta verde que Pacheco deve ter usado por estar em saldo. Na capa, o X de Explendor tem dois rabiscos que o rasuram num S. Contra o realismo possidónio* dos tempos que correm, o surrealismo pelintra de Pacheco acaba por ser um dos melhores antídotos.

* Segundo o Priberam: possidónio s. m. [Depreciativo] Político sertanejo que só vê a salvação do país no corte profundo e incondicional de todas as despesas públicas.

Filed under: Design

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Arquivos

Arquivos

Categorias

%d bloggers like this: