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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Que Interessa o Design?

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É o que me ocorreu quando li a notícia sobre a cadeira do Cavaco. A iniciativa é bem intencionada: emparelha-se designers com personalidades públicas e o resultado é uma cadeira, cujo leilão reverte para a causa dos refugiados. Promove-se o design e empregos no sector do móvel. Toda a gente fica a ganhar.

Mas a pergunta que serve de título a este texto não é retórica. É uma pergunta que importa mesmo responder. Calculo que o editor do Público a tenha feito quando decidiu dedicar a primeira página à iniciativa. A resposta – inesperadamente – diz muito sobre o design nos tempos que correm.

Consiste em primeiro lugar numa fotografia de primeira página acompanhada da frase “A Cadeira Era Para Cavaco, Mas Foi a Primeira Dama Que Se Sentou”, uma daquelas legendas que mal precisam de fotografia, com a imagem apenas a confirmar o bom humor do momento que as palavras já davam a entender. O design, mesmo austero, modernista, quase que humaniza o seu cliente.

O resto da resposta é um pequeno artigo, muito factual, na parte direita da página 25, onde, para além de se referir com brevidade que os materiais são nacionais e que uma das influências foram as cadeiras de Charles Eames, se enumeram longamente os designers e cada uma das personalidades (Souto Moura, Cristiano Ronaldo, Manoel de Oliveira, Luciano Benneton), justificando porque não são todas elas portuguesas.

O que fica de design é, como de costume nesta coisa de jornal, muito pouco, apenas uma palavra que serve de pretexto para associar o design a coisas importantes, que neste caso são pessoas. Poder-se-ia dizer que é o resultado de uma cultura da celebridade, do indivíduo, mas penso que seria mais correcto acrescentar que essa cultura do indivíduo conhecido acompanha uma descrença geral nas instituições.

Ou seja, já houve uma altura em que se valorizou um design feito institucionalmente para instituições, fossem empresas, escolas ou ideias, como o povo, o público, o poder. Agora fazem-se cadeiras para o Cavaco.

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Filed under: Cliente, Crítica, Cultura, Design, Política, Prontuário da Crise

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