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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Origens da Crise Portuguesa: Bibliografia Concisa

Para referência futura ficam aqui três programas de televisão mais um livro que, no seu conjunto, explicam bastante bem qual é o problema mais grave de Portugal. Em primeiro lugar, o programa Negócios da Semana, um debate que explica de modo bastante fundamentado como o parlamento e o governo se tornaram num centro de negócios, ou melhor de um negócio, que consiste em extrair rendas das classes baixa e média através do pagamento pelo uso de recursos públicos privatizados (electricidade, água, gás, estradas, saude, etc.) e da cobrança de impostos (que servem principalmente para pagar juros da dívida pública à banca e para indemnizar as empresas que gerem os tais recursos públicos privatizados se o lucro estiver abaixo do previsto). De como não é o Banco de Portugal que regula os bancos privados mas os bancos privados que regulam o Banco de Portugal. De como a legislação sobre um determinado sector é feita por gente que tem um interesse directo nele. Enfim, não dá para resumir. É ver e rever.

E, por falar em conflitos de interesse, fica aqui a Grande Reportagem “Profissão Ex-Ministro”, onde se entrevista uma série de ex-ministros, em geral responsáveis por uma privatização qualquer, que acabam no conselho de administração da empresa privada que ajudaram a favorecer enquanto ministros. E não, ninguém acha estranho e é tudo legal.

Finalmente, o documentário Donos de Portugal, que mostra como a economia portuguesa pertence desde há uma centena e tal de anos à mesma meia-dúzia de famílias. No primeiro vídeo, o do Negócios da Semana, descreve-se Portugal como um sistema feudal no qual a população é obrigada a pagar renda aos grandes interesses, no fundo a esta aristocracia. Também se diz a dada altura que isso é feito sob a capa do Socialismo. É optimismo: foi feito também sob a capa da Social Democracia, do Salazarismo e das Primeiras Repúblicas.

Finalmente, fica aqui o livro Why Nations Fail, que explica como a economia não chega para explicar como algumas nações prosperam e outras se arruinam. Para uma prosperidade sustentada, é preciso um Estado organizado democraticamente que impeça que elites se dediquem a enriquecer à custa do bem estar da maioria. Para que isso aconteça são necessárias instituições que assegurem que o poder é o mais distribuído possível pela maioria e não apenas por alguns. Estes é o modelo de Estado a que os autores chamam inclusivo. Os outros são os Estados extractivos, onde uma pequena elite suga os recursos e os dividendos do trabalho da maioria da população, uma situação que tende a eternizar-se produzindo instituições que a protegem e incentivam.

Filed under: Economia, Política, Prontuário da Crise

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