The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Hipocrisia no Estado Sólido

Hoje, no Público, uma boa reflexão de António Pinto Ribeiro sobre o luxo e a luxúria (ainda sem link aberto), que me parece muito atempada. Da minha parte, incomoda-me um discurso que apela à austeridade e às virtudes da pobreza, enquanto se associa ao luxo e à exclusividade – a austeridade como trocar menos de carro, etc. Há qualquer de fundamentalmente errado e injusto quando se fala de pobreza e empobrecimento nas primeiras páginas dos primeiros cadernos e se promove o luxo nas revistas das mesmas publicações. Demasiadas vezes, chega-se mesmo à ironia de fundir pobreza e luxo num mesmo objecto: vendendo símbolos da pobreza forrados a ouro, sardinhas gourmê, panelas montadas em forma de sapato de salto alto, etc. É uma mentira que se objectificou – hipocrisia no estado sólido.

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E a coisa continua…

E Loff respondeu a Ramos no Público de hoje (30.8). Ainda não há link aberto, mas não é muito diferente do que eu já tinha dito por aqui. É significativo que, mais uma vez, Loff dispute apenas ideias, enquanto o outro lado se dedica a atacar reputações.

Update: Já há link.

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O Outro Debate do Outro Século (e quem o venceu)

Que pelos vistos, acabou. Com Loff descredibilizado e Ramos vitorioso. Pedro Rolo Duarte a pedir desculpa. E José Manuel Fernandes magnânimo. Nem interessa muito que a “cordata” resposta de Ramos não o seja de todo, nem cordata, nem resposta. Não responde sequer às afirmações que Loff realmente fez (às que não fez, deu uma resposta esplêndida).

Subtilezas, que se perdem numa discussão feita a golpes de marreta.

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O Debate do Debate do Século (e quem o está a vencer)

O debate da arquitectura portuguesa anda interessante, embora fique a sensação que os formatos onde aparece e os tópicos propostos não se ajustam de todo ao que se quer mesmo discutir – que é a política e a economia (sem grande surpresa, dados os tempos que correm).

Em Veneza, por exemplo, um daqueles temas vagos e vagamente esperançosos, típicos da bienal típica, Common Ground, foi interpretado pela comissária portuguesa, Inês Lobo, para falar sobre Lisboa, em três temas, também eles bastante “bienais”: Lisboa Baixa, Lisboa Rio e Lisboa Conexões (parecem nomes de bares ou hósteis). O resultado, inesperado, segundo a própria comissária (citada no Público de ontem), foi que “nas várias mesas-redondas, dois momentos surgiram como essenciais para esta reflexão: a reconstrução da Baixa pelo marquês de Pombal depois do terramoto de 1755; e a reconstrução do Chiado por Álvaro Siza depois do incêndio de 1988.”

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Televisão

Sempre que venho ao Algarve nos últimos anos tenho lido os grandes ensaios de David Foster Wallace, que prefiro à sua ficção. Há dois anos li o grande artigo (tanto na extensão como na qualidade) sobre David Lynch, escrito durante a rodagem do Lost Highway, e o seu igualmente grande artigo sobre o equivalente aos Óscares da indústria porno americana.

Agora, ando a ler o seu ensaio sobre televisão (E Unibus Pluram) – o que é atempado por causa de toda a discussão sobre a privatização do serviço público de televisão em Portugal. A tese de Wallace não parece ter muito interesse directo neste debate: ele defende que muita da ficção americana vê a realidade através do filtro da televisão; que a própria televisão vê a realidade através desse filtro; que é assim que se constroem as narrativas, as identidades, etc.

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Diz que foi de férias (como é possível)

Do ponto de vista dos aparelhos, têm sido umas férias acidentadas. Um disco externo avariado, com um mau contacto na entrada USB, cujo conteúdo só foi possível salvar empoleirando-o delicadamente contra a impressora de modo a que não desligasse o tempo que levou a ir comprar outro e fazer um duplicado dos ficheiros (quase doze horas). Pouco depois, copo de vinho entornado sobre um teclado (não o meu), que obriga a partilhar o único portátil que sobrou, fazendo o trabalho descarrilar dos seus horários e acumular.

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Moderação Moderada (com Update)

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1. Hoje, com o Expresso, saiu o capítulo dedicado a Salazar da história de Portugal organizada por Rui Ramos. Só não li a parte dedicada ao império colonial, porque não inclui ainda a guerra, que deve sair no próximo fascículo. Posso assim ter uma opinião mais rigorosa da polémica que opõe Manuel Loff e Rui Ramos.

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Rapazes À Solta

Ocorreu-me que, um dia destes (ridículos como estes dias têm sido), os boys ainda hão-de ser o último vestígio da democracia representativa em Portugal. (Eu sei. Mas tenham paciência. Sigam o meu raciocínio.)

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Privações e Privatizações

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Diga-se o que se disser, este governo até tem jeitinho para o design. Junta forma e função tão irremediavelmente como uma revista cor-de-rosa acasala famosos a torto e a direito. Por exemplo: neste momento, até os anúncios de privatização são privatizados. Não é um ministro que anuncia a privatização total da televisão mas uma entidade privada, António Borges, ente privado profissional por excelência, ministro privado encarregue das privatizações.

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Arraial! Arraial! Pelo Povo de Portugal, por Paulo de Cantos

É dos meus favoritos do Paulo de Cantos, pelas cores, que parecem pintadas à mão, pelas texturas dos papéis, pelo delírio geométrico da tipografia, pela variedade de temas, dicas, provérbios e até músicas. O tema central é Portugal representado por um mapa-logotipo usado ao longo do livro. Leia o resto deste artigo »

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Histórias de Faca e Alguidar

Ainda rola a polémica entre Manuel Loff e Rui Ramos. Só para recapitular: o Expresso está a publicar uma história de Portugal coordenada por Rui Ramos; em resposta, Loff escreveu no Público dois comentários críticos (aqui e aqui) acusando-o de branquear ideologicamente a ditadura de Salazar; à esquerda e à direita chovem insultos a cada um dos historiadores; Ramos escreve uma resposta no Público rebatendo as acusações que lhe foram feitas.

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Pioneiros do Desenho Moderno

Por falar em Ulisseia, aqui fica um dos livros mais carismáticos da Pelikan traduzido, realmente traduzido, para português, como se pode ver pelo título – porque na altura o design, quando aparecia de todo, ainda levava umas valentes aspas, que tinham tanto de carimbo de importação como de ironia. Algum tempo depois, haveriam outras traduções do livro (um pouco menos traduzidas).

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Vestidas para a Guerra

Quando vi as primeiras fotos das Pussy Riot, com as suas máscaras coloridas de lã, lembrei-me logo da origem do termo “Balaclava”, relativamente pouco usado em português mas comum na língua inglesa para designar um gorro que pode ser usado como máscara, para proteger a identificação (é bastante popular entre soldados, polícias ou terroristas) ou simplesmente do frio (também é conhecido como máscara de esqui). Leia o resto deste artigo »

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Adagios / Maxims, Paulo de Cantos

Desde que o António Gomes me tinha mostrado um durante as Jornadas Cantianas que andava atrás dele. Por razões óbvias: a árvore de linguagens na capa, impressa a três cores (cliquem para ampliar); a leitura dupla, de cima para baixo e de baixo para cima, etc. Paulo de Cantos no seu melhor.

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Quem queima livros…

Aproveito aqui a deixa deste artigo do Montag que, a propósito do Farenheit 451, lembra os tempos em que se queimavam livros em Portugal. Em particular uma história contada por Vítor Silva Tavares* a propósito de como a própria editora queimou quase toda a tiragem do livro Crítica de Circunstância de Luiz Pacheco, por receio de que fosse apreendida pela PIDE, acabando por se salvarem apenas os que foram realmente apreendidos.

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Democracia e Design

Há muito boa gente por aí que acredita que a participação democrática se deve limitar a ir pôr, de vez em quando, o papelito na urna. Fora isso pode-se entrar para um partido ou um movimento cívico, mas em geral deve-se delegar a democracia nas instituições, no Governo, no Presidente e no Parlamento, que a exercem por nós. Se o fazem bem ou mal, podemos avaliá-lo nas eleições seguintes, votando talvez no outro grande partido. É especulação da minha parte, claro, mas faz sentido que os defensores deste modelo de participação democrática defendam também um modelo em que dois grandes partidos concorrem entre si (onde não há muito por onde escolher, não há necessidade de tomar grandes decisões. E tem-se, como é evidente, a vantagem da estabilidade).

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Mudar de Carro

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Para muita gente, a crise resume-se a ir menos ao restaurante e a adiar a mudança de carro, preferindo um modelo mais barato que o costume quando chega a ocasião. Um bom exemplo da tendência é José Manuel Fernandes:

“Para muitos cidadãos do Sul da Europa, não é fácil aceitar esta realidade depois de tantos anos de ilusão. Trocar o Audi ou o BMW por um utilitário, vender a casa de fim-de-semana, fazer férias mais económicas, desistir da assinatura de um canal Premium de televisão, tudo surge como uma intolerável austeridade. Um caminhar para trás.”
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1943

No seguimento do artigo anterior, mais outro objecto de design com leituras políticas óbvias, não apenas por se tratar de uma publicação do Estado Novo, mas por ter sido editada em 1943, o último ano em que houve um saldo positivo da balança comercial, uma “boa notícia” entretanto desmontada numa série de artigos no Público, elucidando o que significa realmente isso em termos económicos, e documentando a miséria terceiro-mundista que se vivia na época, apenas parcialmente mitigada pelas iniciativas assistencialistas do regime.

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Da Liberdade de Imprensa, 1971

Não sei muito do conteúdo do livro, mas a sua data, antes do 25 de Abril, em pleno consulado de Marcello Caetano, torna-o um objecto curioso, mais ainda pelo design de Sebastião Rodrigues, que levou à letra o título, transformando-o em liberdade tipográfica. Leia o resto deste artigo »

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Padrão Marmoreado

É o livro mais antigo da minha biblioteca, de finais do século XVIII. Não o comprei certamente pelo assunto – “os gloriosos mártires de Chellas” – mas pela capa, um padrão marmoreado feito à mão, muito semelhante aos usados numa das páginas mais famosas do Tristram Shandy, de Sterne, à qual dediquei parte da minha primeira conferência na Culturgest vai fazer um ano.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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