The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Outro Debate do Outro Século (e quem o venceu)

Que pelos vistos, acabou. Com Loff descredibilizado e Ramos vitorioso. Pedro Rolo Duarte a pedir desculpa. E José Manuel Fernandes magnânimo. Nem interessa muito que a “cordata” resposta de Ramos não o seja de todo, nem cordata, nem resposta. Não responde sequer às afirmações que Loff realmente fez (às que não fez, deu uma resposta esplêndida).

Subtilezas, que se perdem numa discussão feita a golpes de marreta.

No fundo, tratou-se de distorcer o ponto de vista do antagonista até ao limite do razoável, e de atirar reputações contra reputações, enquanto se roça o mais levemente possível nos factos. Começou por se discutir uma história que ninguém tinha lido; depois uma crítica a essa história que também não foi realmente lida, porque ninguém tinha lido a história; depois uma réplica que foi lida sem se ter tido o cuidado de ler outra vez os textos ao qual respondia; finalmente, a própria história que naturalmente não suporta as calúnias que não tinham sido feitas.

Quanto a isso, o único remédio é ler com atenção a História de Ramos, a resposta de Loff e a resposta de Ramos.

Mais uma vez (se é que vale a pena repeti-lo): Ramos não nega a existência da ditadura, da censura, da violência colonial (nem Loff o acusa disso), apenas as relativiza, dando a ideia de Salazar e das suas táticas como moderadas. Diz, por exemplo: “Por comparação com outros regimes contemporâneos, como a ditaduras comunista da Rússia ou a ditadura nazi na Alemanha, não é possível negar que o Estado Novo foi ‘moderado’: não recorreu à pena de morte, os assassinatos foram muito raros e os presos políticos foram sempre poucos.” – uma nuance que é eticamente irresponsável: que interessa apurar se a ditadura A é mais moderada que a ditadura B? É a mesma coisa que discutir se a pena de morte é aceitável ou não; quando se é contra, é-se contra e pronto.

(Também não nega a tortura da Pide, por exemplo, mas declara que é “necessário notar, no entanto, que as outras polícias usavam os mesmos métodos violentos” – quais polícias? Nacionais, estrangeiras?)

Update: E Loff respondeu a Ramos no Público de hoje (30.8). Ainda não há link aberto, mas não é muito diferente do que eu já tinha dito por aqui. É significativo que, mais uma vez, Loff dispute ideias, enquanto o outro lado se dedica a disputar reputações.

Update: Já há link.

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