The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Grandes Sorrisos

A conta deu cerca de 18 euros e por reflexo agarro no cartão para pagar. O caixa informa-me que a política da casa a partir de dia 1 de Setembro é só aceitar pagamentos por multibanco acima de 20 euros.

Já sabia e já tinha levantado dinheiro, só para o caso. E, já agora, podia-me passar uma factura? Não é que precise, mas já que me fazem perder tempo, é uma maneira de também vos fazer perder algum. E espero que também vos obrigue a pagar um pouco mais de impostos, seja onde for.

Enquanto tira a factura (processo tradicionalmente lento; as seis pessoas atrás de mim agitam-se), o caixa diz-me que compreende, que as coisas estão difíceis e que  ou se corta nas promoções ou nos funcionários. Concordo com tudo isso, digo, excepto num ponto: cortando um pouco no lucro, se calhar nem era preciso cortar nas promoções ou funcionários.

Não faço ideia se deram instruções aos funcionários para terem este discurso. Dado o volume de lata em circulação para essas bandas, parece provável: “Sim, sabemos que estamos a obrigá-lo a perder o dobro do tempo, duas filas pelo preço de uma, mas espero que compreenda: ou pagámos a taxa aos bancos, ou cobramo-la a si, ou despedimos alguém. Temos que ser uns para os outros.” A sério?

Cara administração do Pingo Doce: Sou funcionário público e dou aulas. Segundo o Governo, a culpa da crise é minha, especialmente minha, portanto tenho que pagar mais impostos do que toda a gente. Todos os dias cada jornal ou telejornal português paga a meia dúzia de engravatados para me chamarem “gordura do estado” e dizerem que é preciso “cortarem-me” a mim ou ao meu salário. E ainda se espera que cumpra o meu dever de cara alegre e sorridente.

Querem a minha empatia? Comecem por não gozar comigo; não me façam perder tempo; paguem os vossos impostos; aumentem os salários dos vossos funcionários – ficava mesmo feliz se um dia na secção dos legumes houvesse um grande cartaz, igualzinho aos que anunciam uma promoção de saladas, a anunciar que tinham aumentado todos os funcionários. Até podia ter um funcionário com um sorriso forçado (era só mudar o slogan).

E, não, também não gosto dos bancos e dos seus cartões. Porquê? Porque até podia nem os usar, mas dava tantas complicações que nem sequer vale a pena enumerar. Se quiser viver com um mínimo de conforto, sou obrigado a usá-los. Tal e qual como sou obrigado a aturar este governo. Tal e qual como sou obrigado a aturar as duas ou três cadeias de supermercados dominantes, e sobretudo o Pingo Doce.

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Filed under: Crítica, Cultura, Economia, Não é bem design, mas..., Política, Prontuário da Crise

4 Responses

  1. Miguel Jorge diz:

    adoro a ideia da factura

  2. Catarina diz:

    Óptima ideia, a da factura!

  3. Prezado diz:

    Desta vez tenho feito como se prometem naqueles posts a quente do facebook: deixei de ir lá. Mesmo.

  4. Por acaso ainda não me tinha lembrado disso mas pedir fatura é uma boa resposta.

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