The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ainda mais alguma pachorra

Rui Ramos responde no Público, desta vez a Fernando Rosas. Insiste que o acusam de ser fascista (Loff não o fez; Rosas não o fez; pode-se verificar facilmente isso lendo os textos de cada um). Estive tentado a deixar de ler aí mesmo. No resto do texto, percebem-se imprecisões várias:

1.

Ramos: “Sobre a questão principal — o uso da falsificação e da mentira no ataque que me foi dirigido — Fernando Rosas não diz uma palavra. Alude apenas ao ‘estilo assertivo’ do caluniador.”

Rosas: “No meu entender, foi precisamente isso que, à sua maneira e no seu estilo assertivo, mas onde não vislumbro nada de insultuoso ou pessoalmente difamatório para o criticado, julgo que Manuel Loff pretendeu fazer.” (sublinhado meu).

Pelo menos seis palavras.

2.

Ramos: “Para Fernando Rosas, tachar alguém de fascista ‘cínico’ e ‘sinistro’ não é ‘pessoalmente insultuoso’. Para mim, é.”

Ainda mais uma vez: tanto Loff como Rosas não o tacharam de fascista. Nos textos de Loff, encontra-se estes dois termos nesta passagem: “O Expresso decidiu oferecer gratuitamente aos seus leitores a História de Portugal em 9 fascículos, coordenada por Rui Ramos (RR). Nela, apresenta-se-nos uma ficção sinistra e intelectualmente cínica sobre a ditadura salazarista[…]” Para quem se queixa de ser citado fora do contexto, é uma metodologia curiosa.

(E, pessoalmente, acho que um historiador que defende a história como revisionismo abre o flanco a que considerem o que ele escreve ficção. Se tivesse dito que defendia a história como crítica ou como polémica, ainda se safava, mas não provocava tanto. E, está claro, provocou.)

3.

Ramos tem um momento de “A-ha! Apanhei-te”: “Pelo seu lado, Fernando Rosas, que me acusa de dizer mal da república, diz ele próprio, no artigo de ontem, que a ‘I República’ foi ‘não-democrática’, ‘perseguidora’, etc. E eu pergunto: porque é que Fernando Rosas pode dizer isso, sem correr o risco de, por contraste, ‘branquear’ o Estado Novo?” Acrescentando que o próprio Rosas já tinha sido acusado de “branquear” o Salazarismo por Álvaro Cunhal.

Porque pode Rosas fazê-lo e Ramos não? Podem os dois! Podem os dois! Nem Loff nem Rosas o proíbem de fazer o que quer que seja; apenas criticaram, querendo com isto dizer que apresentaram uma contra-opinião argumentada. No caso de Loff, acrescente-se que os artigos não pretendiam ser uma censura mas um comentário acompanhando a publicação dos fascículos.

(Só para lembrar: a crítica soma o seu discurso aos que pretende criticar, aumentando a esfera pública; a censura apaga o discurso que pretende censurar, diminuindo a esfera pública.)

Isto se Ramos se está a referir à liberdade de expressão. Se fala da possibilidade de escrever sem ser criticado, só respondo com três nomes: José Manuel Fernandes, Maria Filomena Mónica e António Barreto (e uma busca na net ainda encontraria mais).

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Filed under: censura, Crítica, Cultura, História, Política, , ,

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