The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Futilidades

Soube através do Facebook que o Zé Cardoso está a fazer uma greve da fome em Santa Catarina. Soube do que o levou a isso pelo P3. O cabeçalho engana e o artigo confirma-o: não faz greve por um emprego para ele, mas por uma sociedade onde seja possível ter um emprego. Onde seja possível ser pago pelo trabalho que se faz.

O Zé foi meu aluno nas Belas Artes. É um bom ilustrador, um bom designer e um bom artista – há uns tempos atrás dei o Salão Cóboi como uma das poucas coisas que ainda me estimulava pelo Porto. Quem disser que ele só não tem emprego porque não tem iniciativa, não o conhece de todo. É dos criadores mais incansáveis que já vi. Mas isso, nos tempos que correm, não chega. Não dá para trabalhar quase de graça e, ainda por cima, estar a financiar com esse trabalho as políticas deste governo e as margens de lucros das grandes empresas. Não dá. São bocas demasiado grandes.

Haverá gente que diz que é uma futilidade. Que é só um designer que tirou um curso inútil a culpar outras pessoas pelas suas más decisões. Mas não consigo imaginar o Zé a fazer outra coisa. Um país que não lhe consegue dar valor – e quero com isso dizer dinheiro ou sustento – não o merece, nem a tantos como ele. Se não consegue dar valor ao seu acto de protesto – levando-o muito simplesmente a sério –, é porque acreditar na possibilidade de uma democracia em Portugal (de um governo que reparta as vantagens e os sacrifícios a cada um e de acordo com as suas possibilidades) é que é fútil.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Política, Prontuário da Crise

68 Responses

  1. Alexandre Ferreira diz:

    Desculpem se tenho a minha opinião pessoal em relação a isto, a qual parece não ir de encontro à da maioria. Mas no artigo publicado no P3, diz-se que o designer e ilustrador pretende levar a greve de fome até falar com o primeiro-ministro, não sabemos exactamente para dizer o quê. Mais à frente, podemos ler que a mesma greve de fome terminará quando receber uma resposta positiva a uma qualquer candidatura de emprego. Fica a dúvida: serve isto para chamar a atenção para a situação nacional ou para o seu próprio umbigo? Não passará isto tudo de uma acção publicitária para promover a sua própria pessoa? Para termos compaixão por ele? O que eu digo, muito sinceramente, é que o importante é estarmos todos presentes na manifestação de dia 15, a lutar pelo nosso país e por todos nós!

      • Alexandre Ferreira diz:

        Pelo menos, este senhor pede algo específico e não se perde em deambulações. Qual é o objectivo concreto da greve de fome? Primeiro afirma que luta pelo estado das coisas em Portugal e depois diz que pára a greve mal arranje um emprego. Não há comparação possível. Critico a forma e não o meio.

      • A este senhor bastaria pedir o emprego. Uma alma menos caridosa diria que tudo o resto são deambulações, arbitrariamente centradas no número 3. Não há contradição nenhuma entre pedir melhores condições para o país e para nós mesmos. É até o oposto do que este governo nos sugere que façamos: melhores condições para o país e piores para nós mesmos.

        E como publicidade parece-me bem mais concreta que a que vejo nos jornais e na tv, que nos oferece piadas sobre a crise ou slogans absurdos.

      • Pedro diz:

        Caro Alexandre, é com respostas como a sua que isto está no que está. Se fosse um jovem Alemão em greve de fome aposto que apoiava, tinha “onda”, como é um português ( sim porque temos esse hábito triste de criticar sem perceber o fundo da questão) já está mal feito.
        Espero que seja um incentivo ao resto da malta que está parada, só levantando o cuzinho é que conseguimos alguma coisa….

    • Zé Crokes diz:

      Caro Alexandre, você está na dúvida, ele já tomou uma opção. O importante não o é o que ele pode alcançar com isto. O importante é que ele definiu a sua posição de protesto de acordo com ideias e valores que todos achamos universais mas que nesta altura estão a ser esmagados.

      Até pode parecer de “plástico” esta iniciativa. Mas eu acredito no que ele está fazer. Só o facto de o fazer pensar a si, e a outros que não acreditam que isto possa acontecer, nestas questões já é uma vitória.

      De facto conheço muitos “trintões” desempregados que moram na casa dos pais. Uns acomodam-se a essa situação, queixando-se daquilo que não podem mudar, mas pouco fazem pelo que podem mudar. Outros, como o Zé, que procuram uma verdadeira INDEPENDÊNCIA, batem com a cabeça na parede pois tentam e tentam mas não conseguem. E acredite que quem quer verdadeiramente ser independente dos pais tem que ter um trabalho digno. E com digno quero dizer o suficiente para pagar a casa e as suas contas e tentar sobre(viver). Isso é impossível hoje dia para grande parte dos jovens. Quem não perceber isto, é porque não sabe ou não quer saber.

    • Julinho D. diz:

      Gosto…gostei….e não esclareceram o que se passou afinal depois disto tudo…continua solidamente empregue, ou haverá mais greve de fome para breve?

  2. Alexandre Ferreira diz:

    Se calhar, o facto de não se poder ter opiniões contrárias às da maioria, nem ser possível ter uma discussão séria, é que este país está no que está. A minha opinião é o que eu vejo e a sua, caro Pedro, nada fez para mudar a forma como o faço.

  3. Alexandre Ferreira diz:

    Caro professor, se o seu antigo aluno arranjar emprego hoje ou amanhã, veremos as consequências desta greve de fome que acaba às 19h.

    • Nem preciso de esperar. Se tiver um emprego, haverá pelo menos uma consequência: terá um emprego. Para os comentadores e basbaques será uma greve completamente incompreensível na medida em que funcionou.

    • (Se é para proveito próprio é interesseira; se não é para proveito próprio é paternalista; se tem objectivos vagos, é porque é inútil; se tem objectivos definidos, é porque é organizada (pelo PCP, BE, etc.); se é uma pessoa, não tem força; se são muitas pessoas, nunca se hão-de entender; se fosse por outra coisa qualquer; se fosse a meio da semana; se fosse ao Domingo; se as pessoas se mexessem; se as pessoas não protestassem por tudo e por nada; …)

      • Alexandre Ferreira diz:

        Sinceramente, esgotaram-se os meus argumentos, já disse tudo. Tem razão neste último comentário mas não foi essa a mensagem que quis passar. Relativamente ao cerne da questão, continuo com a mesma opinião, a minha opinião.
        Cumprimentos.

      • Zé Crokes diz:

        Caro Mário, talvez queira recorrer a algum manual de “argumentário” e procurar o termo “Falsa Dicotomia”. Talvez perceba que definir a preto e branco uma questão complexa não é só ingenuidade mas também desonestidade intelectual.

        Sim porque se não é boi é vaca … deve ser difícil viver uma vida a duas cores não deve ? Os erros que se podem cometer são infinitos … no entanto, deve ser excitante.

      • Zé Crokes diz:

        Já agora, estou a ser sarcástico em relação à opinião que critica.

      • Hélder Mota diz:

        Nem mais professor!
        Participei de forma muito indirecta no 4º Capítulo do projecto ± PORTUGAL 1143-2012 ±. O que ouvi, durante os protestos, é que era financiado e organizado pelo BE.
        Não estou a comentar directamente o tema mas a conclusão é a mesma. Toda a gente se queixa mas poucos tentam fazer algo para despertar a consciência das pessoas, e, pior ainda, ninguém se informa antes de opinar.
        Se o Zé sonha com um emprego, após realizar um curso da Universidade do Porto, é mais do que legítimo.
        Apenas não faço greve de fome porque a minha saúde não mo permite. A minha greve de fome será separar-me dos meus entes queridos e saír deste país repleto de revolucionários de café.
        Organizem uma manif durante um jogo da selecção e vejam quantos aparecem.
        Organizem uma coincidente com o horário “nobre” e vejam quantos aparecem.
        Organizem uma que implica fazer 20 km e vejam quantos aperecem, etc, etc..

        Para concluír, há trabalho, e muito. Não há é respeito pelos trabalhadores. Fazem-se uns estágios com que o patrão gasta 200 ou 300€ por mês, a troco de mão de obra qualificada, que traz um grande retorno. Motiva-se as pessoas a trabalharem por conta própria, com a bela ilusão de que é patrão, que trabalha para si..
        Em vez de acusar de protagonismo juntassem-se a ele. Assim partilhavam o tempo de antena e tornavam a causa mais forte.

        Parabéns Zé!

  4. Se ele está a passar uma mensagem política ao mesmo tempo que tenta a auto-promoção, qual o problema? Se um dos objectivos dele é exactamente arranjar emprego/trabalho, esta auto-promoção poderá faze-lo, embora honestamente acho que degride um pouco a imagem dele, ao colocar-se no lugar de “coitado” em vez de revolucionário. É, no entanto, uma abordagem diferente, e caso resulte foi bem sucedido, e espero que resulte.

    Afinal de contas o que interessa é que as coisas resultem, e embora seja muito “lindo” dizer que se devia mudar o panorama geral, é completamente inviável uma pessoa individual o fazer, por isso deverá focar os seus esforços em tentar remediar/melhorar a sua situação.

    Se me encontrasse numa situação semelhante faria algo com impacto alto também, para melhorar as minhas hipóteses de contratação.

    Boa sorte para o Zé, e que ele sirva de inspiração para a restante geração.

    • Sérgio Catumba diz:

      A greve de fome não é uma posição de coitado. Como não é a do suicida de Atenas. É de desespero (mas não de coitado). É de resistência. É de luta. E é de mobilização (se levar outros a revoltarem-se também). A de sair à rua, porque de massas, é a que deve fazer a revolta transformar-se em mudança, mas precisa das massas. E as massas não estão para aí viradas. Ainda.

  5. teresa diz:

    Se me permite e com todo o respeito não concordo com o que refere neste post. Sou de designer gráfico/ilustradora, licenciada á 4 anos pela ESAD, e se me perguntar se a minha situação profissional é de sonho ou minimamente aceitável com aquilo que eram as minhas perspectivas, respondo-lhe que não. Mas também tento ter a flexibilidade para os tempos que correm. Sou apologista que não devemos baixar os braços, que devemos ter uma atitude crítica perante as coisas e que acima de tudo o nosso comportamento reflicta tudo isso. Ser criativo é saber ver alternativas, é fazer “omoletes com os ovos que se tem”, é criar soluções que muitas vezes passam por não fazermos exactamente aquilo que queremos. Já mandei milhares de currículos dos quais não tive resposta, trabalho como freelancer, já fiz trabalhos que não eram de todo relacionados com a minha área, já trabalhei em condições precárias, e como resposta a tudo isto tentei criar o meu próprio negócio. Claro que não defendo que todos tenhamos de criar uma empresa ou um negócio ou que trabalhemos de graça (isso nunca), mas defendo que é a partir de uma atitude responsável e activa que se caminha para algum lado. Não tenho nada contra o José, nem o conheço, e acredito que ele tenha imenso valor mas não defendo este tipo de “simbologias de não trabalho”, acredito numa postura de esforço, de talvez deixarmos de ser um pouco caprichosos e aprendamos a usar melhor aquilo que nos ensinam, é difícil ser criativo em tudo o que fazemos na nossa vida mesmo em situações mais delicadas mas é mais difícil ainda achar que tudo e todos nos devem alguma coisa. Prefiro acreditar que quanto mais me esforçar melhor me hão-de correr as coisas. E o meu esforço, embora com todas as limitações sejam elas exteriores ou da minha própria pessoa, não passem por me sentar num banco e fazer greve de fome.

    • teresa diz:

      Apropriar-se de situações reais, tornar-se um “mártir” para se conseguir o que quer já é outra história e não é ser criativo ou inovador…é no meu entender actuar através de um “vale tudo” que dá continuidade e força exactamente daquilo que nos queixamos.

      • Zé Crokes diz:

        Muito pelo contrário cara Teresa. Existe uma grande diferença entre “queixar” e “protestar”. A queixa é uma forma de expressão que tem tudo para tornar qualquer reivindicação inócua e muitas vezes sem uma finalidade material, pois vai adiando a acção necessária. O protesto é uma acção com um objectivo e finalidades bem definidos. O Zé não se está a “queixar”, está a “protestar”. Gandhi não se queixava, ele protestava. Vê a diferença agora ?

        No entanto, se ele se estivesse a queixar concordaria completamente consigo.

      • Daniel diz:

        Um “vale tudo”? Como assim? O que é que é exactamente condenável moralmente numa greve de fome? Tentar transmitir uma mensagem para o publico é anti-ético? É propaganda pérfida/indesejável/não produtiva? Fazer uma performance poética não será uma das maneiras mais autênticas de expressar que somos humanos e solidários?

    • Zé Crokes diz:

      Cara Teresa, tenho uma pergunta para si: como freelancer e com o que consegue ganhar, só você, acha que conseguiria ter uma vida independente, ou seja, autosustentar-se ?

      É que eu oiço continuamente este tipo de opiniões e por vezes pergunto-me, “será que vive com os pais, ou tem um marido que ganha pelos dois ? Será que tem uma bela conta no banco onde vai pingando e não precisa de se preocupar em pagar as contas ao fim do mês ?”

      Responda-me sinceramente a esta questão porque eu já fui freelancer e dificilmente conseguia fazer esta vida de forma sustentada. O que consegui foi por mérito próprio. Às vezes até dava, mas quando não dava tinha que pedir ajuda para me aguentar. Freelancer, neste país, não é vida. Algumas coisas ajudam, como ser muito bom naquilo que se faz e ser reconhecido por isso, ou então ter as “costas quentes” e mexer uns cordelinhos nas influências de amigos e conhecidos, que é sinónimo que “pedir” e aí não há mérito.

      Sabe, quando não conhecemos a realidade das outras pessoas na pele, distancia-mo-nos das suas angustias porque não passamos pela mesma situação. Não existe a empatia necessária. No fim ? No fim é sempre fácil criticar quando se está do lado de fora.

      • teresa diz:

        Zé,
        E para que fique esclarecido, pois muitas vezes temos a “tentação” de lermos o que queremos, eu não estou a falar de um pedestal, ou muito menos o meu comentário implica ter uma conta no banco avultada, ou mesmo o meu marido a pagar-me as contas, ou trabalhando através de cordelinhos. Corre-se sempre o risco deste tipo de interpretações.
        Eu também vivo numa situação que não é de todo um conto de fadas, sempre fui defensora que não é vergando ou vendendo os nossos sonhos e a alma, trabalhar de graça ou mesmo por meia dúzia de tostões é que vamos lá. Mas sempre foi meu princípio tentar pelo menos fazer com que as coisas á minha volta se alterem para melhor. E como escrevi anteriormente, eu sou a favor de uma atitude activa e crítica em tudo aquilo que está á nossa volta. Agora partilhar do que o Zé fez, não concordo, e tenho esse direito, exactamente por estar na mesma situação em que ele está. A minha conta continua miserável, vivo com os meus pais ainda e gostava eu de poder viver só da ilustração, é com enorme tristeza que vejo que os meus pais investiram num curso que ainda não me permite viver independentemente e que este país está num regabofe total, rouba-se indiscriminadamente e os que se safam são aqueles que conseguem e mostram não ter carácter. Revolta-me, ver este país assim, as pessoas consequentemente prejudicadas, a fome e miséria física e de espírito, a situação do emprego, etc, etc, simplesmentente no meu entender sentar-me num banco não resolve a situação.
        Conheço uma pessoa que da mesma área, saiu de casa, queria viver com o namorado, o design não lhe dava suficiente, entra num projecto de design da parte da manhã e de tarde vai tomar conta de meninos, faz também de imobiliária e se for preciso também trabalha numa discoteca ao fim de semana, faz também ainda uns trabalhos como freelancer… Sinceramente eu identifico-me mais com este tipo de atitude e penso que isto é igualmente digno.
        Da procura do trabalho com o trabalho. Se for preciso ir para fora é o que farei, tendo consciência que tudo isto poderia ser diferente, mas quando for para a rua manifestar-me vou com a plena consciência de que tentei.
        São os diferentes métodos que, nos leva uma intenção. Uns concordamos outros não, uns damos continuidade outros fazemos diferente. O importante é não estejamos inertes.
        É tudo uma questão de termos bem presente aquilo que para nós é o mais importante na vida e fazer por isso.

    • Shut up and fight. diz:

      Vê-se mesmo que é da ESAD. Que terror…

  6. Nada contra o Zé, nada contra ele querer um emprego, a qualidade do trabalho dele, merece-o. E nada contra as chamadas de atenção, mas realmente tenho que concordar com o Alexandre no que diz respeito à publicidade. E à forma dúbia como se luta por direitos de todos. Se se quer protestar por portugal e pelo estado geral do país, muito bem, agora greve de fome até arranjar um emprego, cheira-me um bocado a birra. Não condeno a atitude, cada um faz por si e acho isso muito bem. mas há aqui coisas mal explicadas com certeza, neste acto simples de se sentar a meio de sta.Catarina. Se está um jornal metido ao barulho, tb deve haver aí ruído na informação, e acredito que se calhar nem tudo é como se diz por aí.
    Ainda assim, não me parece que a opinião do Alexandre, fundamentada seja no que for, tenha alguma coisa a ver com o Zé ser português ou alemão. Antes fosse alemão que não estava a água e açúcar neste momento.

  7. Pedro diz:

    Muitas generalizações se fazem aqui e pouco se aceita de ideias contrárias… Principalmente de quem, devido às suas claras convicções políticas, supostamente, deveria defender a equidade e liberdade de expressão… Se não querem comentários com opiniões contrárias, retirem essa possibilidade.

  8. (se é feita por um designer, é só publicidade; se é por um sindicalista, é só nostalgia; se é uma greve, é s´p preguiça; se é um protesto, não é positiva; se é positiva, é tótó; etc.)

  9. João Martino diz:

    Não entendo estes comentários às razões da iniciativa, que importa? Necessitará o Zé (sequer) explicar porque o faz? Não o sentimos todos na pele? Não entendo esta maneira mesquinha de ser Português. Menosprezar sempre quem faz, quem se mexe, quem reage.

    Teresa, provavelmente não conheces o Zé, mas quanto à “(…) atitude responsável e activa que se caminha para algum lado (…)”, concordo plenamente, mas penso que é isso que o Zé está a fazer. Nunca o vi a encostar-se, ser menos profissional ou virar a cara ao trabalho.

    • Zé Crokes diz:

      “Não o sentimos todos na pele?”

      Pois pois meu caro. Essa é a grande questão. A resposta, e depois daquilo que tenho lido em algumas opiniões, é NÃO. Nem todos o sentimos na pele. Muitas pessoas não acreditam que a sociedade não seja capaz de dar oportunidades a todos. Acham isso uma impossibilidade social e económica. No entanto, a prova de que estão errados, está nos vários exemplos que vão aparecendo nestas alturas.

      Para essas pessoas, os que não conseguem emprego são todos uns “calões” e preguiçosos (e nesta página existem inúmeras alusões a essa opinião). Para elas a palavra “dignidade” só é usada quando estão de bom humor e só se aplica a alguns.

  10. (Só para dizer que concordo com a Rosário. Numa notícia de jornal há sempre distorções. E ninguém faz uma intervenção pública com motivos perfeitamente coados e purificados. Se o nosso governo que tem experiência no assunto e não muitas obrigações factuais não o consegue fazer, porque haveria um grevista de o conseguir? Aparentemente, atingiu-se um ponto em que só se as coisas forem totalmente claras e inequívocas é que se intervém ou se respeita uma intervenção. É uma posição confortável, porque nunca são, nem hão-de ser.)

    • Daniel diz:

      essa sensibilidade pública que refere, para só dar valor às coisas “perfeitamente coadas”, coisa impossível, como refere, tem ponta de fundamento ou razoabilidade? é do tipo… como é que uma massa critica de consciências que constituem o “pensamento do momento/zeitgeist” se consegue fundar numa posição que como diz, é confortável, mas tão gritantemente injusta, cega e insensível, para além de passiva perante o sofrimento humano? (provavelmente não será mt fácil perceber claramente o sentido do que estou a dizer, mas nao quero que isto fique um testamento)

  11. teresa diz:

    “Aparentemente, atingiu-se um ponto em que só se as coisas forem totalmente claras e inequívocas é que se intervém ou se respeita uma intervenção. É uma posição confortável, porque nunca são, nem hão-de ser.)” se as coisas forem claras ou inequívocas não há necessidade do “totalmente”. Mas ainda acredito em coisas claras e inequívocas.
    Ainda assim, espero sinceramente que o Zé arranje emprego, como todos aqueles que estão nessa situação, onde me incluo. Mas na minha opinião os meios ainda não justificam os fins.

  12. Margarida Castel-Branco diz:

    Em opinião e ponto de vista pessoal, parece-me “um pouco” chato que na cidade que tanto abraça, morram idosos fechados em casa, sem apoios, quase sem apoios do estado na farmácia, que não podem de todo trabalhar.. e que mesmo assim, podem passar por ele na tão aclamada R. Sta Catarina e provavelmente terão compaixão por ele: Nunca estudaram e percebem que é “demasiado chato” queimar pestanas e serem tão bons, mas não terem trabalho. Parece-me “um pouco” chato estar ele numa cidade cheia de desemprego, de pessoas com mais de 60 anos que perdem empregos e que dificilmente outros arranjam, prontos a trabalhar em qualquer coisa e para “qualquer um”.
    Fora isso, parece-me legítimo ele poder fazer algo para que alguém o entenda e às pessoas como ele. Já Gandhi fazia greves de fome de um outro ponto de vista, “em janeiro de 1932, Gandhi não perdeu tempo para dar início a outra campanha de desobediência civil, em virtude da qual foi novamente preso. Oito meses mais tarde, Gandhi anunciou que estava começando um “jejum até a morte”, a fim de protestar contra o apoio que os britânicos estavam dando a uma nova constituição indiana, que concedia às classes mais baixas – conhecidas como ‘intocáveis’ “. Mas é justo, os tempos mudaram e os “Gandhis” são outros. Parece-me “ligeiramente” mais produtivo fazer greve de fome para não aprovarem as novas medidas, tenho a certeza que se juntariam mais, ao invés do seu tão aclamado pedido de emprego. Mas é justo, é justo que ele saia de casa e faça algo.. mas também seria muito justo que tivesse alguma noção do ambiente que o rodeia, alguma noção de colectividade.. porque tenho a certeza absoluta que alguma percentagem das pessoas que por ele têem passado não devem de comer muitas.. mas essas, não o fazem para ser ouvidas pelo Passos Coelho, mas sim porque nada agora lhes sobra a não ser ouvir o Passos Coelho.

    No fundo, é verdade que é um acto de alguma coragem.. mas espero muito sinceramente, e isto porque respeito o Zé que nunca tenha de passar fome involuntariamente.

    Um bem haja,
    Margarida

  13. Margarida Castel-Branco diz:

    Em alternativa, teria bem mais gosto em vê-lo reivindicar-se em público, na mesma Rua de Santa Catarina.. mas a dar um workshop de como consumir comida que é desperdiçada e como limpa-la para consumo próprio. Já o fiz muitas vezes, sem gastar cêntimos no supermecado, enquanto “tive de sair do meu país”. Não perdi nenhum orgão, que saiba ainda os tenho cá todos.

    De novo, um bem haja,
    Margarida

  14. maria diz:

    Uma das consequências das experiências que estão a fazer com este país, é as pessoas ficarem tão desesperadas que terminem em loucas (mesmo doentes mentais). Não sabemos com quem estamos a “lutar”, que poder é esse .

  15. Dário C. diz:

    Bom dia.

    A mim parece-me que a grave de fome é um fim em si mesmo, mais pertinente do que o trabalho que procura ou a conversa com um ministro. Isto se entendermos que a greve é em si mesma uma consequência, algo inevitável.

    Se uma pessoa como o Zé, com um trabalho simplesmente incrível e com uma perseverança irrepreensível, não se safa sem greves de fome, como podem esperar todos os comuns mortais sobreviver, e como se justifica que estes não andem por aí a fazer greves de fome, auto imolações, suicídios em massa e tantas outras coisas?

    Julgo que a atitude do “tento ter a flexibilidade necessária para os tempos que correm” é digna de pessoas sem alma, que vergam facilmente e que por dois tostões vendem a utopia. E devo dizer que sofrer por questões individuais vem sempre primeiro do que sofrer pelos outros. Isto é, a greve de fome do Zé, é um sofrimento de um indivíduo em prol das massas, no entanto, são as suas aflições individuais que o puseram naquela situação em primeiro lugar! Se ele estivesse bem da vida, não me parece que ele fosse fazer o mesmo.
    E quanta gente vai dizendo, ainda que na brincadeira:
    “Era matá-los a todos!” ?

    Assim sendo, vir dizer que não se concorda muito com o que ele está a fazer parece-me algo completamente descabido, para além de ser irrelevante. Mais importante julgo ser, primeiro, a percepção de que isto é uma consequência muito grave, uma vez que alguém como o Zé não deveria estar com problemas, e a capacidade de tirar conclusões disto, segundo a necessidade de mais pessoas que se juntem a ele, pessoas que façam algo real, algo para além do comum.

    • Margarida Castel-Branco diz:

      Dário, a mim parece-me que o Zé, tal como qualquer mortal pode ter ou vir a ter problemas. Vê-se também muito o que grande ou pequeno se pode pensar. “Quanto mais individual, mais colectivo”, mas se os seus objectivos e o mote para a quebra da sua greve de fome são um e-mail para emprego.. não me parece assim tão concentrado nos problemas de todos. Pessoalmente e preocupada com o Zé, pergunto-me o que acontecerá se não receber nenhum e-mail de emprego ou ser recebido pelo Primeiro. Saúde é saúde e ele precisa dela. Hoje ainda é um artigo polémico no P3, mas amanhã lá estará o Zé a água com açúcar. O que acontecerá se demorar mais de 10 dias a receber alguma resposta? Desiste? Vai para as urgências? A resposta não está de facto encerrada em nenhum de nós, mas no Zé.. e naqueles que com ele se preocupam. Ser criticado, julgado ou comentado ou qualquer terminologia que lhe queira oferecer, parece-me um pouco normal quando se sai à rua, quando se dá uma entrevista num jornal, quando se corre as redes sociais.

  16. teresa diz:

    “tento ter a flexibilidade necessária para os tempos que correm” é digna de pessoas sem alma”. Dário não sei se tens dificuldade em fundamentar as tuas observações, mas que para isso te seja possível precises de ofender as pessoas, problemas de alma terás tu. Que eu saiba ninguém aqui está contra ninguém, seja o José, o Evaristo, seja quem for. É importante que as pessoas observem e partilhem as suas obsrevações, sem que para isso seja preciso desrespeitar ninguém. É grave como, de facto, dizemos o que nos apetece, e isso é sem dúvida uma possibilidade que temos, mas não temos a sensibilidade e a responsabilidade de nos importar no “como dizemos” e no “que dizemos”.
    Pelos vistos nem percebeste o que queria dizer flexibilidade, mas preocupaste-te de imediato em partires para as tuas ilações tomando-as como se fossem dos outros. Que eu saiba flexibilidade e vergar/utopia não são a mesma coisa. Quanto muito flexibilidade e priorizar se possam relacionar mais.

    • Dário C. diz:

      Não tenho grande dificuldades em argumentar as minhas observações, e muito menos em ferir sentimentos de facto, mas não faço disso meu estandarte.

      É muito simples. Não me agradou que a ideia de flexibilidade fosse utilizada para descrever uma capacidade necessária para se estar bem nos tempos que correm. De facto fico bastante perplexo perante tais insinuações. Parece-me agora que essa flexibilidade é mais uma escapatória, um sinónimo de desenrasca, uma constante capacidade de modificar as prioridades. Eu quero recusar-me a ser flexível. Não quero ter de andar em empregos estranhos só pela necessidade de comer. Basicamente acredito que as pessoas devem ser felizes sem ser flexíveis, sem terem de trabalhar para trabalhar. E imagino que as pessoas que acreditam nessa ideia de flexibilidade, muito dificilmente podem contribuir para uma mudança.

      Afirmar que deixou de ser flexível.
      Que não se submete mais.
      Que já flectiu tanta vez que ficou rijo!
      É isso que o Zé fez.

      As coisas continuam sem mudanças precisamente porque as pessoas continuam a adaptar-se ao problema como forma de lhe fugir. Contestá-lo é simplesmente difícil. Exige coragem e exige uma aceitação das consequências.

      • teresa diz:

        Eu não vou estar aqui argumentar enquanto insistes em ler as coisas como queres e te convém, sem pelo menos tentares sair da tua carapaça.
        Boa sorte José e espero que tudo te corra bem, aquilo que sempre defendi aqui foi de exactamente fazermos alguma coisa para contrariar a situação em que vivemos, só disse que eu, e só posso falar por mim, o faço de outra maneira. Nem melhor, nem pior, foi a maneira que encontrei e com a qual me identifico.

      • Daniel diz:

        Teresa, não leves a mal o Dário. Afinal, não é por a sensibilidade dele apontar para uma reação a essa “flexibilidade” que te deves sentir ofendida. Ofendida porquê? Se achas que não trocas a utopia pr 2 tostoes, simplesmente diz que não trocas, e contudo poderas perceber que o Dario se sinta revoltado com quem se “adapte”, mas que nao essa tua adptacao não é, no teu caso, submissa, ao contrario do que o Dário estava a querer dar a entender. Mais submissa ou menos, cada qual tem de estar bem com a sua consciencia e tem de reflectir sobre os caminhos mais uteis a tomar. Sem censuras previas, sem susceptibilidades demasiadamente faceis de ferir, sem problema em mostrar veemencia qd se tem de mostar e esperando que essa veemencia possa ser compreendida e nao imediatamente interpretada como um ataque. É que as pessoas andam fartas e cansadas, há que ter compreensão para os desabafos e para algum extremismo e inflexibilidade.

  17. antonio diz:

    EMIGRAR. É a resposta!

    Deambular numa sociedade de princípios Liberais até à oportunidade pretendida.

  18. Edgar diz:

    Mas há aqui algo que me escapa: P3? Isto é “noticiado” no P3?

  19. Antes de começar esta greve, o Zé disse-me que o que mais lhe custaria não seria a falta de comida mas antes a exposição pública — todos os que o conhecem sabem que não é propriamente um exibicionista.

    O conceito de publicidade em si não é um mau conceito, apenas a falta de autenticidade das intenções com se a faz a podem tornar reprovável — e apelar à emoção do consumidor não é menos ético, desde que o produto seja tão bom como promete ser.

    A meu ver não há nada de oculto ou menos louvável na publicidade que o Zé faz com esta greve. Usa as suas habilidades enquanto designer e ilustrador para desenhar um cartaz com a sua mensagem — uma greve de fome por um emprego decente. Os mil e um portefólios e cv’s que enviou antes tinham a mesma função, mas com a diferença de causar impressão no empregador pelas suas verdadeiras qualidades profissionais — sem sucesso.

    Não falamos duma pessoa que recebeu uma recusa de emprego e foi para a rua bater o pé em modo de birra, falamos duma pessoa de 30 anos, com um talento fora do comum e que pura e simplesmente está cansado.

    Ter um ilustrador de qualidade internacional que pura e simplesmente poderia ter emigrado (talvez não o faça por razões pessoais) e voltado as costas a tudo isto e que continua a lutar na Rua de Santa Catarina por uma vida por cá (protestando em nome de todos os que estão na sua situação, criando uma identidade pública específica e não menos pertinente da do protestante em massa) é para mim um motivo de orgulho, eficaz ao ponto de fazer-me identificar com a sua situação (ou pelo menos conseguir projetá-la no meu futuro próximo) e sentir-me na obrigação de deixar aqui o meu apoio.

  20. Márcia diz:

    A greve de forma é o Zé optou para demonstrar o seu protesto. O cerne da questão, aqui, é que ele não está simplesmente a pedir um emprego, ele está a reivindicar um emprego justo e digno, daqueles que têm contrato de trabalho e que se recebe o suficiente para conseguir constituir família, para ir ao cinema, ter uma casa, comprar comida (…).

    Pelos vistos, há muita gente que não conhece o trabalho do Zé. Para quem não sabe, ele ganhou prestígio no meio da ilustração pelo seu próprio trabalho e pelos seus projectos e não porque trabalhou em estúdio a, b ou c.

    Discordando da forma, ou não, acho que incidir toda a discussão na legitimidade ou na necessidade desta atitude, só demonstra que se continua a olhar apenas superficialmente sobre as coisas.
    Não sei quando é que as pessoas começaram a pensar que ter um trabalho é um benção, independentemente se têm um contrato de trabalho, se estão a trabalhar como falsos recibos, se estão a ser remunerados (…), ou quando começaram a achar que só empobrecendo e a dar razão a este governo, mas é, de facto, assustador, ler alguns comentários aqui ou na notícia do P3.

    • Margarida Castel-Branco diz:

      Márcia, sem concordar ou discordar.. acredito que superficialidade é ver toda a história de um ponto de vista da comunidade artística e de amizade ao Zé, sob pontos de vista conceptuais do estado actual de tudo. Vi agora na televisão que o Zé conseguiu o tão pedido emprego. Resta-me pensar que conseguido o desafio sirva como exemplo a um país.. Tenho pena que outros a seguirem este exemplo, sem uma garrafa de água com açúcar, uma sombra e um irmão a salvaguardá-los.. lhes possa restar um triste fim. Os tempos mudaram e muito depressa, há todo um país que está a vestir coletes salva vidas e a tirar botes da garagem.. preparados a saltar fora. Isso sim, assusta.

      Um abraço, Margarida

      • Márcia diz:

        Não sabia que o Zé tinha conseguido emprego. Afinal, sempre valeu a pena.

        De qualquer forma, acho que a superficialidade com que esta história foi abordada, discutindo ou não a legitimidade da greve per se, não tem propriamente a ver com a comunidade artística ou amizade. Muita gente apenas leu o título da notícia e disse barbaridades.

        A notícia do P3 não passou a melhor mensagem do que o Zé tinha para dizer – nesse aspecto a TVI fez um melhor trabalho. No entanto, poucas foram as pessoas que escreveram sobre a reivindicação. Focaram-se tanto na forma que nem se lembraram que estamos todos na mesma situação. Nem com o extraordinário anúncio de mais impostos e maiores descontos para a segurança social para os recibos verdes, fizeram estas pessoas pensar um bocadinho melhor, concordando ou não com o extremo desta atitude.

        Não creio que agora vá haver uma vaga de greves de fome por um emprego, mas o que é importante, efectivamente, é que o Zé mostrou um outro lado, provavelmente bem mais real, que o empreendorismo precário jovem que o P3 e os demais meios de comunicação nos mostram todos os dias.

  21. Carlos Manuel Ministro diz:

    Devo dizer que com os meus 57 anos de idade nunca tinha lido tantos comentarios com tanta qualidade sobre qualquer outro assunto. Estou emocionado pela posição do Zé, sensibilizado pelo seu problema,grato por haver pessoas com força suficiente para fazerem o que ele está a fazer, solidário com a sua acção e espero e rezo para que resulte em algo positivo para ele, porque se colocou em luta, pela coragem e pela determinação que tem e simboliza um semelhante acto e porque a luta nunca é apenas pessoal mas antes social. Por isso está no meio da rua, o pior sítio em que se possa estar, o último sítio onde se deseje estar!
    Obrigado Zé. Não é você que precisa do País mas todos nós que precisamos de mais Zés para fazer o País que não somos.

  22. Nádia Furtado diz:

    Zé Cardoso, estou contigo!

  23. Julinho D. diz:

    E pronto, mais uma vez o zé coitadinho tinha que se destacar…talento fora do comum?só se for de manha.Continuo sem entender como se safa sempre, quiçá com a sua capa de menino bem comportado, pois já lhe vi uma outra faceta ao longo dos anos na fbaup.Conseguido o emprego, quero ver se para a semana faz outra greve de fome em favor de todos os outros jovens, tal como dizia…tá bem tá!Muitos gabam as fantásticas ilustrações do zé, mas esquecem que “cá fora”, no “mundo real”, não são comerciais.Não funcionam fora da irreal realidade paralela dos muros das belas artes,onde era rei.E, tal como prevejo nos futuros coments, ai de quem fosse de opinião contrária ao trabalho dele….levava logo com os fundamentalistas utópicos todos dafbaup, profes incluidos (sim, que esses reforçavam SEMPRE que só o zé era bom)…

    • Depois dos que dizem que se vendeu, vêm os que sentenciam que não vende. E que falam do “mundo real” que tão bem conhecem. Há mundo real que chegue para toda a gente. É grande q.b.

    • Para tecer qualquer tipo de opinião sobre o trabalho de alguém convém que se faça o mínimo uma breve pesquisa para não cair no ataque pessoal óbvio. O trabalho do Zé pode ter começado por ser um trabalho autoral, exposto sobretudo em galerias ou através de publicação independente mas, talvez pela necessidade iminente de o fazer, começou a apostar em vários projectos comerciais dos quais destaco a colecção de selos para os CTT, que foram inclusivamente destacados pelo Grain Edit (http://grainedit.com/2012/08/08/ze-cardoso/), as embalagens da Vinha da Defesa em colaboração com o White Studio, o álbum Apneia do Peixe (escolho estes três projectos para refutar aquele comum ataque de que o Zé não adapta a sua linguagem às necessidades específicas de um cliente), assim como várias ilustrações editoriais para publicações nacionais, sendo que algumas destas últimas, segundo o Zé, nem chegaram a ser pagas. Dentro da chamada ‘Ilustração do Porto’, o trabalho do Zé é provavelmente aquele que mais vejo a lutar para não se limitar à galeria ou à publicação independente, sem pudor nenhum de aparecer numa prateleira da Fnac ou na capa do Público. Concordo que não possamos comparar o seu corpo de trabalho comercial ao de outros como João Fazenda, Bernardo Carvalho ou André Carrilho que encontraram o seu território comercial, conseguindo tirar partido desses pequenos monopólios editoriais. No caso do Zé atrevia-me a dizer que não tenho a certeza se é o ele que não funciona no mercado ou se é o mercado que não funciona nele, isto querendo dizer que o problema poderá passar por não existir mercado suficiente em Portugal para o seu trabalho que se já tentou moldar a vários formatos possíveis, com bons resultados mas com continuidade e regularidade inexistentes.
      Contradiga-me quem achar que o trabalho do Zé não se adaptaria na perfeição ao formato editorial da revista Monocle.
      (esta última deixa retórica porque a revista já o contactou para uma colaboração).

  24. Hélder Mota diz:

    Comprova-se que as mentes quadradas não residem apenas na terriola. Será que algum de nós sabe o que é o “mundo real”? Não. Alguns estão mais próximos desta consciência do que os outros, apenas isto. O mundo real é aquele que vivemos. O mundo sonhado é aquele que pretendemos.
    Quem conhece minimamente. O Zé tem um dom. Se acredita que este dom insere-se no seu mundo, não vejo qual é o mal nisto.
    Muitos pintores que muitos referem hoje viveram na miséria, foram considerados loucos, mas hoje são reconhecidos como mentes superiores.
    Se hoje o Zé é louco por acreditar que consegue fazer a sua vida por praticar aquilo que melhor domina, a nível profissional, amanhã poderá ser um visionário do mundo real.

    Há que retirar o melhor das coisas.
    O Zé lutou por aquilo que defende. Mexeu-se.

  25. Leandro Bento diz:

    Fez o que muita gente gostava de fazer mas não tem coragem para fazer e o resto é conversa para o inglês ver.

  26. O que me vem à cabeça quando leio certas (des)considerações acerca da acção/protesto do Zé, vai mais ao encontro de achar que existem indivíduos que ultrajados pela falha que o seu próprio cérebro lhe agraciou com “mais uma ideia que já não poderei ter” (porque se sentem assim) fazem todo um esforço por convencer a sua consciência e e a dos outros de que algo poderia ter sido feito de melhor forma, ou falhou aqui e acolá, quando o que a roda manda é rolar para a frente e admirar quem demos por nós a admirar e não deixar o belo bichinho ressabiador actuar, sem justa causa.
    Tenho dito!

  27. Julinho D. diz:

    Zé prá casa dos segredos 3 mas já!!!

    Lançou a moda do “coitado-com-birra-que-se-quis-destacar-e-sentou-se-num-balde-amarelo-na-greve-de-fome-das-9h-às-19h-pra-lhe-cair-emprego-fixe-no-colo”…olha que título fixe não acham?? zé no pedestral amarelo tb dá… sorry folks, mas a minha opinião anterior mantém-se. Não me convenceram.Nem pedi para tal.

    O mambo-jambo cósmico das belas artes continua igual, ke saudades das conversas psicadélicas de mundo real versus matrix…saboroso. Faz-nos sentir inteligentes.

    Vou mudar pra outro tópico que é mais giro e com coments mais em conta:

    http://forum.autohoje.com/off-topic/112459-de-greve-de-fome-para-conseguir-emprego.html

    see yah joiinhas

    • De sublinhar que muito boas ideias e más e variadas vertentes de pensamento se dão em quase toda a maioria das áreas^de faculdade da UP, como de ciências por exemplo, e letras… e dos 18 aos 88.
      Acho que mesmo que se tivesse tirado o meu curso noutra faculdade qualquer (quem diz eu diz outro qualquer alumni da fbaup) não iria deixar de ter opinião critica mas também não iria passar a ser quadrada de certeza absoluta e não me iria privar de me deixar levar pelo mambo-jambo cósmico pelo resto da minha vida Felizmente!

    • Por alguma razão há sempre alguém que vem ter aqui a pensar que este é o fórum anónimo de discussão da falta de currículo e iniciativa alheias. Ainda bem que acabam por encontrar o caminho de volta ao ninho.

  28. Julinho D. diz:

    Tristeza moços…tristeza….I’ll be back soon 😉

  29. Margarida Castel-Branco diz:

    E este assunto que começou num post tão sério e acabou na comédia!! ahaha Ao menos isso!!

    • Carlos diz:

      Só deixou de ser sério quando ficou divulgado o que todos sabemos e temos vergonha. A revelação do assunto tabu, que após a quebra do gelo que o conserva, nos proporciona aquela risada de cumplicidade entre o grupo, com bochechas rosadas, e nos impele a fazer troça daquele que ousou terminar com o segredo conhecido de todos.

  30. Shut up and fight. diz:

    Que pessoas ridículas.
    Aprendam com o Zé.

  31. […] blogue: mais de 5300 visitas, mais de 3000 visitantes, em apenas um dia (mais 1700 visitantes que o record anterior). Em 2007, quando me mudei para o WordPress tinha isso num mês. O texto em questão teve mais de […]

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