The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Coisas da Imprensa

O Zé Cardoso foi promovido do P3 à página nove do Público (em plena crise). Uma amiga minha ontem brincou que o facto da greve da fome ter aparecido no P3 se calhar ia levar as pessoas a pensar que era empreendedorismo. Alguns comentários depois, verifico que é cada vez mais difícil fazer piadas em Portugal: a greve da fome estava realmente a ser desvalorizada como mera publicidade. É um pouco injusto para o P3 que também cobre assuntos políticos e de intervenção que não aparecem noutros jornais e sites, mas a sua imagem anda irremediavelmente associada a negócios de bares/dojos/salões de cabeleireiro ou outros negócios híbridos do género.

Entretanto, também apareceu no Público mais um artigo de opinião, do historiador José Neves, sobre o caso Loff-Ramos, com o qual concordo (e onde sou citado – ena! ). Aproveito aqui para reproduzir uma parte do artigo que me parece importante porque responde adequadamente a uma parte da polémica que ficou por tratar:

“A segunda questão que não tem sido debatida é a da escrita da história. Existem factos para quase todos os gostos, o que, não querendo dizer que não há risco de um historiador simplesmente inventar acontecimentos que não sucederam, exige que também foquemos não apenas o modo de selecção mas também a forma de enunciação dos factos. A título de exemplo, chamo a atenção para a relação que na escrita de Ramos se tece entre a sua voz de narrador e a fala das fontes por ele citadas. Na negociação destes discursos, essa escrita tende, frequentemente, a criar uma indefinição entre a fala do narrador e a fala dos documentos que cita, deste corpo-a-corpo nutrindo-se, em parte, a ilusão de neutralidade que ampara o entusiasmo pueril de um Barreto. Ora, se é bem verdade que o risco de ilusão jamais poderá ser completamente eliminado, podemos pelo menos exigir que ela não seja objecto de um uso instrumental. Infelizmente, é tal instrumentalização que me parece ocorrer na resposta que Ramos dirige a Loff. Se percebo que critique Loff por este citar partes do seu livro como se fossem fala do próprio Ramos e não, como em alguns casos sucede, fala de terceiros que Ramos teria simplesmente citado (‘a expressão não é minha, mas de Massis’, diz Ramos); não posso entender a que propósito, ao defender-se de uma outra crítica de Loff, Ramos opta por citar em seu abono a fala de uma das fontes por ele convocada, agora pedindo- nos que a aceitemos como reveladora do seu próprio ponto de vista (‘cito uma carta impressionante de José Marinho, de 1937, que bem revela o peso opressivo da ditadura salazarista’, diz Ramos a Loff ). Tal como os que apontei a Loff, estes são erros admissíveis, de que ninguém está a salvo, incluindo nós próprios, é claro.”

Filed under: História, Política, , ,

2 Responses

    • Pensei em responder mais longamente, mas penso que basta dizer que não acho que vá ser uma associação ou a ordem a resolver o problema. Nem uma nem outra têm base legal para reivindicar salários, negociar contractos, etc. Basta olhar para a Ordem dos Arquitectos para perceber que não ia funcionar. Muitos arquitectos andam a pedir para deixarem de pagar as quotas, porque neste momento é apenas mais um custo.

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