The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Greve da Fome

Ainda sobre o Zé Cardoso e a sua greve da fome: hoje tive cerca de 3500 visitas, 2200 só no texto em questão. 725 na primeira hora em que esteve online. Quebrou o record anterior, de 2700 visitas, pertencente à Joana Vasconcelos. O debate Loff-Ramos nem andou perto (1800 visitas no melhor dia).

Dessa gente toda, muitas pessoas apoiarão a iniciativa; algumas talvez se sintam inspiradas a fazer algo semelhante. Outras, concordarão com a intenção, mas não com o método, ou vice-versa. Outras usarão argumentos que se podem resumir a “Estamos em democracia e toda a gente tem o direito a exprimir-se, mas isto é uma estupidez” – e acrescentando, sempre que possível, que já seria uma coisa séria se fosse antes assim ou assado. Quanto a estes últimos, que até apoiavam se fosse outra coisa qualquer, confesso que me impacientam.

Fazem-me lembrar aqueles júris de doutoramento que atacam um candidato porque não citaram isto ou aquilo. O resultado são teses que citam tudo e mais alguma coisa; e que, mesmo assim, acabam por ser criticadas por não citarem isto ou aquilo. Por maior que seja a tese, há-de ser sempre mais pequena que o assunto que cobre.

Pessoalmente, acredito que se ficaria a ganhar com outra abordagem, que premiasse a elegância e a economia, que não penalizasse as coisas pelo que deixam de fora. Como crítico, sempre tentei avaliar as coisas pelo que são, pelo que fazem e não pelo que não são e pelo que não fazem.

Podia ser outra coisa? Pois podia, mas não é.

Não simpatizo muito com aquela boca do “Não gostas; faz melhor.” Na grande maioria dos casos, é apenas uma maneira indelicada de mandar calar alguém. Prefiro esta alternativa: “Quem acha que podia ser outra coisa qualquer, pode sempre conretizar essa outra coisa; assim, fica-se com duas coisas em vez de uma.” E, se não quiser pôr em prática a sugestão, pelo menos deixe-a registada; pode ser que outra pessoa o faça.

––

(Quanto à ideia que isto é só publicidade: fui à secção de marketing e publicidade da Fnac e não, não tinham o “Greve da Fome para Tótós”.

Agora a sério: Fazer uma manifestação é um acto de coragem, seja qual for a razão. Nos últimos meses, já houve gente presa e agredida por isso. No mínimo dos mínimos, o manifestante expõe-se à humilhação de ver o seu acto de coragem desvalorizado e ignorado sistematicamente. Ora, isto já não é o grau zero de manifestação, mas uma greve da fome, talvez a manifestação mais extrema que ainda se pode fazer de modo pacífico para si e para os outros.)

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Filed under: Ética, Crítica, Cultura, Design, Política, Prontuário da Crise

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