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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ordem

A propósito da greve da fome, levantou-se outra vez a questão de uma Ordem do Design. Já comentei essa possibilidade várias vezes no passado, e não vejo grandes vantagens numa organização do género – em primeiro lugar para o público em geral e depois para os próprios designers. Quem estiver interessado nos argumentos que sustentam a minha posição, pode fazer uma busca pelo assunto. São económicos, éticos, estéticos e políticos.*

Em termos mais imediatos, a minha objecção contra a Ordem é legal: uma ordem não pode fazer legalmente as mesmas coisas que um sindicato – não pode negociar valores de salários ou condições de trabalho. Ordens e sindicatos têm funções distintas que não se sobrepõem.

Por exemplo, já houve mais do que um apelo a uma intervenção da Ordem dos Arquitectos  na difícil situação actual da área. E a resposta tem sido naturalmente que a Ordem não pode fazer muito. Não faz parte das suas funções. Para muitos arquitectos, o pagamento de quotas é apenas mais um peso acrescido, que evitam por todos os meios fazer.

(E faz parte do memorando da Troika diminuir a quantidade de profissões reguladas – por Ordens – o que é bastante fácil de conseguir, simplesmente não as criando.)

(Seria fácil resolver preventivamente o excesso de alunos de qualquer área, dando financiamento decente às escolas que não as fizesse depender da quantidade de alunos.)

* Por exemplo, e ainda, ainda, e ainda. Etc. E o Alexandre O’Neill.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design

16 Responses

  1. Tiago Lourenço diz:

    Em relação à criação de uma Ordem do Design, coloco a(s) seguinte(s) questão(ões):
    – Durante a criação de um projeto de design, um designer poderia utilizar a ilustração como elemento gráfico? Ou estaria a ilustração dentro do campo das artes plásticas abrangida por uma Ordem dos Artistas Plásticos? E a Fotografia? Ou a Ordem do Design abrangeria todas as manifestações gráficas e visuais? Quem se poderia inscrever na Ordem?

  2. É uma boa pergunta, tanto mais que uma ordem dos designers juntaria designers de equipamento e gráficos, por exemplo. Sabendo que é comum o design gráfico ser praticado por designers de outras áreas, a ordem impediria pessoas sem formação em design de o praticar, mas já deixaria um designer de moda fazer design gráfico?

  3. Margarida Castel-Branco diz:

    E um designer gráfico que tenha como bases no seu trabalho em outras àreas, como a Fotografia ou Artes Digitais? Penso que seja mais essa a pergunta do Tiago Lourenço, que a mim também me suscita curiosidade.

  4. Margarida Castel-Branco diz:

    Falar numa ordem dos Designers ao invés das artes não
    é então fixá-las? Pergunto-o pelo post.

    • Não sei se percebi a pergunta. Mas, tentando responder, uma Ordem, seja dos designers, dos arquitectos ou dos artistas, vem fixar uma questão estética em termos legais e institucionais. Essencialmente, significa ilegalizar toda a produção estética que não seja feita por profissionais com formação. O que pode ser contraditório.

      (Já falei disso aqui:
      https://ressabiator.wordpress.com/2011/06/19/inversoes-curiosas/
      )

    • Tiago Lourenço diz:

      Margarida, a minha pergunta foi mais no sentido de sublinhar a incoerência de medidas elitistas como a criação de uma Ordem seja ela qual for. No meu caso, formei-me em Artes Plásticas e não considero lógico não poder fazer um cartaz ou um logótipo se me pedirem. Assim como não considero lógico que o Isidro Ferrer (não estou a comparar o meu trabalho ao de ninguém ) contratasse um escultor para lhe fazer as peças de escultura, que contratasse um fotografo para tirar as fotos dessas esculturas e depois contratar um designer gráfico para compor os elementos…
      Considero sim que faz sentido a existência de uma espécie de sindicato ou associação que valorize o trabalho de design e que permita aos seus associados esclarecerem dúvidas acerca do real valor do trabalho e dos orçamentos.

  5. Margarida Castel-Branco diz:

    Reformulo então a minha pergunta para o campo pessoal.
    Sou designer gráfica licenciada pela ESAD Matosinhos, onde a minha prática de design foi orientada/focalizada para técnicas de impressão( em especial, durante o meu Erasmus). A minha prática profissional de 2 num estúdio de design especializado em Tipografia e Ilustração Digital, foi também orientada para técnicas de impressão manuais. Volto a Portugal e contínuo na mesma orientação. Seria então de uma ordem das artes plásticas? ou seria de pedir por uma de técnicas de impressão?

    • A minha opinião é que não faz muito sentido multiplicar as ordens, correndo o risco, no limite, de uma Ordem dos Técnicos de Reprodução e Impressão Digital, dos Tipógrafos, dos Editores, dos Fotógrafos, etc. Cada vez que alguém fazia um trabalho seria obrigado a contratar alguém de uma das áreas, a tirar uma especialização numa dessas áreas e a ter as quotas em dia numa dessas áreas.

  6. Margarida Castel-Branco diz:

    Essa era exatamente a minha pergunta.. Não será um pedido a uma ordem dos designers ao invés das artes, multiplicar já por si só as ordens? Fixá-las, como à pouco referiu. Entendo que levaria a uma outra conversa do que é arte e do que é design, que agora aqui não dá. Mas se uma das armas do Design sempre foi a sua multiplicidade de tarefas e capacidades, até mesmo estéticas e éticas.. entre técnicas e tecnologias, “fixá-lo”.. parece um pouco estranho. Mas pergunto então, já que não faz sentido um Designer de Moda praticar designer gráfico ( função para o qual foi formado), teria então de existir uma variedade de ordens dos designers? Temos de ter em conta, que estes problemas da prática de não-formados em ( apenas a exemplo) Design Gráfico por ” não- Designer gráficos, é maioritariamente praticado por designers com outras áreas de especialidade.

  7. Uma ordem parece-me a última coisa de que necessitaríamos neste momento. Precisamos de uma autoridade na área, mas não me parece que o modelo de “ordem” seja o mais aconselhado, tendo em conta as especificidades da área e todas as questões e nuances apontadas.
    E à conta desta conversa da ordem, lembrei-me do moribundo CPD (que poderia e deveria ser uma autoridade na àrea). Fui ao site e só lá está uma página em branco. Bela metáfora para a dinâmica e relevância dessa instituição nos últimos tempos.

  8. nostrademos diz:

    a direção do cpd demitiu-se à algum tempo. Estará lá agora uma comissão de gestão à la troika

  9. Filipe Paes diz:

    Um artigo que não tenta argumentar o que quer que seja quase nem merece uma resposta tão séria.

    De qualquer modo, os vários posts neste blog sobre o assunto da Ordem já deviam ter posto mais gente à procura de uma alternativa mais útil.

    • Margarida Castel-Branco diz:

      Filipe, em certa parte por sindacalismos ou proteções legais para os designers, que ao que parece eles sozinhos não vão a lado nenhum.. parece que se esqueceram que para arranjar trabalho ou emprego é preciso sair e bater nas portas dos interesses. A meu ver, seria bem mais prático uma certa proteção em diferentes ordens, para os que tanto insistem em ser protegido por uma.. os mais tecnológicos que peçam abrigo à dos engenheiros( se alguma vez estes aceitarem.. mas os designers são tãaaao multi-capacitados), a um possível das artes aos mais artistas, ao mais políticos que seja o governo.. e por aí adiante.. Agora, o verdadeiro problema neste género de discussão para mim acaba sempre no mesmo.. Existe por aí muito pouco designer com demasiado pouco carácter ou numa constante “crise existêncial” para se afirmar como é e especializar, e esta última não é com mestrados em cima de mestrado.. mas com especificidade no trabalho e naqueles que procuram. O mais belo ou uma grande palavra alemã de “Komisch”, é ver tudo a criticar o estado do país para justificar crises existenciais anos depois de terminar o tão aclamado diploma de ensino superior concluído. Mas mesmo assim.. não sabem o que fazer,
      óbvio que não sabem onde encontrar.. mas como bons “faz tudo” que tanta fez tudo mal faz.. continuaremos pela luta ” do que vem à rede é peixe”.

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