The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Princípio da Inércia

No pavilhão branco do Museu da Cidade, na esquina do Campo Grande mais próxima do estádio do Sporting, estará até dia 4 de Novembro a exposição O Princípio da Inércia, comissariada pela Mafalda Santos e pela Susana Gaudêncio, e onde eu subcomissario uma mostra de livros relacionados com o tema da viagem e do percurso.

Se, de acordo com a lei de Newton que dá o nome à exposição, um movimento uniforme só muda com a aplicação de uma força exterior, cada um destes livros é uma dessas forças, sacudindo para os seus próprios fins a própria ideia de viagem, trajecto ou território – politizando-a, despolitizando-a mudando a própria identidade do viajante.

Queria ter posto aqui qualquer coisa antes da inauguração de ontem, mas a trabalheira de ajudar a prepará-la – e que me obrigou a faltar à vigília de Belém – não me deu oportunidade.

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Aritmética

Mais uma vez leio Pacheco Pereira e tirando um ou outro pormenor, concordo, o que no ambiente actual é um risco (afinal, ele tem uma ideia bastante tosca do papel da cultura e do seu financiamento).

Mas, para muita gente, concordar com alguém é o equivalente a concordar com tudo o que essa pessoa disse, diz ou dirá, fez, faz ou fará. Ficamos unidos pelo acto de concordar noVerão e no Inverno, na saúde e na doença – casados à maneira vitoriana, quando já nem os casamentos são assim. Leia o resto deste artigo »

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Opinião

Apercebi-me ao ler o resumo de um ciclo de conferências de Augusto M. Seabra na Culturgest sobre História e Teoria da Crítica, que discordo da definição dada sobre crítica e sobre a definição dada sobre opinião. Nem sequer é uma discordância com Seabra em particular mas com posições bastante comuns de crítica, que me parecem pouco adequadas ao modo como esta é praticada hoje.

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Belém

À última da hora e por imprevisto não vou conseguir à concentração de Belém. É daqueles azares que dói. Só me resta desejar ânimo a quem vai.

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A Culpa é um escalão de IRS

Dentro do contexto da crise actual, a palavra Austeridade deveria ser sempre escrita com A grande, porque não significa apenas poupar, levar uma vida mais simples, mas fazê-lo de certa maneira: cortar nas coisas públicas, não apenas na despesa mas em certo tipo de despesa (hospitais, escolas, universidades, cultura); cortar nos salários de quem trabalha para outras pessoas, sobretudo para o Estado; privatizar serviços; subsidiar essa privatização; etc. A Austeridade não é portanto um mero sinónimo de poupança mas a designação de um programa complexo e coerente.

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Bazooka

O colectivo francês Bazooka é uma das minhas obsessões mais antigas. Sempre que posso ponho aqui qualquer coisa deles. Esta é uma espécie de biografia, bastante solta, que mistura trabalho e vida pessoal, colagens e fotografias de desintoxicação.Namoradas e fotos dos primeiros bébés. Leia o resto deste artigo »

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Portugal, 1979

Por coincidência, ontem dei com esta fotografia de Maria Teresa Horta, aqui com as outras duas Marias, sem identificação ou hierarquia, como convém a quem escreve um livro estritamente colaborativo, onde nunca se declarou autoria que não a do grupo. Na altura, foi alvo de um processo que projectaria o livro além-fronteiras, tornando-o num marco do feminismo literário. Fica agora aqui como homenagem à sua recusa de receber o Prémio D. Dinis das mãos do Primeiro Ministro. Leia o resto deste artigo »

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Hang the DJ, Hang the DJ, Hang the DJ

Conheci pela Isabel Carvalho, que elogiou muito esta canção sobre o medo, e se queixa (com razão) que os hinos das Manifs são sempre os mesmos. Tive pena de não ver o concerto de Sábado. Eu gosto das canções de Abril, mas tento sempre manter uma distância. O mesmo com o Punk e o resto. Tento perceber o que se pode aproveitar, o que tem mais impacto, o que é mais eficaz. E isso será sempre o que tem a ver connosco e com as nossas vidas. Toda a gente se lembra do refrão – “Hang the DJ, Hang the Dj, Hang the DJ” – mas ninguém se lembra porque deve ser o DJ enforcado: “Because the music that they constantly play / It says nothing to me about my life”

Se é sagrado demais para mudar ou até para ser usado, não serve de todo.

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Aprendizes de Feiticeiro

Talvez pareça irónico que, nem uma semana depois da manifestação de 15 de Setembro, o país se dedique agora em massa à Casa dos Segredos. Déficit de atenção, dirão. Falta de prioridades. Mas não há ironia nenhuma por aqui, antes pelo contrário.

Ainda me lembro dos velhos tempos, quando os concursos eram um longo percurso entre a parte onde se ganhava uma torradeira ou uma garrafa de sumol e o prémio de sonho, ao fim da noite, em geral um *magnífico* automóvel.

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O Design que Falhou

A última remodelação tornou o Público o jornal quase ideal para esta crise. Dá, diariamente, a cobertura sistemática, informada e útil, que esta actualidade política sustentada por doses industriais de treta precisa. Poderia ainda melhorar, claro. Mas não passo sem ele. Houve ocasiões no passado em que o lia com uma sensação de irritação. Agora, o momento em que a edição electrónica diária em pdf fica disponível, por volta das seis da manhã, é como a chegada do Pai Natal.

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O que ando a ler

Terminei What Money Can’t Buy (uma das melhores leituras do ano) e, para não sair do assunto, comecei The Price of Inequality, de Joseph Stiglitz. Leia o resto deste artigo »

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Teoria dos Números

No dia seguinte, torna-se bastante óbvio que a estratégia do PSD se pode resumir numa expressão: “Com o devido respeito, que se lixe a democracia”. Negar, relativizar e sublinhar que não há alternativas.

E já se diz que os protestos só levam a 3 pontos  de perda nas sondagens. Num país de 10 milhões de habitantes, com uma abstenção gigante, 1 milhão de pessoas a pedir a queda do governo leva a 3 pontos de queda nas sondagens? Só se for nas eleições a seguir às próximas, quando o próximo governo PS estiver quase a cair. Se calhar é isso.

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E agora?

Terminada a manifestação começou a parte  penosa que consiste em ouvir e ler que, com o devido respeito pela democracia (sair à rua é um direito) tudo isto não serviu para nada. Que os motivos eram demasiados. Que o descontentamento era óbvio, mas não havia soluções; não havia uma causa unificadora, uma palavra de ordem. E é uma treta, como é evidente. Vi um monte de coelhos de peluche com um cordel ao pescoço. Deve ser uma pista. Vi cartazes que eram só uma cara zangada. Outra pista. Vi cartazes sobre desemprego. Vi sacos de tinta a serem atirados a bancos. Havia pessoas que não eram Amigas do Gaspar. Leia o resto deste artigo »

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Só para dizer

Não posso comparar porque tenho ido às manifestações em Lisboa, mas quem esteve disse-me que nunca tinha visto tanta gente. Havia dúvidas em relação à circulação e ao percurso. Os cartazes pareciam mais improvisados, mais sentidos que o costume. Atrás de nós alguém atirou sacos de tinta à sede da caixa geral, usando cores que, estranhamente, eram as do logotipo. Mais logo devo conseguir pôr fotos.

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Desigualdade e Corrupção

Não sei se é útil ou até possível reduzir as reivindicações desta manifestação a uma lista concreta de exigências. Se for bem sucedida, será um gigantesco “Não”, com milhares de razões e de vidas distintas por trás. As minhas não são muito diferentes das que me levaram à rua no 12 de Março e noutras ocasiões.

Poderia resumi-las a duas palavras: desigualdade e corrupção.*

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Ágora

Se calhar é natural, mas com os anos fui ficando politicamente agorafóbico. Fui-me afastando dos sítios onde se faz fisicamente política, preferindo escrever e argumentar do que ir a reuniões ou grupos de trabalho, por exemplo. Essa desconfiança vem-me em parte da experiência profissional no ensino superior, onde fui assistindo a uma desistência progressiva do debate e da representatividade alargada em favor da simples autoridade hierárquica.

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Carimbo do Photoshop

Nestas férias, reparei num fenómeno curioso: enquanto subia e descia o país, os nomes das terras iam-se repetindo: de vez em quando  mais um Arcozelo, outra Odivelas. Exactamente o mesmo nome. Sem um “de Santo António” ou um “Novo” ou um “Velho” à frente. E comecei a fantasiar que o mapa do pais tinha sido feito com o carimbo do photoshop. Tira-se uma amostra aqui e carimba-se ali. Tira-se uma amostra aqui e carimba-se ali.

Ao ver os destaques do Público desta sexta tive a mesma sensação: um orçamento ou um Pec; uma moção de censura; um governo periclitante. E dá a sensação que a história do país também está a ser feita com o carimbo do photoshop. PS PSD PS PSD PPD PSD CDS PP PPP PPC ETC.

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Ordem

A propósito da greve da fome, levantou-se outra vez a questão de uma Ordem do Design. Já comentei essa possibilidade várias vezes no passado, e não vejo grandes vantagens numa organização do género – em primeiro lugar para o público em geral e depois para os próprios designers. Quem estiver interessado nos argumentos que sustentam a minha posição, pode fazer uma busca pelo assunto. São económicos, éticos, estéticos e políticos.*

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Mais outro feriado que se foi

E hoje, sempre que saí à rua, toda a gente a falar da mesma coisa. Nunca tanta gente deve ter dito 7% ao mesmo tempo aqui em Portugal. E o governo conseguiu dar cabo de mais um feriado, sem que ninguém desse por isso: a silly season. Este ano foi dedicada a uma discussão mais ou menos académica, e mais ou menos civilizada, entre historiadores. Mal o governo veio de férias, começou a estupidez – um relógio a escorrer do ramo de uma árvore é menos surrealista do que esta gente. Ou seja, neste momento o Verão é um pequeno oásis de intelectualidade (relativa).

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Coisas da Imprensa

O Zé Cardoso foi promovido do P3 à página nove do Público (em plena crise). Uma amiga minha ontem brincou que o facto da greve da fome ter aparecido no P3 se calhar ia levar as pessoas a pensar que era empreendedorismo. Alguns comentários depois, verifico que é cada vez mais difícil fazer piadas em Portugal: a greve da fome estava realmente a ser desvalorizada como mera publicidade. É um pouco injusto para o P3 que também cobre assuntos políticos e de intervenção que não aparecem noutros jornais e sites, mas a sua imagem anda irremediavelmente associada a negócios de bares/dojos/salões de cabeleireiro ou outros negócios híbridos do género.

Entretanto, também apareceu no Público mais um artigo de opinião, do historiador José Neves, sobre o caso Loff-Ramos, com o qual concordo (e onde sou citado – ena! ). Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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