The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Personal Views II

As Personal Views vão voltar e é uma boa notícia. Nas primeiras séries foram um acontecimento central no panorama do design português, dando oportunidade para ver os grandes nomes do design internacional ao vivo e a menos de dez metros. Havia grandes migrações e filas de espera. Mas nem era mau porque, enquanto se esperava, se podia pôr a conversa em dia com gente de Lisboa, Coimbra, etc. – eram também uma oportunidade para ver o design português como comunidade, ao vivo e acotovelando-se.

Desde que acabaram, há quatro anos, o panorama mudou muito. Em primeiro lugar, porque eventos como conferências e exposições dedicadas ao design gráfico em Portugal se tornaram bastante comuns, sendo rara a semana ou o mês onde não há uma. O mesmo aconteceu ao nível internacional. A vaga de cursos de crítica e comissariado deu origem a novas gerações de gente a escrever, editar e mostrar design. Revistas e livros perderam o seu protagonismo para a internet, que também permite a circulação alargada de publicações mais pequenas, experimentais e periféricas.

Ao olhar para o poster das novas Personal Views, cheio de nomes literalmente grandes, notei que já há muito tempo não sinto a necessidade de procurar os textos de Rick Poynor ou da Ellen Lupton, escritores que admiro muito e que foram essenciais à minha formação. É, talvez e apenas, uma mudança nos meus próprios gostos, mas penso que o contexto também mudou, e a distância permite ver que a década passada foi em parte uma aplicação da ideia de autoria no design à escrita e à crítica – a extensão de um panteão de “nomes” do design prático à crítica, comissariado e edição.

Agora, a tal vaga de cursos encarregou-se de diluir esse panteão num mar de vozes mais jovens e mais cosmopolitas, fugindo quase completamente ao eixo Americano, Inglês, Francês, Holandês, e até às próprias fronteiras tradicionais do design.

Entretanto, e com a crise, o próprio design mudou subtilmente de identidade, tornando-se num símbolo de trabalho precário e desemprego. Já não é fácil prestar tanta atenção a um design de larga escala e grandes meios, produzido em Londres ou Nova Iorque, muitas vezes para as mesmas grandes firmas que provocaram esta crise.

Enfim, esperemos que as novas Personal Views contribuam para reflectir sobre esta nova situação.

Filed under: Crítica, Cultura, Design

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Arquivos

Arquivos

Categorias

%d bloggers like this: