The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Rebentaram os diques entre a realidade e a ficção

Ontem, apanhei esta imagem dos túneis inundados do metropolitano de Brooklyn, que pode muito bem ser falsa (ter aparecido no instagram não deixa muitas esperanças). Um dos efeitos secundários a esperar de qualquer tragédia americana é um aluimento da diferença entre facto e ficção – incluo no rol das desgraças qualquer tipo de corrida eleitoral, como é óbvio. Não se trata tanto de ironia, mas da consequência de se viver cada vez mais a realidade através da ficção e dos filmes, o que é particularmente verdadeiro numa cidade como Nova Iorque, onde cada desgraça real já foi há muito antecipada num qualquer filme ou livro. Já do 11 de Setembro se tinha dito que lembrava um filme e pouco depois alguém se lembrava de reconstruir esse dia usando apenas pedaços de filmes anteriores a 2001:

No caso dos mergulhadores do metro, demorei algum tempo a lembrar-me onde já tinha visto algo do género:

Tirada desta banda desenhada:

Que li no começo da década de 1980. Foi o meu primeiro contacto com a ideia de degelo polar (causado aqui por uma explosão nuclear). A representação de Nova Iorque era bastante atmosférica e até realista, o que se justificava pelo desenhador Jean Claude Mezières ter passado algum tempo nos Estados Unidos, chegando a trabalhar como Cow Boy. Embora publicada em 1968, passava-se no futuro, em 1986. Não era portanto muito estranho que fosse uma década de 80 cheia de hippies, músicos de Jazz e um sósia de Jerry Lewis. Mesmo o design da época vinha representado por esta poltrana, criada um ano antes e bastante apropriada a uma cidade alagada:

E, como não podia deixar de ser, a Estátua da Liberdade era destruída:

A lembrar a cena final do Planeta dos Macacos, do mesmo ano:

Ou esta página de Kamandi, desenhada por Jack Kirby em 1972 (ou a Estátua boiava ou a especulação imobiliária tinha chegado a Liberty Island):

Ou esta imagem do filme The Day After Tomorrow, apresentada como se fosse uma imagem verdadeira da tempestade:

 

Update: Mas estas são verdadeiras, embora nem sempre pareçam, em especial esta.

Filed under: Crítica, Cultura

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