The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Serviço Público

Do texto “Os Tempos do Centro Português de Design”, de José Pedro Martins Barata, publicado no livro Sena da Silva, da Fundação Gulbenkian:

“Ora ao criar o CPD, [o Ministro] Veiga Simão entendeu dar-lhe a forma de uma associação de direito privado tendo como associados organismos públicos, na maioria, obviamente, do âmbito do próprio ministério, o que resolvia vários problemas jurídico-administrativos (ainda que causando outros). Os organismos forçosamente associados viam-se assim sobrecarregados com a comparticipação num outro que lhes sugava os sempre escassos recursos, e nunca esconderam o seu fraco entusiasmo pela ideia de design, cuja necessidade lhes escapava. Mas o grosso dos recursos necessários ao exercício da actividade do CPD para lá dos que asseguravam pouco mais do que a sua existência, deveria ser conquistado pelo Centro agindo no mercado, em termos de mercado. Repare-se que, ao fazê-lo, o CPD entrava em concorrência com as próprias entidades prestadoras de serviços que, em princípio, deveriam ser apoiadas por ele – o que originava um certo mal-estar por vezes indisfarçável…”

Penso que não se poderia descrever melhor o tipo de problemas que aparecem quando se entalam coisas entre o público e o privado, não apenas o design, mas o ensino, a saúde e o resto. Sempre que uma entidade pública (associação, escola, hospital, faculdade, governo) é posta numa posição em que, para se financiar, é obrigada a concorrer com os interesses que a gerem, acaba sempre por ficar a perder. Esses interesses argumentarão que o público não deve concorrer com o privado, e reservarão para si próprios os melhores negócios, conduzindo para a entidade pública apenas os suficientes para manterem uma ligação privilegiada com ela, usando o seu carácter público para captarem negócios públicos. Com o tempo acabam até por ver tudo isto como um serviço público que fazem e com o qual até perdem dinheiro. Com o tempo dirão que até essa réstia ficava melhor se fosse privada.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Economia, Política

One Response

  1. […] fabriquetas de fim de beco e de beira de estrada, através do design. Com o tempo, e penso que devido à sua estrutura entre o público e o privado, que o obrigava a autofinanciar-se, o Centro acabaria por funcionar (mal) como um mediador entre […]

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