The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Soluções, Alternativas

Com a crise a durar há uns quatro anos, já devia ser evidente o que está ou não a dar certo. No meu caso, fui aprendendo com o que lia. Alguns comentadores ou especialistas tinham mais razão do que outros. Paul Krugman, por exemplo, desde há anos que tem previsto com bastante precisão a evolução da crise no mundo e em particular na Europa e até Portugal. Paul de Grauwe, que esteve cá esta semana, e de quem tomei conhecimento via Krugman, conseguiu prever a crise europeia actual antes ainda do Euro ter começado a funcionar. Tudo isto apontava para Keynes, que fui lendo, e para a necessidade de perceber mais de economia. Para isso, li um manual de Krugman, Wells e Graddy, Essentials of Economics. Por cá comecei a apreciar os textos do economista Pedro Lains, que tem feito um bom trabalho a desmontar certas ideias feitas sobre a crise.

Com tudo isto percebe-se bem que as causas da crise são complexas e internacionais, em especial na Europa (não vou explicar porquê, basta ler o artigo de Grauwe, por exemplo). A “vida acima das possibilidades” é apenas uma treta moralista para justificar a correcção do déficit precisamente na altura em que isso é mais desaconselhado e para aproveitar o caos social e político decorrente para dar cabo do Estado Social.

Para além destes, que são economistas, há ainda Naomi Klein, cujo livro The Shock Doctrine li com avidez na semana em que saiu, e me introduziu ao conceito do neoliberalismo – em 2007, ainda não se falava disso por aqui (ainda me lembro quando José Manuel Fernandes foi descobrindo que esse era o nome que a esquerda mais radical dava àquilo que ele chamava “senso comum”). Confesso que na altura achei quase exagerada a tese de Klein que as épocas de crise são sistematicamente aproveitadas pelo neoliberalismo para impor uma agenda de privatização que nunca seria sufragada nas urnas. Neste momento, até a acho tímida.

Se escrevo este texto, é sobretudo para, quando aparecer alguém a queixar-se que ninguém propõe alternativas realistas à Austeridade imposta pelo Governo, ter um sítio que concentra essas soluções. Note-se que todas delas implicam sacrifícios, embora menores, melhor distribuídos e salvaguardando o Estado Social; se há um chavão que interessa destruir é a oposição entre a Austeridade extrema, inevitável e responsável do Governo e o “regabofe” irrealista dos seus críticos.

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Filed under: Crítica, Cultura, Economia, Política, Prontuário da Crise

One Response

  1. nostrademos diz:

    se aquilo é neo qualquer coisa certamente não é neo-liberalismo. O liberalismo deixaria à vontade de cada contribuinte a opção de descontar para o Estado ou para o Privado, por exemplo. Isso sim é dar poder e voz às pessoas de tomarem opções informadas sobre o seu futuro.

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