The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Como um Boy a olhar para um Palhaço

Em geral, chamar nomes ao nosso Governo não é má ideia; afinal, argumentar com eles não tem efeito nenhum. Em abstracto, qualquer nome serve, desde que seja justo e – se possível – bem esgalhado. Há alguns nomes, porém, que me custam. São preconceitos subtis que prejudicam mais o emissor do que o receptor.

Se há coisa que aprendi com esta crise é que existe uma deontologia do insulto. O bom insulto deve ser cirúrgico, evitando alvos civis enquanto dizima o seu alvo. O mau insulto degrada o ambiente e a sociedade.

Talvez o melhor exemplo seja o adjectivo “deslumbrado”. Passos por exemplo é o eterno deslumbrado. Rapaz de origens humildes, que veio de Vila Real para Massamá como Jotinha, embasbacado pelo poder tornou-se num”deslumbrado”. Marcelo Rebelo de Sousa também usou o termo para desculpar as tropelias de Duarte Lima.

Os “deslumbrados” são gente impreparada para o poder. Que se encadeia e perde o senso comum. Mas se há os “deslumbrados”, há também os outros, os “deslumbrantes”, que nasceram para o poder, de boas famílias, que foram treinados para isso, que têm sentido de Estado.

O deslumbrado é, no fundo, um insulto classista. Não anda muito longe do “vivemos acima dos meios” – que (já agora) vindo de cima, do poder, se assemelha muito àqueles agentes da autoridade que acusam usando a 1ª pessoa do plural: “Estamos outra vez a viver acima dos meios, não estamos?”

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Filed under: Crítica, Política, Prontuário da Crise

One Response

  1. rtype diz:

    Sempre me fez confusão o Estado ou o Município pagarem pelas escolas desportivas dos clubes. Eu ia ao treino de captação do figueirense andebol, era fraco, não ficava. Os que já eram fortes ficavam na equipa. Os miúdos de 12 anos recebiam, grátis, do contribuinte, treino desportivo. Os fracos, que mais precisavam, ficavam de fora. Se quisessem, pagassem o campo ou um treinador e treinassem com os amigos. Os mesmo bons acabavam por ir para os séniores e aí não só não pagavam como recebiam.
    É um bocadinho como isto.
    Dito isto, toco numa banda de garagem, vou pagar a deslocação ao Porto para tocar lá, quase de graça.

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