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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Lista do Ano

Começam a aparecer as primeiras listas de coisas importantes de 2012. Aqui fica a minha, que é de prioridades do dia-a-dia (e também vale para 2013):

1. Pensar em maneiras de resistir a este governo e se possível contribuir para a sua demissão.♠ Desmontar as suas falácias.♣ Expor alternativas às suas políticas.♥ Usar para isso o blogue, conferências, leituras, viagens, manifestações, autocolantes, posters, etc. Tenho cada vez menos paciência para tudo o que não contribua directamente ou indirectamente.¤ Que não se envolva. Arte pela arte, design pelo design, literatura pela literatura, música pela música: ou é feita por amigos e é chato não ir, ou fica na pilha das coisas a fazer quando o desemprego estiver abaixo dos 8%. Música experimental, em especial noise: só se derem um concerto no andar acima de um membro do Governo ou da Isabel Jonet.‡

2. Comer, dormir, fazer exercício. Correr, nadar, bicicleta, etc. Num país onde tudo se decide à mesa do restaurante ou do café e as reuniões oficiais são meras formalidades para comunicar o que se decidiu à populaça devia ser uma obrigação ética comer barato, com frugalidade, manter a forma física e reservar as refeições para não decidir nada de público ou profissional.

3. Prazeres culpados: Ler Disneys Especiais na casa de banho. Ver Elementary (mais uma actualização do Sherlock Holmes para a actualidade, mas tão tão boa). Comprar livros antigos.◊

Notas:

♠ – Com a ajuda de economistas, como Paul Krugman, Joseph Stiglitz ou Pedro Lains (economistas do ano). Com os livros da Tinta da China (editora do ano).

♣ – Daniel Oliveira, Rui Tavares e Pacheco Pereira (intelectuais públicos do ano).

♥ – Em especial vindas do Occupy Wall St. (movimento do ano), que tem tido das iniciativas mais geniais (o Rolling Jubillee, por exemplo); da Escola da Fontinha e da Biblioteca Popular do Marquês; do Congresso das Alternativas.

¤ – Contribui indirectamente para isto: o cinema português, em especial Miguel Gomes. Filme do ano: Tabu.

‡ – E do José Manuel Fernandes, claro, que ganha o prémio do Trauliteiro do Ano pela sua participação na polémica Loff-Ramos, acusando histericamente os antagonistas de Comunismo, estupidez, fazerem-se passar por jornalistas, enquanto se queixava da falta de serenidade intelectual de debates como este (este prémio é um update, mas como me pude esquecer, como?)

◊ – Paulo de Cantos, coisas do colectivo francês Bazooka.

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Filed under: Crítica, Cultura, Política, Prontuário da Crise

3 Responses

  1. Nelson diz:

    “Tenho cada vez menos paciência para tudo o que não contribua directamente ou indirectamente para isto.¤ Que não se envolva. Arte pela arte, design pelo design, literatura pela literatura, música pela música”

    Incrível como me revi nestas linhas…

  2. Eunice diz:

    Eu também me revi nisso, mas continuo a querer ver concertos de música experimental, noise também, sobretudo se for no meu prédio para não ter de pagar balúrdios nos transportes, o que me levaria a escolher ou os transportes ou o concerto.

  3. Paulo Pereira diz:

    Lista despretensiosa, sem deixar de ser muitíssimo pertinente e urgente!
    Nós também somos aquilo a que nos opomos…
    Um abraço e um ano de 2013 cheio de oposição!

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