The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Manchetes

Dizia-se que vão acabar com o Inimigo Público (para ser franco nunca o li regularmente), mas seria talvez melhor acabarem com o próprio Público, ficando apenas o suplemento de humor. Melhor ainda seria dissolverem um no outro, ficava um jornal sério, mas incisivo e emocional. Um pouco como era o Independente. Que belas manchetes não fariam para a nossa actualidade. Até as consigo ver, em grandes letras retintas: “TAPalhada” ou “BuroCRATO”. Onde andam jornalistas criativos e sem medo como Paulo Portas quando mais precisamos deles?

Bem. Na verdade podem ficar com o Portas. Mas não era mau um jornalismo que fosse menos genérico e neutro, que conseguisse encarnar a sensação de absurdo que é viver neste momento. É isso que Jon Stewart faz na América.

E não se trata apenas de fazer rir mas de conseguir lidar emocionalmente com situações emocionais. Nesse aspecto, concordo com Jason Kottke quando diz que o The Onion, um jornal satírico, acaba por fornecer a cobertura mais honestamente emocional de eventos traumáticos como o massacre de Newtown. Exemplos:

Following the fatal shooting this morning at a Connecticut elementary school that left at least 27 dead, including 20 small children, sources across the nation shook their heads, stifled a sob in their voices, and reported fuck everything. Just fuck it all to hell.

All of it, sources added.

“I’m sorry, but fuck it, I can’t handle this-I just can’t handle it anymore,” said Deborah McEllis, who added that “no, no, no, no, no, this isn’t happening, this can’t be real.” “Seriously, what the hell is this? What’s even going on anymore? Why do things like this keep happening?”

No nosso próprio caso, estamos a lidar há meses com uma crise económica e humana de grandes proporções, administrada por um governo sonso, cínico, incompetente e insensível, que fica ofendido como uma florzinha de estufa sempre que alguém lhes aponta de modo menos delicado que são um bando de sonsos, cínicos, incompetentes e insensíveis. Tratar esta gente com seriedade, implica, na sua própria óptica, dar-lhes legitimidade, logo não se pode levar esta gente a sério. Gozar com eles é um dever cívico.

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Filed under: Crítica, Cultura, Política, Prontuário da Crise

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