The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

“Ninguém Compreende o Neoliberalismo”

Às vezes, quando estou mais cansado, tento perceber as pessoas que acreditavam neste Governo e entretanto se desiludiram. Não falo dos que só queriam ver-se livres de Sócrates e votarão pela mesma razão contra Passos, mas dos que realmente acreditam numa agenda neoliberal (o que interessa é a iniciativa individual; o Estado que melhor governa é o que governa menos; que sai do caminho da iniciativa privada; o mercado, se for deixado em paz, garante a harmonia da sociedade bem melhor que o Estado; na prática, para o neoliberal o mercado acaba por ser uma ocorrência natural da democracia, embora poluída pelos interesses de políticos e medrosos que preferem a segurança imediata e egoísta à possibilidade de uma sociedade mais justa e dinâmica.)

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Caridade e Design

Houve uma altura mágica, entre 1999 e 2008, onde se falava muito de ética e política no design. Começou mais ou menos com o First Things First 2000 e terminou com a Crise. Não foi coincidência. O design ético e político só vingou enquanto havia dinheiro para investir em caridade. Para atrair donativos e mecenas, certas causas começaram a comportar-se mais como empresas com logótipos, powerpoints, inovação e empreendedorismo – daí os designers,que ajudavam as diferentes caridades a competir entre si. Leia o resto deste artigo »

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Lista do Ano

Começam a aparecer as primeiras listas de coisas importantes de 2012. Aqui fica a minha, que é de prioridades do dia-a-dia (e também vale para 2013): Leia o resto deste artigo »

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Conversa

Amanhã, às 18h, vou estar na Fnac de Santa Catarina numa conversa de apresentação do livro “A Casa de Pedro”, de José Mateus.

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Tabela

Embora as aulas sejam o meu sustento, escrever é a minha ocupação principal. As duas coisas estão ligadas como é óbvio, de muitas maneiras. Diz-se que há uma diferença entre a produção científica da universidade e a opinião, expressa em público cá fora. Não vejo as coisas dessa maneira: acredito que a função da academia é produzir dados e sistemas de argumentação que sustentem a discussão pública que serve de base a uma democracia saudável.

Assim, escrevo por gosto (gratuitamente), aqui no blogue, para sustentar a minha crença no papel público do intelectual. Faço-o diariamente, se possível. Também o faço profissionalmente, por dinheiro, para jornais, revistas, catálogos ou livros. Em algumas ocasiões mais raras, sou obrigado a pagar para escrever, quando submeto papers a congressos, uma prática que sempre me pareceu estranha. Pagar para escrever; escrever de graça; ser pago – uma tabela ao gosto dos tempos que correm.

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Como um Boy a olhar para um Palhaço

Em geral, chamar nomes ao nosso Governo não é má ideia; afinal, argumentar com eles não tem efeito nenhum. Em abstracto, qualquer nome serve, desde que seja justo e – se possível – bem esgalhado. Há alguns nomes, porém, que me custam. São preconceitos subtis que prejudicam mais o emissor do que o receptor.

Se há coisa que aprendi com esta crise é que existe uma deontologia do insulto. O bom insulto deve ser cirúrgico, evitando alvos civis enquanto dizima o seu alvo. O mau insulto degrada o ambiente e a sociedade. Leia o resto deste artigo »

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O Carreirismo e o seu Artesanato

Às vezes, quero escrever sobre um assunto e acabo a escrever sobre outro. No texto anterior, queria falar de Miguel Relvas e acabei por falar de divulgação cultural. O salto pode parecer excessivo mas compreende-se com pouco esforço: no caso da divulgação de eventos culturais prefere-se cumprir os requisitos formais da divulgação sem realmente divulgar; no caso Relvas (o do diploma), o ministro preferiu cumprir os requisitos formais de um curso universitário sem realmente o frequentar. Leia o resto deste artigo »

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Divulgação

A cultura portuguesa tem muitos defeitos mas o único que interessa realmente é a má divulgação. A qualidade de uma exposição, se é boa ou má, acaba por não importar muito, se a maioria das pessoas nem sabe que existe.

Toda a gente da cultura se queixa da divulgação, em geral culpando toda a gente menos quem fala: ninguém se interessa, os jornais não se interessam, a televisão não vem, e de resto ninguém lê, ninguém vê, etc. Leia o resto deste artigo »

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O Que Um Livro Pode 2012

Gostei mesmo muito de ir aos encontros O Que Um Livro Pode no Atelier Real em Lisboa. Não farei aqui mais que um resumo (podem ver o programa completo aqui), mas muito do que se discutiu irá sem dúvida ser aproveitado para textos aqui no blogue. Falou-se de coleccionar publicações (no primeiro dia), de expor livros (no segundo dia), de artistas e projectos que usam o livro como suporte, de livros de fotografia que tratam de comunidades emigrantes nos Estados Unidos (no terceiro dia).

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908 dias

Amanhã, quando chegar ao Porto, vou comprar uma resma de folhas de papel autocolante e, todos os dias, antes de sair de casa, vou imprimir um autocolante novo, para pôr na lapela, a dizer quantos dias faltam para as próximas legislativas.

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Independente/Institucional

No que diz respeito à cultura, não consigo ver uma oposição absoluta, ou sequer ligeira, entre independente e institucional. Habitualmente a distinção é usada para descrever diferenças de escala, mas também de formalidade, de hierarquia. À maneira de Foucault, vejo tanto o museu e a bienal como o pequeno espaço e o fanzine enquanto instituições. Cada um com as suas hierarquias, os seus discursos, que não são estanques. Pessoas, ideias, tiques e modas circulam entre os dois, assumindo configurações distintas com consequências diferentes. Basta ver como designações como “curador” fazem este circuito, transbordando até para outros discursos institucionais como o da “edição”, por exemplo. Pode-se descrever estas circulações, quando são mais intensas, como modas, principalmente quando se fala delas com um cansaço que ainda não as consegue rejeitar mas que também não as explica.

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Arte e Sociedade

António Pinto Ribeiro ontem no Ípsilon dedica um artigo a dizer o óbvio: que um artista não é necessariamente contestatário ou de esquerda. Isso é só e evidentemente um preconceito: como ele próprio inventaria, há artistas de todas as sensibilidades que fazem arte de intervenção, que não a fazem mas intervêm politicamente enquanto cidadãos, que são conservadores, de direita, etc. Leia o resto deste artigo »

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Caricaturas

António Guerreiro, no Expresso deste fim de semana, defende que a “doutrina neoliberal, no discurso corrente da esquerda, é uma mera máquina de desmantelamento do Estado. Ora, o neoliberalismo é algo mais complexo e, sobretudo, constitui um desafio à esquerda, para esta se pensar a si própria”. Essencialmente, acusa a esquerda de atacar não o neoliberalismo mas uma caricatura a traço grosso.

Contudo, ele próprio acaba por cair numa generalização caricatural do discurso de esquerda. Se o neoliberalismo é uma doutrina com décadas de existência, a sua crítica também já não é nova, nem se resume a acusações de desmantelar o Estado. Leia o resto deste artigo »

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Missão: Demissão!

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Já vamos nesta crise há quatro anos, mais ou menos dois desde que chegou aqui a Portugal, e foi-se tornando enjoativo ver as mesmas falácias a serem repetidas e rebatidas todos os dias. Desde o “viver acima dos meios” até “ao temos que empobrecer”, passando pelo “não há alternativas”. Nada disto é verdade; há argumentos convincentes contra tudo isto e muito mais. Torna-se cansativo escrevê-los aqui outra vez. Até se torna penoso lê-los. Não porque não sejam mais elegantes, articulados e estruturados que tudo o que este governo alguma vez tenha dito, mas porque simplesmente são ignorados por quem está no poder. É um desgaste que é também um desgaste da própria ideia da discussão racional e informada como base da democracia. Leia o resto deste artigo »

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Parábola

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A história é conhecida. Peter Saville queria usar uma reprodução de um quadro de Fantin-Latour na capa do disco, mas não se sabia bem quem detinha os direitos de autor. Pressionado por Tony Wilson, o director da National Gallery respondeu que pertenciam ao “povo inglês” ao que Wilson respondeu que o povo inglês queria mesmo usá-la na capa de um disco. Se a história tem piada, se é subversiva, é porque pouca gente se lembra de usar o que é público literalmente, como se fosse realmente nosso. Cada vez que entregamos dinheiro ao Estado em impostos ou segurança social, estamos a investi-lo, quase como se o puséssemos  num banco. Se algum dia fizermos como Wilson e formos levantar esse dinheiro, ou pelo menos usar aquilo em que ele foi gasto, será que ainda vai lá estar? O nome do disco dá talvez uma pista.

 

 

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Corrupções

Há duas definições possíveis de corrupção, uma legal e outra ética. No primeiro caso, o mais simples, alguém paga (em favores ou dinheiro) a alguém para ser favorecido, em geral lesando outras pessoas. Os exemplos são muitos: desde o político que faz uma lei que prejudica toda a gente menos um “amigo”, até ao instrutor de condução que “agiliza” a carta em troca de uma “atençãozinha”. Chama-se a isto tudo corrupção porque adultera um processo desviando-o do seu propósito original, deformando ou destruindo os seus princípios em nome de outros, em tudo menos na aparência – por exemplo, um concurso público feito já com um vencedor em vista dá uma legitimidade meritocrática a um processo que não o é de todo. Leia o resto deste artigo »

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Lata

Talvez nunca tenha havido uma Idade de Ouro ou uma Idade de Prata, mas esta é sem dúvida nenhuma a Idade da Lata. Quase nem é preciso comentário: dinheiros públicos a pagarem escolas privadas onde professores são regularmente coagidos a darem mais aulas e com turmas maiores que o definido por lei; onde os professores de educação física pintam a escola e fazem manutenção como quem pinta a sua própria casa “por gosto”, os de matemática ajudam na contabilidade; onde não há dinheiro para nada excepto para a colecção de carros dos donos (Rolls Royce, Porsche, Ferrari). E o desplante com que se justifica isto como se fosse a coisa mais natural do mundo devia ser embalsamado e exposto pela Europa fora, porque nunca houve um exemplar mais robusto do que este. E, para quem diz que o Ensino Privado não é só isto, só tenho a dizer que não há dia em que o Público não seja destruído via legislação, ou difamado via notícias.

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O que ando a ler

Depois do Expresso e do Público terem dedicado artigos a Karl Polanyi, já tenho The Great Transformation no Kindle (é mais barato e rápido do que ir atrás da versão portuguesa). Ainda só li um quarto mas, a julgar pela introdução de Joseph Stiglitz, é um bom livro para ler agora, uma crítica bem argumentada da liberalização total dos mercados, que Polanyi classifica como uma utopia irrealizável. Também ando a ler Both Flesh and Not, colecção póstuma de ensaios de David Foster Wallace. Prefiro o seu jornalismo e crítica à sua ficção. Pelo meio, ainda continuo a ler o livro de Paul O’Neill sobre comissariado e o England’s Dreaming, de Jon Savage, sobre o Punk e os Sex Pistols.

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Julião Sarmento

Ver a exposição de Julião Sarmento em Serralves foi levemente perturbador para mim, logo desde a primeira sala e do primeiro vídeo, uma mulher a tirar os sapatos enquanto lia um texto que não consegui decifrar. Num relance percebe-se que é uma espécie de strip tease, que ao longo do texto ela vai ficar nua e, sabendo isso, percebe-se que é um cliché, em todos os sentidos possíveis, principalmente aqueles que irritam as minhas amigas feministas (que não suportam a obra de Julião Sarmento).

Dei a volta às salas, e de vez em quando apareciam umas mulheres de cera ou resina, sem cabeça, cobertas por combinações pretas. Uma delas dobrada sobre uma mesa de madeira clara, de pernas abertas como num vídeo do Taveira. Leia o resto deste artigo »

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This is Not a Love Song

Tenho andado a coleccionar histórias de gente que votou neste governo por convicção estratégica ou militância e se arrependeu, muito. Fala-se de confiança nos mercados mas se o Governo fosse uma empresa boa parte dos seus accionistas já a teriam abandonado. Em outras ocasiões, sem a crise, sem a Europa, com outro Presidente e outra oposição, já teriam saído. Agora, receio que seja tarde demais para os demitir. Há quem acredite que gente como Dias loureiro se demitiu quando na verdade ainda são ministros de um território que deixou de ser político e público. A maré secou, a linha de costa mudou, mas eles continuam e continuarão no mesmo sítio. E este governo, a privatizar como poucos, em breve se tornará eterno. Em outros tempos seria um Golpe de Estado, mas até para isso é preciso Estado.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico.

Autor do livro O Design que o Design Não Vê (Orfeu Negro, 2018). Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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