The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Silêncio

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Nos últimos anos, sobretudo depois da crise, tenta-se repolitizar a arte – um esforço falhado à partida. Porquê falhado? Porque se trata de usar os processos e as instituições habituais da arte para falar sobre política. E a arte habitualmente não fala. Ou pelo menos tenta não falar obviamente. Leia o resto deste artigo »

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Filed under: Crítica

Julgar o livro pelo trailer

Foi devido a uma longa cadeia de infidelidades que comecei a ler The Gun Machine, de Warren Ellis. Há uns anos, acharia estranho ler um livro inteiramente no ecrã. Era fiel ao papel e à encadernação e a carregar o seu peso diariamente como uma marca, como um sinal ao mundo, enquanto o tentava percorrer. Gostava de escolher bem os livros e ainda tenho um certo orgulho nos que têm melhor design, um toque agradável, uma boa capa. Porque dizem mais sobre quem os usa do que uma t-shirt ou uma tatuagem. Porque é raro livrar-me de um, dando-o, vendendo-o, perdendo-o ou emprestando-o (nunca empresto um livro sem estar preparado para o perder). E se vão fazer parte da minha vida, é melhor que sejam bons. Agora, tenho preferido lê-los no ecrã, sempre que possível. Porque é mais prático. Porque viajo mais e a minha casa já não é um sítio tão certo. Essa é a primeira infidelidade. A principal. Leia o resto deste artigo »

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Ler à bruta

Já quase arrumei as avaliações semestrais, o que implicou ler de manhã à noite, exames, trabalhos, relatórios, uma ou outra tese mais urgente. Já nem falo dos mails e das coisas mais burocráticas. Ler. Em doses industriais. E sem grande prazer na leitura. Apenas para que um olho humano avalie a torrente de textos que o ensino de artes pós-bolonha segrega. E, quando não se está a ler ou a escrever, está-se a dar entrevistas, que alguém há-de ler, talvez até eu. Leia o resto deste artigo »

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Música e Hipotermia

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Aqui fica uma fotografia do Ípsilon da semana passada a demonstrar que um dos lugares comuns mais comuns do jornalismo fotográfico musical fica entre os vinte e os quarenta e cinto centímetros de profundidade, seja no mar, num riacho, num pântano, paúl, piscina (meio esvaziada) ou poliban. Já perdi a conta das vezes que vi um músico a sair das ondas como uma ninfa, abraçando às vezes um ramo de flores: Leia o resto deste artigo »

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Bitaites

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Ainda a meio das avaliações  sem grande tempo para escrever, ou para ler coisas que não tenham sido escritas por um aluno na véspera. Portanto este é só um post de bitaites. Leia o resto deste artigo »

Filed under: Notícias Breves

Escrítica Pop

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Ainda bem que perdi (aqui por casa, espero) o meu Escrítica Pop, reeditado salvo erro pela Assírio & Alvim por ocasião de um aniversario do Blitz. Foi assim que dei com a primeira edição do livro à venda num alfarrabista inglês, mais barata que a actual, assinada pelo autor (segundo o vendedor que também avisa que o texto é “entirely in italian”, incluindo provavelmente a contracapa de Assis Pacheco). Leia o resto deste artigo »

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Público

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Hoje renovei a minha assinatura do Público, um jornal que leio desde o primeiro dia. Habituei-me a tê-lo, pouco depois da meia noite, na sua versão electrónica. Mas, nos tempos que correm, não basta pagar por um serviço, é útil dizer porquê, porque uma assinatura pode ser usada como um voto de confiança, um apoio incondicional, e o meu apoio é tudo menos isso. Há algumas coisas que gosto no Público; há muitas outras que são fracas. Gosto da cobertura económica e política da crise. Não gosto da cobertura da cultura, que tem sido muito superficial, centrada em Lisboa e em grandes instituições. Nas artes plásticas, a única coisa que separa a crítica da nota de imprensa são umas tantas estrelas. A crítica literária, cinematográfica e musical é um pouco mais acerada, mas mesmo assim não chega. Sejam mais inventivos. Falem de outras coisas. Façam de conta que estamos em crise. Não falem só de política quando aparece um artista “politico”, de feminismo quando vos aparece uma “feminista” ou de pós-colonialismo a propósito dos Palop. A função do crítico não é falar pelo artista ou pela instituição. Sei que não há dinheiro, e sei que despediram gente. Foi uma asneira. Nota-se que pioraram.

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Realidade Aumentada

Ontem terminou Fringe. A última temporada não foi excelente, mas conseguiu encerrar a história com muito mais dignidade do que Lost, por exemplo. Em homenagem, partilhei no facebook a primeira coisa que escrevi sobre a série, sobre o seu design, em particular o modo como as suas legendas pairavam como grandes objectos entre as árvores ou as casas, reflectidas nas janelas, um efeito cuja estranheza se foi dissolvendo com o tempo. Nem me lembro se o usavam nos últimos episódios. Leia o resto deste artigo »

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Publicidade e Blogues

No Expresso de hoje, uma reportagem sobre os blogs de moda dando algum contexto à tendência por estas bandas. Muitos são ou querem ser um negócio, captando patrocínios de marcas e cobrando centenas ou mesmo milhares de euros por um post sobre um produto qualquer. Outros funcionam de modo mais independente. Uns como outros já são preferidos à imprensa tradicional na cobertura de eventos de moda ou no lançamento de produtos. Leia o resto deste artigo »

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Não Engana Ninguém

(Ainda sobre o mesmo assunto do post anterior)

Como justificar tudo o que o Passos (ou o Baptista da Silva) diz, de uma vez por todas:

1 – Admitir que, pronto, pronto, ele é um aldabrão. Ninguém põe isso em dúvida.

2 – Mas, se ninguém põe isso em dúvida, é porque ele não engana ninguém.

3 – E, se não engana ninguém, é porque está a dizer a verdade.

QED.

 

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Argumentos de Treta

Se calhar as pessoas até já se esqueceram. Há uns tempos apareceu na televisão um indivíduo, um português, que declarava estar a trabalhar com uma conceituada instituição internacional no sentido de encontrar maneiras socialmente mais justas de resolver a dívida, a crise, o resto. Depois descobriu-se que a relação do homenzinho com a tal instituição não era bem o que dava a entender. Quem o ouvia e concordava lamentou a vigarice do pobre do homem, de tudo aquilo, embora ressalvando que dizia coisas muito razoáveis.

Como se chamava mesmo o homenzinho? Depende. Neste caso, chama-se Pedro Passos Coelho e a instituição internacional é o FMI. Leia o resto deste artigo »

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Será que é possível reindustrializar o design gráfico?

Há muitos, muitos anos, praticamente desde que a disciplina se institucionalizou em Portugal, um dos maiores e mais consensuais objectivos do design gráfico tem sido estabelecer uma ligação com a indústria. Esse era um dos propósitos do falecido CPD. E já perdi a conta a todas as ocasiões oficiais em que ouvi a ideia ser solenemente repetida, todos os papers, artigos e teses onde a li. A aproximação do design à indústria lembra o que se diz de todos os filmes do 007 desde, pelo menos,1983:[1] que nunca se tinha apresentado um Bond tão frágil e humano. Três décadas depois, o agente secreto já tinha obrigação de ser mais humano que a maioria das pessoas. Quatro décadas depois, o design gráfico português já tinha obrigação de ter a sua ligação à indústria. Leia o resto deste artigo »

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Neoliberalismos Comparados

A conversão da Alemanha ao neoliberalismo ocorreu em circunstâncias mais ou menos dramáticas, por volta de 1948, no final de uma Guerra que se ficou a dever a um dos piores Estados totalitários de todos os tempos. Seria, por um lado, a rejeição deste passado recente (o Estado nazi) e, por outro uma rejeição de ameaças presentes (o Estado Soviético). A economia e o mercado vinham tomar o lugar de um Estado desacreditado e destruído como fonte de legitimidade para a discussão política interna, mas sobretudo das suas relações com o exterior. Tratava-se de relançar a credibilidade da Alemanha internacionalmente, apresentando-a como menos e mais do que um Estado: uma economia, um mercado. Leia o resto deste artigo »

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Listas

No guia das 100 melhores escolas de design e arquitectura da Europa da revista Domus, há quatro instituições portuguesas. A Esad das Caldas da Rainha e a Universidade de Aveiro (Design de Produto), as Belas Artes de Lisboa (Design Gráfico) e Arquitectura do Porto (Arquitectura, claro).

O meu amigo, designer e antigo editor Pedro Nora é finalista dos Design’s of the Year 2013 do Design Museum de Londres com a identidade e publicidade do Doc Lisboa de 2012.

Não duvido que muitas destas escolhas tenham o dedo do Frederico Duarte, que andaria à vontade numa lista das pessoas mais influentes do design português.

Parabéns a todos!

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Alhos e Bugalhos, ©@®@lhos.

Pelos vistos, há gente, a do costume, que acha uma contradição Mário Soares defender um serviço nacional de saúde e estar internado numa clínica privada. Devia ser óbvio que preferir sempre usar um hospital público não é a mesma coisa que ir sempre comprar os legumes à mercearia da esquina, que tantas dificuldades tem a fazer concorrência contra as grandes superfícies. Não é daqueles casos em que usá-lo é dar-lhe uma esmolinha. Leia o resto deste artigo »

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É Simples

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Esta semana houve muita gente que lamentou com pesar uma sociedade como a nossa, capaz de dividir a atenção entre coisas tão importantes como o relatório do FMI, e assuntos menores, trivialidades, como a mala da Pepa e o cão Zico. Como pode uma civilização descer tão baixo? Ou, como murmuram gravemente alguns, em especial os que esperam em filas: as pessoas…ai…as pessoas…

Há várias explicações, todas simples. Nenhuma envolve qualquer descida, antes passos ao lado. Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Prontuário da Crise

O Mercado da Culpa

Uma falha de mercado ocorre quando o ganho de um agente acontece à custa de perdas para a sociedade em geral. Neste momento, a União Europeia já não é um mercado comum, mas um conjunto de falhas de mercado sustentando-se umas às outras às custas de uma grande parte da sua população.

É habitual invocarem-se as origens da crise, nem tanto com o propósito de perceber o que correu mal, mas para repisar bem quem tem as culpas e quem deve pagar a factura. Aqui em Portugal, a culpa política foi atribuída ao Governo Sócrates e a económica à classe média, tanto um como outro gastando mais do que tinham. Do lado da Europa, Durão Barroso faz sempre questão de frisar que não foi a União Europeia que criou a crise. Etc.

Tornou-se habitual cada um dos putativos culpados (toda a gente já foi acusada de alguma coisa), antes de fazer alguma intervenção pública começar por assumir ou deflectir algum tipo de culpa: “não fui bem eu” ou então “foi ele”, dependendo do grau de responsabilidade. Leia o resto deste artigo »

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Outras ruas para ocupar

Quanto ao vídeo da Samsung, o tal da blogger de moda cujo desejo para 2013 seria comprar uma mala Channel, e que tem andado a gerar um coro de assobios na internet, não vejo nada de particularmente reprovável no que a rapariga disse. Terminou o mestrado, arranjou um emprego, tem menos tempo e o desejo “consumista” dela para 2013 seria “poupar dinheiro” para comprar uma mala Chanel.

Talvez soasse melhor se dissesse que andava a angariar dinheiro para uma campanha de combate à fome. Mas se ela acrescentasse que achava mal que uma família fizesse sacrifícios (poupasse) para ir a um concerto rock (ou comprar um filme, ler um livro ou comprar uma mala), muita gente (talvez a mesma) a criticaria também. Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Design

Padrões

Ao fim de algum tempo, até a pior crise se vai tornando rotineira. “Esperar o pior” já é um conselho demasiado óbvio para ser levado a sério (é como falar do tempo). A discussão deixou há muito de ser entre optimistas e pessimistas — o copo está, na melhor das hipóteses, meio vazio – mas entre modos diferentes de lidar com um futuro que se sabe pior: resignação, indignação, depressão, retaliação, negociação, etc.

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Filed under: Crítica

Teoria Política Tosca Mas Fiável

O Cidadão Português Médio só assume uma posição política quando quer foder a vida de outro Português ou Grupo de Portugueses. Não é grande novidade, claro, mas explica tudo. Mesmo tudo. Podia ser o axioma base para uma Grande Teoria Unificada da Decisão Política em Portugal. Explica como toma decisões o político profissional, como vota o militante, como se decide o indeciso e como não vota o abstémio ou até simplesmente o baldas. Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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