The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Padrões

Ao fim de algum tempo, até a pior crise se vai tornando rotineira. “Esperar o pior” já é um conselho demasiado óbvio para ser levado a sério (é como falar do tempo). A discussão deixou há muito de ser entre optimistas e pessimistas — o copo está, na melhor das hipóteses, meio vazio – mas entre modos diferentes de lidar com um futuro que se sabe pior: resignação, indignação, depressão, retaliação, negociação, etc.

Percebem-se os padrões da crise, os seus ritmos particulares: a seguir a cada período de férias um anúncio brutal (desta vez o relatório do FMI); a cadência dos sacrifícios, primeiro a função pública, depois o resto. O aumento regular de impostos, acompanhado da descida regular dos salários. As figuras públicas que, semanalmente, se revezam a dizer qualquer coisa brutalmente honesta (segundo eles ou elas), apenas porque é injustamente bruta. A cadeia de privatizações, que em vez de tornar os mercados mais livres e transparentes faz o oposto. A ajuda a bancos e a grandes empresas que depois precisaram de mais ajuda porque ninguém tem dinheiro para utilizar os seus serviços. Já se percebeu que a austeridade é o que é, e nem vale a pena dizer mais nada.

E não, ninguém é a Grécia, mesmo que tudo dê a entender o contrário. Admitir que estamos na mesma situação que a Grécia ou a Lituânia ou a Irlanda seria admitir que existe um padrão para a crise, que é possível generalizar, que a macroeconomia nos poderia – talvez – ajudar. (Para os desempregados ou emigrantes de cada um destes dois últimos países não faz muita diferença se a economia até melhorou. O dinheiro funciona aqui como um receptor nervoso; só o dono de um banco ou de uma cadeia de supermercados tem os sentidos suficientemente apurados para o sentir.)

Em quase dois anos, já se percebeu que a estratégia do governo falhou em toda a linha. A realidade confirma-o a cada minuto que passa. Quem ainda a apoia, assegura que nenhuma estratégia, por melhor elaborada, sobrevive ao contacto com o inimigo (são precisos ajustes – que estão a ser feitos, garantem-nos). Já ninguém duvida disso; a dúvida que interessa é se alguém vai sobreviver de todo.

Anúncios

Filed under: Crítica

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Arquivos

Arquivos

Categorias

%d bloggers like this: