The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Argumentos de Treta

Se calhar as pessoas até já se esqueceram. Há uns tempos apareceu na televisão um indivíduo, um português, que declarava estar a trabalhar com uma conceituada instituição internacional no sentido de encontrar maneiras socialmente mais justas de resolver a dívida, a crise, o resto. Depois descobriu-se que a relação do homenzinho com a tal instituição não era bem o que dava a entender. Quem o ouvia e concordava lamentou a vigarice do pobre do homem, de tudo aquilo, embora ressalvando que dizia coisas muito razoáveis.

Como se chamava mesmo o homenzinho? Depende. Neste caso, chama-se Pedro Passos Coelho e a instituição internacional é o FMI.

Se a comparação entre Baptista da Silva, o vigarista da ONU, e o Primeiro Ministro parece forçada, notem que não foi ideia minha, mas de quem ainda se dedica a defender o Governo (uma missão cada vez mais delirantemente criativa).

Pedro Lomba, por exemplo, usou esta comparação na sua coluna de opinião do Público, perguntando como o “país que há um mês não viu qualquer inexactidão, erro ou vigarice naquele Baptista da Silva descobre agora que os tipos do FMI produziram um relatório inepto, incompetente, ideológico e, como garantiu a antiga ministra Manuela Arcanjo, ‘80% desonesto’.”

A resposta de Lomba, que não é muito diferente da postura de outros comentadores pró-governo: “Imaginamos o que seria dito, se aquelas 70 páginas viessem apenas do Governo ou se tivessem sido encomendadas a consultoras nacionais. E, mesmo sem qualquer encomenda, o estudo seria também diminuído por vir do FMI, que é quem nos fiscaliza, mas também quem nos emprestou dinheiro, esperando por isso ser ressarcido.”

Ou seja, pouca gente acredita no FMI mas ninguém acredita no Governo; o relatório tem problemas, nada disto é fiável mas diz coisas que ninguém questiona, portanto devemos pô-las em prática. E a oposição, que disse o mesmo sobre Baptista da Silva, devia era estar calada.

Mas a analogia entre o homenzinho da ONU e Pedro Passos Coelho não é inteiramente honesta. Os dois casos só seriam comparáveis se Baptista da Silva fosse mesmo um funcionário da ONU ou, em alternativa, se Pedro Passos Coelho fosse um intrujão a fazer de conta que é um Primeiro Ministro. Ora, como Baptista da Silva não é um funcionário da ONU…

Update: Corolário.

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Filed under: Crítica

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