The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Francisco e Fernando

Imaginem que havia um banco exactamente igual ao BPI, o BPII, chefiado por um hipotético gémeo de Fernando Ulrich, o Francisco, igualzinho ao irmão, excepto por um pormenor: não sofre do Síndroma Social de Tourette (ou, mais exactamente, de Marie Antoinette), da mesma compulsão para dizer alarvidades cada vez mais ofensivas numa base semanal. Tudo o resto seria exactamente igual, excepto isto.

Nestas condições, não duvido que muita gente preferiria lidar com o BPII do Francisco do que com o BPI do Fernando. Ao escolher entre tomar o café num sítio onde nos servem bem, e outro, onde nos tratam mal, não duvido que a maioria das pessoas até estaria disposta a andar um pouco mais ou a pagar mais uns cêntimos por uma experiência mais agradável. Vivendo numa economia de mercado deveria ser igualmente fácil trocar o Fernando pelo Francisco.

Poder-se-ia argumentar que é uma falha menor. Que é possível ao banqueiro controlar os seus impulsos. Ou até que nem interessa muito aquilo que diz. Mas, se calhar, até vale a pena ser exigente. Afinal, para pagar o dinheiro que o Estado gastou a recapitalizar o Fernando, que é como quem diz o dinheiro que o Estado deu ao Fernando para que este lho pudesse emprestar de volta (nem vale a pena tentar perceber), — para pagar este dinheiro, dizíamos —, estamos a pagar muito mais impostos. Bastaria isso para justificar a nossa exigência. Se consumimos os serviços do Fernando, por mais estranhos que sejam, temos pelo menos o direito de reclamar.

E, se isso não bastasse como motivo para queixa, para podermos pagar melhor esses peculiares serviços, o dinheiro dos nossos impostos está a ser desviado de hospitais, escolas, tribunais e repartições. Não apenas por isso, claro, mas porque nos dizem que vivemos numa economia de mercado. Que esses serviços seriam melhor assegurados se houvesse concorrência, se nós como consumidores pudéssemos escolher o prestador de serviços que mais nos convém. Tal e qual como fazemos com um banco.

Vivemos numa sociedade onde nos querem fazer crer que a única maneira de lidar com os defeitos do Estado seria eliminá-lo, enquanto nos querem fazer querer que não temos outro remédio senão aguentar as alarvidades (discursivas e não só) de um banco. Salvou-se o BPI porque era demasiado grande para falir, enquanto se diz que o Estado é demasiado grande para sustentar.

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Filed under: Crítica

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